segunda-feira, 4 de maio de 2026

O Menino , o Pássaro Ferido e Deus

 O menino estava brincando na varanda de casa quando ouviu um barulho. Voltou os olhos para o lado e viu um pássaro se contorcendo. Logo percebeu que o pássaro havia batido no vidro da janela. Aconteceu com o pássaro o que às vezes acontece a nós quando nos distraímos ou caímos em alguma armadilha do destino. O menino lembrou o que seu pai havia lhe ensinado de como proceder quando visse um pássaro ferido, tonto por ter batido em uma vidraça. Pegou a ave e molhou a cabeça dele em um filete de água da pia. Depois colocou cuidadosamente em uma cadeira posta na varanda para que ele pudesse alçar voo ao se recompor. De repente, surgiu um gato e o menino se interpôs entre eles a fim de proteger o pássaro da investida do gato. Com o perigo afastado, o menino procurou ficar a uma distância que o pássaro não se assustasse com sua presença antes de estar totalmente recuperado, saindo em um voo desesperado, nem que o impedisse de proteger o pássaro caso o gato voltasse a investir sobre ele. O pássaro foi se recuperando da pancada e, ao avistar o menino e sem ter consciência de que o menino havia sido seu protetor por aquele período, alçou voo. Por não ter consciência de que o menino o havia ajudado, o pássaro não agradeceu. Fora ajudado sem saber que alguém velava por ele.

Será que é assim que Deus age quando nos chocamos em alguma vidraça da vida? Faz como o menino que velou  o sofrimento do pássaro e o protegeu até que ele se recuperasse?

Acredito que gostamos de pensar assim... Um Deus que nos protege... As perguntas acima se impõem, pois nem sempre acontece assim. Às vezes Deus parece não estar na varanda. Nestas vezes, o pior acontece e nos faz duvidar se Deus realmente faz este papel de estar sempre presente a nos proteger. Uma explicação me ocorre: É que às vezes tem que acontecer, o destino que Deus impôs ao próprio Jesus na cruz comprova isso. Em todas as outras vezes, Deus estava ali, cuidando... Nós, como o pássaro, é que não percebemos a presença Dele, nem tivemos consciência do perigo a que fomos submetido. Continuamos nossa sina de voar, até o momento em que Deus, por imposição do nosso destino, se ausentar da varanda.

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