domingo, 7 de junho de 2026

DESEJO OU BUSCA

 Sei não...


Shopenhauer detectou que a causa da infelicidade  humana é o desejo. O ser humano nunca está contente, porque ao realizar um desejo, logo aparece outro, assim sucessivamente, até a morte. Não há como ser feliz porque está sempre incompleto, pois sempre lhe falta algo.

Talvez o que fugiu ao escopo de Shopenhauer foi a ideia de que o ser humano não seja desejante e sim aquele que procura. Tem diferença. A ideia da procura traz uma positividade negada pelo desejo. Aquele que deseja realmente está preso ao objeto de seu desejo, já o que procura pode divertir-se com o processo e, assim, ser feliz.

Pois como diz Esaú Avízio Machado, "fazei do teu desejo teu prazer, tua vida uma inspiração".

Você está entre aquele que deseja ou o sujeito que busca?


PERSPECTIVAS

 Sei não...


É certo que uma onda parece diferente quando vista da praia por um sujeito sentado na areia, tomando água de coco gelada, daquele que está dentro do mar tomando um caldo da mesma onda. Ao avistá-la, o primeiro diz: "Que linda!" Já o segundo diz: "Ferrou!"

São pontos de vista diferentes. E o ponto de vista sempre se dá sob influência e perspectiva da vista do ponto em que o sujeito está colocado. Esta onda específica, tem um tamanho determinado, mas dependendo da posição do sujeito que a observa, ela pode parecer maior e mais perigosa. Fica a pergunta: O que importa é o fato de a onda ter um tamanho determinado (verdade absoluta) ou importante é como o sujeito observante a percebe (verdade relativa/subjetiva)?

O ponto de vista, ao que parece, é determinado pela vista de um ponto.

Bertrand Russel escreveu: "Leões e panteras são inofensivos, mas tome cuidado com galinhas e patos, porque podem ser perigosos, disse uma minhoca a seus filhos".

A fala de Russel se filia à ideia de que nossas percepções determinam os objetos, que o importante é como cada um sente a situação. Levando para o terreno das relações humanas, vê-se que é preciso nas diversas situações sentir a dor do outro, colocando-se em sua posição para poder entender o seu ponto de vista, sua angústia, ou até mesmo a alegria que viemos a julgar exarcebada. É preciso pôr-se na posição do outro.

Tudo o que fazemos juízo está intrinsecamente ligado à forma como como o fenômeno aparece a nós e, assim, nos faz determinar como nos parece ser. Eis o juízo.

Por isso precisamos estar abertos a estar nos diversos pontos diferentes de uma questão. Só assim poderemos perceber que galinhas podem ser tão perigosas quanto leões.

terça-feira, 26 de maio de 2026

ALEGRIA CONTAGIANTE

 Sei não...


Às vezes somos gananciosos, egoístas, individualistas... Mas também somos capazes de nos alegrar com a felicidade alheia. Como outros sentimentos, a alegria é contagiante.

Dia desses vi uma reportagem em que uma criança é resgatada de um buraco onde a fenda só cabia uma criança, de tão estreito. Uma multidão se aglomerou enquanto os bombeiros tentavam tirar a criança de lá. Não conseguiram pelos métodos tradicionais, então amarraram pela cintura uma outra criança, um pouco maior que aquela que havia caído no buraco, sustentando-a enquanto era descida rumo ao fundo, de cabeça para baixo, a fim de que alcançasse suas mãos à outra criança que lá estava, sendo ambas puxadas para cima. Ao ver as crianças emergindo do buraco e vendo-as bem, houve uma explosão de alegria contagiante na multidão. O pai, com a criança já abrigada em seu colo, não se continha de tanta felicidade. O pequeno herói que participou do resgaste também foi muito celebrado. Uma catarse coletiva de alegria.

Há que se perguntar de onde vem tamanha força vital... Como cabe em nós tamanho sentimento?

Para Spinoza, a alegria potencializa nossas boas ações. Funciona como um imã que atrai tudo que há de bom. O contrário se dá através da tristeza e a isto devemos estar atentos. Qual pavio estamos prestes a acender para ativar a explosão?

O NOBRE SELVAGEM

 Sei não...     


Oswaldo de Andrade, poeta do modernismo, apresentou uma constatação em seu crítico poema-piada:


"Quando o português chegou

Debaixo de uma bruta chuva

Vestiu o Índio.

Que pena!

Fosse uma manhã de sol

O índio teria despido o português."


Estas forças da natureza, chuva e sol, suavizam a brutalidade usada para impor a cultura do povo que chegou ao que aqui estava. Quem dera o poema fosse:


"Quando o português chegou

Debaixo de uma bruta chuva

Vestiu o Índio.

Que desaforo!

O índio não gostou

E lhe deu um pé na bunda."


Reconheço que não teria a genialidade e a sutileza usadas por Oswald de Andrade, assim como não retrataria a história como se deu. Que pena! Ah, se fosse uma manhã de sol...

A "pena" e o "desaforo" traduzem sentimentos e condutas diferentes. Isto nos leva à reflexão sobre como reagir em determinadas situações. É comum confundir  bondade e ingenuidade. No caso de nossos nativos, uma coisa levava a outra e carregavam ambas as qualidades. 

Sim, qualidades. Afinal, a normalidade das relações é que não se engane, nem se aproveite  de um gesto bondoso de outro, como foi a recepção dos índios. Além desta ideia estar explícita em Rousseau em sua tese da natural bondade humana, ela se faz presente em líderes religiosos como Jesus, que sugeriu ceder a outra face à uma agressão, e Confúcio, que disse que devemos ser como o Sândalo, que perfuma o machado que o fere. Dom Helder Câmara sugere que devemos ser como canas-de-açucar que, mesmo esmagadas, só sabem dar doçura.

Isto é o que se espera das relações humanas.

Uma mãe reclamou a outras mães que ensinava seu filho a não bater nos coleguinhas. No entanto, vez por outra ele apanhava. Ouviu das outras mães que deveria ensinar a revidar.

Infelizmente, depois de tantos pés na bunda, somos direcionados a chutar primeiro, pois como afirmou Nietzche:

"Fiquei magoado, não por teres me mentido, mas por não poder voltar a acreditar-te"

Vira um círculo vicioso. Nietzsche, como afirma na frase, já se viu genuíno, uma vez que já acreditou. Magoa a ele o fato de não mais poder acreditar. 

O indígena histórico de Oswald de Andrade agiu como o garoto da escola que apanhou. Não espera que outro vá lhe fazer o mal, nem espera que lhe venham enganar. Sua pureza deixa todas as coisas puras, até que algo as suje.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

A BELEZA DA ETERNIDADE

 



Sei não...

Há algo de poético na ideia de liberdade, de que não existe uma essência que nos prende e nos tolhe em seus ditames. Há beleza na ideia de constantes mudanças e de átomos que eternamente vagueiam pelos vazios existentes sem se fixarem e serem parte de algo como integrante seu para sempre.

É belo ver cada amanhecer, com suas nuances, as mudanças das cores, as flores novas que brotam. Gostamos do que move.

Mas igualmente belo é o eterno! Aquilo que permanece, convivendo entre as mudanças e as coisas passageiras.

A ideia do eterno nos mostra que mais belo que as flores das árvores está o fato de que elas sempre voltam. Não valoriza uma flor em particular, mas o fato de que elas existem. 

Valoriza o que une (essência), não o que separa (diferença)!

Vê um ser humano, onde os olhos da mudança alcançam um índio, um branco, um negro, um amarelo... Vê uma flor onde se pode ver apenas a rosa, a tulipa, o girassol... Vê as raízes de uma árvore, onde são mais apreciáveis as folhas e flores, porque sabe que no inverno estas se vão, enquanto as raízes resistem, escondidas, para que as folhas e flores possam voltar na primavera, pois como dizia Parmênides, "tudo volta ao início".

Se reinventar é algo poderoso e bom. É revigorante. Mas se reinventar sem uma base sólida pode ser desastroso. Não existem flores e folhas na primevera sem uma raiz que tenha sobrevivido ao inverno, empresa sem trabalhador, aprendizagem sem experiências.

Toda reinvenção ou mudança traz em si a ideia de eternidade, pois se exerce sobre algo existente e fruto do ser que existe em si mesmo para sempre.


IMPERFEIÇÃO MAIS QUE PERFEITA

 Sei não...

Há em nós uma busca pela perfeição.  Esta busca, aliás , é um dos argumentos apresentados por São Tomás de Aquino como prova da existência de Deus. Como somos imperfeitos, não teríamos como ter ideia de algo perfeito, afirma de forma razoável a tese. Se há esta ideia em nós, se somos dotados de tal ideia, somente algo perfeito poderia dispor dela a nós, uma vez que por nós mesmos não poderíamos tê-la. Então, foi o Criador quem nos dotou de tal noção e por isso a conhecemos pelo intelecto.

Noções de perfeição produzidas pelo ser humano não faltam no mundo. Uma dessas noções está na simetria do corpo, retratada por Da Vinci na gravura do "Homem Vitruviano"



Mesmo que projetemos e busquemos tal perfeição, não parece a perfeição da figura uma arbitrariedade? Para o funcionamento das coisas parece algo necessário, vendo como trabalham as abelhas e formigas.

E para as questões humanas? Seria a gravura do homem vitruviano um bom representante, estando ele preso a figuras geométricas?

Penso que Dostoievski discorda ao dizer que "o homem é esta realidade em que dois mais dois não são quatro". Esta frase retira o ser humano da perfeição matemática das formas e apresenta a subjetividade humana, passível de erro, desequilíbrios físicos e desarmonia. Não que Da Vinci estivesse errado em seu desenho, mas talvez haja algo, pasmem, mais completo e além da perfeição. A perfeição, portanto, não seria o que há de mais sublime, há algo além do círculo e do quadrado.

Em questões humanas a beleza está na imperfeição, que é onde ainda há movimento, onde há vida. O que é perfeito não se move, somente a imperfeição tem esta possibilidade. A necessidade permanente de aparar as arestas é que faz com que de fato estejamos vivos.

APRENDENDO A SER CONTRARIADO

 Sei não...


As pessoas têm cada vez menos paciência em discutir, sobretudo assuntos que despertam paixões.

Geralmente não gostamos de ser contrariados e preferimos o conforto de ouvir e conversar com as pessoas que compartilham de nossa posição e nossa forma de ver as coisas. Assim, com a chegada das redes sociais, formaram-se as chamadas "bolhas", que são agrupamentos de pessoas que têm interesses comuns, mesma visão de mundo e princípios. Tudo o que está no escopo destas bolhas é o que está acontecendo, porque seus integrantes não estão abertos a receber notícias ou opiniões contrárias vindas de outro universo. Assim, a única verdade existente é a que transita na bolha.

Antes, deveríamos ansiar em ser contrariados, para colocar em xeque nossas opiniões e forma de ver o mundo. Se tudo der errado e estivermos certos em nossa posição, atestaríamos com provas e seguiríamos convictos de que estivemos certos o tempo todo sobre a questão discutida. Caso dê certo o resultado deste confronto de ideias e a opinião contrária venha a prevalecer e nos convencer de que estivemos errados, teríamos o ganho de um novo saber e recálculo de rota. Perder é ganhar.

Acontece que não estamos dispostos a isso. Seguir com a própria opinião é cômodo, pois não precisamos passar pela "impertinência" do contrário e, tampouco, corremos o risco de "perder" uma discussão. Viver na bolha é mais fácil e, humanamente, buscamos sempre o que é mais cômodo, fugimos da chatice dos embates argumentativos.

Certa vez, Sócrates, inconformado por ter sido apontado como o homem mais sábio da Grécia, procurou saber a veracidade da informação. Saiu a conversar com outros homens considerados sábios sobre os mais diversos assuntos. Ao ver que eles falavam sobre todas as coisas, mesmo as que desconheciam, como se fossem os doutores nos assuntos, ele aceitou a alcunha de homem mais sábio. Ele sabia que não conhecia tais assuntos... disso ele sabia. Aqueles homens que tagarelavam sobre diversos assuntos que desconheciam somente para mostrar que sabiam, na verdade não sabiam sequer disso. A conclusão é que ele sabia ao menos uma coisa: que nada sabia, enquanto os outros desconheciam a própria ignorância. Logo, ele era realmente o mais sábio.

Ansie em ser contrariado. Só há ganho.


O PASSADO MANDA UM BOM PRESENTE AO FUTURO

 Sei não...


Já pararam para pensar que as coisas acontecem sucessivamente sem que percebamos que estão acontecendo? Pois bem... talvez seja destino ou uma ordem cósmica a atuar sobre os acontecimentos.

O que se sabe é que uma ação prepara outra, tendo sido esta gerada a partir de uma ação anterior a ela. E se a ação anterior fosse diferente da que foi estabelecida? Se, ao invés de sentar na cadeira uma pessoa tivesse resolvido manter-se em pé quando o pé da cadeira se quebrou e ela se machucou na queda? O futuro traria variáveis... Uma delas é a de que a próxima pessoa a sentar na cadeira fosse aquela que viesse a se machucar, ou uma outra, se esta anterior não tivesse peso suficiente para quebrá-la. Os futuros desses personagens estariam alterados por uma única decisão primordial.

Ou talvez se dê conforme projetou Spinoza: Para o filósofo, a partícula "e se" não existe, pois estaria no espectro do cogito. Cogitar é abstrato, não realizado, portanto, nulo como algo existente. Não se pode mudar o passado. Também não se pode cogitar sobre o futuro, uma vez que só vai acontecer atrelado a um momento anterior, que é passado (mediado pelo presente que, por sua vez, vira passado), e como já vimos, não pode ser mudado e não há mais como remediar. Sobra o momento presente como o único que interessa, que por sua vez, já foi determinado pelo passado (que não podemos mudar) e determinará o futuro como algo impossível de não acontecer. Não há escolha ou cogitação.

Ufa! Estamos absolvidos...

De qualquer forma, penso que o que existe mesmo é o futuro... O passado não podemos mudar e o presente... já passou... de tão rápido.

A boa notícia é que o futuro existe e a perspectiva que vislumbramos nos mantém vivos. A isto podemos cogitar.  Não há nada errado em sonhar com o passado nos trazendo um bom presente no futuro.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

O PODER DA MENTE... OU DA FÉ

 Sei não...


Há algo que foge do natural...

Nossa mente, quando empenhada em algo, é uma força descomunal. Talvez tão grande que saia do campo da mente e entre no escopo da fé.

Certa feita o cãozinho de uma família foi atropelado. Enquanto se recuperava, em uma dada noite se pôs a lamuriar de dor, embora estivesse já medicado. O casal nada podia fazer para aplacar a dor do bichinho. Como o animalzinho, pelo que se tem conhecimento, não sabe orar, o homem, compadecido, se pôs a interceder mentalmente por ele. Minutos depois fez-se silêncio, o animal havia finalmente adormecido. No dia seguinte, ao falar com a esposa que havia orado pelo cãozinho, soube dela que ela havia feito o mesmo no mesmo momento. Duas mentes unidas por uma mesma causa... Em silêncio.

E agora? O que fez aplacar a dor do bichinho? Um cristão provavelmente diria que foi a força da oração do casal. Um humanista ou exotérico poderia dizer que foi a convergência de pensamento focado em um mesmo objeto com força suficiente a ponto de fazer regredir a dor. Já um cético afirmaria que o remédio enfim fizera efeito e o fato de ambos focarem suas forças mentais ou de fé em um mesmo momento para um ponto convergente fora mera coincidência.

Em uma outra situação, um menino queria ver um programa de TV e sua irmã, outro. Como a irmã era mais velha, prevaleceu sua vontade. Irritado, o menino saiu da sala e foi para o quarto. Enquanto saia vociferou: "tomara que queime!". Neste exato momento a TV se apagou...

Parece que Buda acertou ao dizer: "cuidado com o que desejas".

Kieerkgard, por sua vez, afirma que o estágio mais avançado do ser humano é a fé. Os valores estéticos e éticos ficam na superfície, já os valores da fé sublimam tal patamar e nos colocam além, acima do estágio da mortalidade.

É bom lembrar: Tanto para o bem, como para o mal, nossas intenções e desejos mais intensos podem acontecer, seja por amor ou por raiva, a menos que estejam certos os céticos e tudo seja mera coincidência. Todavia, faça-se justiça ao céticos, a coincidência que eles defendem também pode ser alvo de desconfiança, sendo a dúvida seu sublime ato de fé.

PONTUAÇÃO: DA GRAMÁTICA À VIDA


 

Sei não...

Ao que parece, a vida vivida imita as pontuações da escrita.

A linguagem escrita encontrou nas pontuações uma forma de identificar os sentimentos  contidos em uma informação descrita. São as pontuações que registram o sentido que se quer dar ao que está escrito.

E como isto se dá na vida?

Vejamos:

A virgula se faz presente entre uma ação e outra em nossa vida na correria do cotidiano quando interligadas, mas separadas, tal como sair do trabalho para buscar os filhos no colégio, por exemplo. Ações separadas com maior intervalo, são como ponto e vírgula, que separariam o trabalho pela interrupção promovida pela folga ou férias.

As interrogações são auto-explicativas, aplicam-se em nossas dúvidas. Tão comum a ocorrência, e tantas... Inclusive em pequenas escolhas, tal sobre que roupa vestir. Importante mesmo é saber sobre o que perguntar.

Os parênteses funcionam como confirmações de nossas convicções. O problema se dá quando, não contente em convercer os outros, tenta convercer a nós mesmos de que estamos certos, quando há erro. Assim age também o travessão.

A exclamação traduz nossas emoções, da tristeza à empolgação. Esta última então, legal mesmo é quando a exclamação vem expressa através do olhar. Não há nada mais lindo que um olhar empolgado.

O ponto final, dizem os especialistas em internet, representa falta de educação em mensagens de textos, pois indicariam fim de papo. De forma ríspida e unilateral... Sei não... Alguém tem que por fim à conversa em algum momento. Na vida, ele representa o fim de um ciclo, um dia, um mês, um ano... ou uma ação, mesmo que pequena, se não for melhor indicação a vírgula.

A pontuação que mais me agrada, entretanto, são as reticências. E não tenho medo de pôr ponto final a esta afirmação. Elas guardam ao mesmo tempo a esperança de que algo bom está para acontecer (imitando a pueril emoção da criança)  com a dúvida de que possa surgir algo diferente da expectativa (imitando o cauteloso adulto que já viu frustradas tantas outras vezes tais expectativas em momentos anteriores).

Além de guardarem esta mistura de sentimentos e expectativas, as reticências não são presunçosas, nem tão afirmativas como o ponto final. Longe de serem mal educadas, representam a pluralidade. E isto é um dos aspectos que as tornam belas. Esteticamente, sua representação gráfica, com três pontinhos alinhados, um após o outros, transmite ideia de vida que flui... Como se a vida fosse um trem que segue em frente e faz pausas de estação em estação... Assim acontece conosco, carregamos muita gente... umas descem... outras embarcam.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

AS AVÓS: CHEGADAS E DESPEDIDAS

 

Sei não...                    


A despedida é um momento estranho. Dizer adeus não é fácil. Trata-se de uma mistura de sentimentos que vai da dúvida sobre quando os envolvidos voltam a se encontrar, com a esperança de que isto aconteça, somando-se a incerteza de que isto vá mesmo ocorrer.

Ainda lembro quando ia visitar minhas avós. A mãe de meu pai, vó Rosa, em especial, tinha um jeito peculiar de se despedir. Nas últimas visitas antes de seu falecimento, as despedidas acabavam com ela chorando. Nas visitas de tempos anteriores, eu via em seu olhar uma preocupação comigo, mas representavam rotineira coisa de avó. No fim, o choro demonstrava outro tipo de preocupação, o medo de que aquela fosse a derradeira entre nós. Um dia foi e, curiosamente, não lembro dela ter chorado.

Carregava consigo, mesmo que não soubesse, a frase de Chateaubriand: "todos os dias são um adeus".

Da mãe de minha mãe, Isabel, a "vó Bela", lembro das chegadas. Estava sempre a mexer com algo quando já de longe a avistavámos debaixo do chapelão de palha. Ora fazia rosca na fornalha, ora colhia os grãos de café nos pés que cresciam ao redor da casa ou estava a peneirar a colheita. Isto quando não estava ao pilão socando o amendoim que viraria uma deliciosa paçoca... Aí parava o que estava fazendo para nos servir um café. E conversar. A gente se sentia importante quando a reverência deveria ser nossa.

Lide Viana disse: "Os avós são flores florescidas no Jardim da Vida, ajudando as sementes a se transformar em flores".

Eu tive as mais belas rosas.


sábado, 16 de maio de 2026

TRANSGRESSÃO

 


Sei não...

Ao que parece carregamos um senso do que é justo, bom e correto. Aristóteles diz que somos atraídos por esses atributos. Talvez por isso há em nós um espírito contraventor, que às vezes nos faz sair em busca destes atributos, quando sentimos sua falta.

Não é à toa que a figura de Lúcifer, mesmo como personagem produzido pela mente humana, exista e atraia nossa atenção. Se for ente existente como ser real conforme está descrito como aquele que ousou voltar-se contra seu criador, evidencia o quão os seres são afeitos à transgressão.

Assim, como o senso de bondade, justiça, beleza, etc..., nos atrai, a transgressão também nos fascina.

Eduardo Galeano narra que no princípio dos tempos dois pares de pés deixavam rastros na areia de uma praia. Em um determinado momento os pares de pés se separam. Um desses pares sobe por uma duna alta e desaparece. As pegadas voltam a se encontrar adiante. Significa que um dos andantes transgrediu o caminho, ousou sair da trilha para ver o que havia além da duna.

É a versão de Galeano para a bíblica história de Adão e Eva. A mulher havia ousado desobedecer o criador. Para a tradição judaíca-cristã uma afronta, para o gnosticismo, um ato de coragem. Como podemos ver, já em seu início, a Bíblia Sagrada, conta um ato de transgressão. O próprio Deus transgrediu seu solitário mundo através do "faça-se".

A cultura grega também apresenta o gesto da transgressão como causa dos males do mundo. A curiosidade de Pandora a fez desobedecer Zeus e abrir a ânfora, o que lhe fora terminantemente proibido fazer. Ali estavam as doenças e todo o tipo de mal, espalhando-se pelo mundo. Antes, o próprio Zeus havia sobrevivido ao pai por conta de uma transgressão da mãe, que o escondeu para não ser devorado.

Eva desobedeceu a Deus, Pandora a Zeus, a mãe de Zeus a Cronos... Figuras femininas com espíritos libertários ou desobedientes?

O escritor gaúcho Roberto Axe diz que "a transgressão é uma espécie de segundo nascimento", transmitindo a ideia de que a vida é feita de ressurgimentos e estes sempre acontecem através de eventos transgressores. 

Sem transgressão não há movimentos. A vida surge por eles.

O poeta Cacaso, por sua vez, nos premia com o poema "O Lugar da Transgressão":


"Encontrei um sapo cochilando

Dentro minha botina

Nunca me meti em botina de sapo

Que liberdades são essas?"


Às vezes um cochilo é uma forma de transgressão.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

O DESESPERO


Sei não...


Sêneca afirmou: "Devemos ir buscar coragem ao nosso próprio desespero".

A coragem é de fato um remédio eficaz à maioria dos males da alma, mas como usá-la quando o mal que nos aflige é justamente a sua falta? É como buscar remédio em um frasco vazio.

Quem nunca passou por esta sensação em algum momento da vida, em que o desespero foi tanto diante de uma expectativa, tão grande, a ponto de não se importar para o que pudesse acontecer consigo naquele momento?

Certa manhã um garoto encontrou dois filhotes de um pássaros ainda no ninho, mas já crescidinhos, quase a ponto de alçar voo, pois já havia bastante plumagem. Aprisionou-os na gaiola e armou alçapão para pegar os pais. Primeiro veio a mãe e caiu na armadilha. Foi posta junto com os filhotes. Depois foi aprisionado o pai. O menino colocou todos numa mesma gaiola para que os filhotes continuassem a ser alimentados pelos pais. Entretanto, no entardecer, percebeu que a fêmea estava, como se dizia, jururu... Ela havia entrado em tal fase de desespero que se punha letárgica no poleiro, com a plumagem arrepiada (sintoma de doença, tristeza, abatimento). O macho, então, passou a  alimentar os filhotes e a própria fêmea como se ela fosse um de seus filhotes, dada a situação de desesperança inerte enfrentada pela companheira.

Na manhã seguinte a fêmea já estava recuperada, o gesto do macho a havia salvo. Talvez acontecesse o contrário, mas não vem ao caso. O fato é que a fêmea voltou a alimentar-se por si só e alimentar seus filhotes. Por fim, o garoto acabou por soltar a todos, após alguns dias. 

Nestes momentos, talvez o que precisamos é apenas apoio e uma noite...

sexta-feira, 8 de maio de 2026

A SOLIDÃO

 

 A maioria das pessoas, em qualquer etnia, acredita que exista um criador... É lógico crer que seja quem for este criador, em algum momento ele esteve só, antes de tudo criar. Assim, a primordial condição do ser humano é a solidão, herdada de quem o criou. E Talvez a necessidade do criador em compartilhar a vida contida nele como única existente é que o levou à criação de todo o resto... Um criador que compartilha algo de bom. Isto não muda o fato que no princípio, antes de tudo depois dele, havia somente ele e a solidão.

Mas... digamos que não exista um ente criador... Neste caso, a origem de tudo seria o ventre vazio do nada.

De qualquer forma, este nada, este caos, assim como o criador, seria a expressão máxima da solidão primordial, antes que tudo viesse a ter forma.

A solidão é, portanto, a primordial característica, tanto de quem originou a criação, quanto da criatura, que herdou esta característica.

Orson Wells aponta a saída positiva que a humanidade encontrou para fugir desta primeira e inevitável natureza

"Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Somente através do amor e das amizades é que podemos criar a ilusão, durante um momento, de que não estamos sozinhos."

A solidão procura em outras solidões a eliminação da sensação de abandono que ela provoca. Acontece que a presença de outros seres não nos tira a unicidade, a singularidade, porque nada vive uma vida outra que não seja a sua própria existência. É uma realidade inexorável, implacavelmente presente por ser a solidão um atributo essencial dos seres, visto estar presente do nascimento à morte, em toda a existência concreta.

Clarisse Linspector nos apresenta uma receita para enfrentar este desafio em nossa jornada existencial:

 "Que a minha solidão me sirva de companhia

Que eu tenha a coragem de me enfrentar

Que eu saiba ficar com o nada

E mesmo assim me sentir

Como se estivesse plena de tudo."

Nos consola saber que aquilo que originou tudo, Deus ou o caos, era já pleno em sua solidão antes mesmo de tudo criar. Nos dá a sensação de que é plenamente viável suportar a nós mesmos.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

O Menino , o Pássaro Ferido e Deus

 




O menino estava brincando na varanda de casa quando ouviu um barulho. Voltou os olhos para o lado e viu um pássaro se contorcendo. Logo percebeu que o pássaro havia batido no vidro da janela. Aconteceu com o pássaro o que às vezes acontece a nós quando nos distraímos ou caímos em alguma armadilha do destino. O menino lembrou o que seu pai havia lhe ensinado de como proceder quando visse um pássaro ferido, tonto por ter batido em uma vidraça. Pegou a ave e molhou a cabeça dele em um filete de água da pia. Depois colocou cuidadosamente em uma cadeira posta na varanda para que ele pudesse alçar voo ao se recompor. De repente, surgiu um gato e o menino se interpôs entre eles a fim de proteger o pássaro da investida do gato. Com o perigo afastado, o menino procurou ficar a uma distância que o pássaro não se assustasse com sua presença antes de estar totalmente recuperado, saindo em um voo desesperado, nem que a distância o impedisse de proteger o pássaro caso o gato voltasse a investir sobre ele. O pássaro foi se recuperando da pancada e, ao avistar o menino e sem ter consciência de que o menino havia sido seu protetor por aquele período, alçou voo. Por não ter consciência de que o menino o havia ajudado, o pássaro não agradeceu. Fora ajudado em um período difícil de sua existência sem saber que alguém velava por ele.

Será que é assim que Deus age em nosso favor, sem que saibamos, quando nos chocamos em alguma vidraça da vida? Faz como o menino que velou o sofrimento do pássaro e o protegeu até que ele se recuperasse? Ou tudo não passa de mera coincidência, sorte ou azar?

Sei não...

Acredito que gostamos de pensar assim... Um Deus que nos protege no lugar de um Deus que deixa as coisas acontecerem à revelia... As perguntas acima se impõem, pois nem sempre acontece assim, às vezes nos deparamos com situações trágicas, o que acontece todos os dias. Nem sempre há esta proteção. Às vezes Deus parece não estar na varanda. Nestas vezes, o pior acontece e nos faz duvidar se Deus realmente faz este papel de estar sempre presente a nos proteger. Uma explicação me ocorre: É que às vezes tem que acontecer, o destino que Deus impôs ao próprio Jesus na cruz comprova isso. Em todas as outras vezes, Deus está ali, cuidando... Nestes momentos que Deus cuida, nós, tal como o pássaro não percebeu a presença do menino, não percebemos a presença Dele, nem temos consciência do perigo a que somos submetido. Não sabemos o dia em que Ele não estará ali. Continuamos nossa sina de voar sem olhar para trás, até o momento em que Deus, por imposição do  destino que nos é traçado, se ausentar da varanda.

sábado, 2 de maio de 2026

Meus Livros: RENATO RUSSO - CANÇÃO E FILOSOFIA

 


É uma reflexão da obra de Renato Russo com enfoque na Filosofia, nas correntes filosóficas e seus pensadores. Neste livro se encontra, por exemplo, a conexão de Renato com a filosofia de Rousseau sobre a bondade humana. Encontra a relação existente com a filosofia de Bertrand Russell, trazendo temas tais como o pacifismo e o ecocentrismo. Há ainda a reflexão sobre a verve mais frequente na obra de renato Russo, que é o platonismo, além do movimento estoico presente nas canções de amor. Também trata sobre a forma como o cantor lidou com a questão da homossexualidade nas composições, em que se percebe duas fases distintas de abordagem. Estas e outras reflexões trazidas neste livro ambicionam despertar no leitor uma nova forma de entender e experimentar as sensações que as canções  de Renato Russo produzem, sob uma ótica diferente a que está acostumado, para além do cancioneiro.

Links:

Digital

https://www.amazon.com.br/dp/B0FK35GSX5


Impresso

https://loja.uiclap.com/titulo/ua158195 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

FILÓSOFOS DEBATEM FAROESTE CABOCLO

AGATÃO: Este banquete tem como tema a questão ética e proporei como texto de estudo a música Faroeste caboclo, para que, a partir das situações vividas pelos personagens, possamos debater segundo vossas convicções.
(Os pensadores ouviram a música) 

ROUSSEAU: Encontro minha filosofia nesta narrativa. Acredito que o homem nasce bom e a vivência em sociedade o corrompe, porque desperta um desejo de competição que o leva a atitudes mesquinhas e pequenas. O primeiro verso deixa claro esta condição primitiva de bondade, pois não ter medo significa, nesta situação, não conhecer o mal. A morte do pai despertou em João de Santo Cristo um ódio pela vida e a visão de que todos eram seus inimigos. Esta inimizade, na humanidade, começou quando um primeiro cercou um pedaço de terra e disse: “isto é meu!” e não houve ninguém com suficiente clareza para arrancar aquelas cercas. A partir daí cada qual passou a defender o que é seu, vizinhos se desentenderam, países guerrearam...

HOBBES: Falas, caro Rousseau, como se esta competição foi induzida por um fator externo, como o tiro que matou o pai do rapaz, por exemplo. Negativo! Estes sentimentos nascem conosco, pois não diferimos dos outros animais nesta questão. Digo que o homem é lobo do homem! Ao contrário do que dizes, o homem é naturalmente mau e a sociedade é quem cria mecanismos para educá-lo na virtude. João de Santo Cristo teve chances, quando criança e quando adulto, mas teimou sempre em ser lobo.

SÊNECA: Tudo seria muito mais tranquilo se João de Santo Cristo não lutasse tanto contra o seu destino. Ele viveria muito mais feliz se deixasse as coisas acontecerem naturalmente. A aceitação de sua condição, no mínimo, lhe traria paz para viver decentemente, trabalhando e, talvez, formando uma família.

AGOSTINHO: Faltou a todos os personagens a opção por Deus. A boa ação é aquela que nos aproxima de Deus e a má ação aquela que nos afasta Dele. Onde falta Deus brota o mal.

SARTRE: Penso que Rousseau e Hobbes erram quando falam em essência humana, pois primeiro existimos e a nossa essência - aquilo que somos - se forma a partir de nossas escolhas, o que quer dizer que não temos nenhuma natureza pré-existente, boa ou má. Também não existe destino como diz Sêneca, nós é quem o fizemos. E Deus, mesmo que existisse, não interferiria em nossas ações, porque somos condenados a ser livres.  Sozinho fiz o mal, sozinho inventei o bem. Não temos a quem culpar por nossas ações, pois somos pautados pela liberdade. Os personagens da história em questão agiram livremente, fizeram suas escolhas e suas ações não podem ser atribuídas a fatores externos, pois estes podem influenciar, mas jamais determinar as decisões pessoais.

AGOSTINHO: É o que chamo de livre-arbítrio...

SARTRE: É um contrassenso o que dizes. Uma liberdade pautada por uma força superior não é liberdade. Como posso ser livre se tenho que fazer a vontade desta força? Não existe meia liberdade. Não se pode ser meio livre, como não se pode ser meio morto.

NIETSCHE: E nem é a vontade deste Deus inventado, mas a vontade da Igreja de Agostinho que, influenciado pelas ideias racionalistas de Platão, teorizou um modo de amarrar as pessoas às normas e regras de conduta que atentam contra a natureza humana. Passaram a tudo proibir. Estamos condenando os personagens desta história sob a batuta destas regras estúpidas. Devo admitir que Maria Lúcia é a personalidade mais fraca, não pelas razões anteriormente expostas pelos colegas de banca, mas pelo fato de que ela vivia ao sabor dos desígnios dos outros personagens, não tinha amor próprio. Por outro lado, era justo o ódio de João de Santo Cristo e ele viveu intensamente até conhecê-la, entregando-se aos ditames da sociedade moralista, como formar família, com empreguinho e casamento.

HOBBES: O que estás a propor é a barbárie!  Como disse anteriormente, nascemos maus e se não houvesse uma lei que regulasse as ações, cada qual agiria conforme seu bem entender sem qualquer controle.

NIETZSCHE: O problema é justamente o controle. A única lei a ser seguida, deveria ser a lei natural, a lei do bem viver.

EPICURO: Bem viver é justamente o que faltou aos personagens. Como o fim último da vida é buscar o prazer através da tranquilidade da alma e da serenidade, devo concordar com Sêneca quando diz que João de Santo Cristo deveria esquecer o fato da morte de seu pai, a princípio, através do exercício do perdão. A agonia da cena guardada em seu coração se estendeu por toda a vida. Além do mais, ele desejava demais, quando poderia ser feliz com o que tinha e onde vivia.

NIETZSCHE: Perdão e piedade são para os fracos. O moralmente forte age segundo sua natureza. O ódio de João de Santo Cristo era justificável. Controlar os sentimentos é ir contra a lei natural e fraudar o que é puro e, portanto, bom.

ARISTÓTELES: Pois penso que a função da razão é justamente dominar as inclinações e as paixões. O bem viver é viver com equilíbrio, pois a virtude está no meio. Há duas formas de falhar: por excesso ou falta. Duelar com Jeremias não foi um ato de coragem - que seria a virtude – mas um ato temeroso – o vício por excesso.  João agiu emocionalmente pela ira. Jeremias, por sua vez, praticou a covardia ao atirar pelas costas – o vício por falta.

SÓCRATES: Só se erra por ignorância. O ser moral é o ser de conhecimento. Praticar o conhecimento é o bem agir. Os personagens em questão viveram à sombra de suas crenças, não procuraram a razão e nitidamente sofreram muito durante suas vidas. Seu conhecimento era, portanto, precário de verdade e sabedoria.

PLATÃO: Típico caso, se me permite o mestre interromper, de pessoas que vivem nas sombras da caverna. O medo do desconhecido os impediram de sair para fora e conhecer o verdadeiro mundo. Enquanto a alma era pura, como diz a música, João de Santo Cristo não tinha medo, o que equivale dizer que não conhecia o mal. O corpo, que habita o mundo sensível das aparências e enganos, através das experiências contaminou a alma, até então pura.

PROTÁGORAS: Pois penso que cada qual vivenciou sua experiência, conforme sua ética, seu modo de pensar e sua percepção particular de mundo. Cada qual aqui está julgando segundo o que acredita ser certo ou errado. O mundo existe conforme a visão de cada um e a vida e modo de viver se deu conforme as escolhas dos personagens. Quem disse que João ou Jeremias queriam vida e fim diferentes? Trocariam a curta vida que tiveram por uma vida longa sem emoção?

JONH STUART MILLS: Toda ação deve culminar em felicidade ao maior número possível de pessoas, mas tem que obrigatoriamente ser útil, pois os fins justificam os meios. Não vejo benefício algum, nem para os personagens, nem para a sociedade as decisões tomadas por eles. O único momento de boa decisão foi quando João de Santo Cristo resolveu trabalhar, constituir família com Maria Lúcia. Eles pareciam felizes e a sociedade ganhou com ele vivendo segundo as regras dela.

IMMANUEL KANT: Penso de forma contrária a Stuart Mills. Para mim não importam os resultados, mas a intenção do agente moral. Sêneca tem razão quando diz que não está em nossas mãos o controle  dos acontecimentos, pois às vezes queremos produzir algo e sai outro diferente. Temos culpa? Respondo que não, porque nossa intenção era boa. O final da música revela a intenção de Santo Cristo e era uma intenção boa, humanitária, que visava o bem social. Durante a música percebe-se que Santo Cristo sempre tenta fazer o melhor, mas algo sempre o desvirtuava do bom caminho.

NIETZSCHE: De boas intenções o inferno está cheio. O “bom caminho” que você se refere é o caminho dos padres, pastores e racionalistas. Gostam do Santo Cristo cordeirinho, enquadrado nos ditames de suas regras estúpidas que fazem as pessoas trocarem o bem viver pela prisão que estas normas e regras impõem.

DESCARTES: Como racionalista devo dizer que as paixões só levam a enganos e torturam a consciência. Concordo com Agostinho quando afirma que Deus e a Sua vontade são o direcionamento, a rota a seguir, pois ele é o Supremo Ser Pensante. Também concordo com Sócrates no que se refere ao conhecimento como elemento guia das ações. 

Meus livros: UNS E UNS OUTROS - O CAPITÃO E O MENINO

 




Um ancião desperta em banco de uma praça ao lado de duas senhoras. Uma diz que se chama consciência e, a outra, Memória. Ele pensou que estivessem caçoando dele. Elas fazem com que relembre os tempos da infância e depois o conduzem a um dia de sua vida adulta em seu ofício como capitão. Neste dia ele se depara com a força de um menino que o confronta. Deste embate nasce a loucura, o esquecimento e, talvez, a redenção. Uns e Uns outros traz o embate de duas "tribos". Um grupo conta com a força bruta e a covardia que desperta o medo, a outra, com a inocência, intuição e coragem. 

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Meus livros: NATÁLIA E OS DOZE

 


Natália é uma adolescente experimentando um profundo vazio existencial que tenta preencher com perigosos desafios lançados na internet. Em uma determinada noite estava entre ingerir comprimidos ou mutilar-se com uma lâmina. Foi dormir com este desafio lançado a si. Acordou em meio à madrugado com um estranho ao pé da cama que a convida para um desafio: conhecer doze sábios. Como num passe de mágica ela surge primeiro na Grécia Antiga, depois é levada para outros lugares por seu amigo Áureo, onde tira de doze mestres lições de bem viver, os vê em ação e, então, vê sua vida transformada cada vez que volta para casa.

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Meus Livros: A REVOLTA DOS CHIFRUDOS

 




Na pacata cidade de Rama Alta nada acontecia de extraordinário, afora as aparições de uma misteriosa e controversa mulher a quem chamavam de Generosa Mascarada. De repente, homens começaram a apresentar chifres, fato que causou tumulto em toda a cidade. O odor atraia as borboletas aos ornamentos cefálicos e as ruas passaram a apresentar um colorido especial. No entanto, aquilo não agradou aos homens do alto escalão social que passaram a exibir os adereços, pois trouxe a eles transtornos para a vida social. Entre esses transtornos constava o impedimento de jogar futebol, em proteção à bola nos cabeceios, e em proteção aos jogadores, por haver risco de choques entre eles. Também não podiam ir a restaurantes, por conta das borboletas. Os chifres trouxeram à cidade, ainda, o desnudamento da hipocrisia social. A procura da cura para os chifres virou o tema central da cidade enquanto procurava sua própria cura... 

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Meus livros: E JESUS CHOROU NO JARDIM

 



Diógenes, um pastor e professor aposentado, chega de Jerusalém com um pergaminho antigo escrito em aramaico que recebeu de presente de um ancião judeu. E uma dúvida na cabeça: Quem escreveu?... Ao traduzir, tem revelado o autor. À medida que lê, algo vai trabalhando em si rumo a uma transformação. O novo Diógenes entra em conflito com a forma de pensar dos outros líderes da igreja que congrega. Estabelece uma nova evangelização e passa a guiar seus passos em consonância com o que prega o pergaminho.


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Meus Livros: SEGREDOS E SILÊNCIOS

 


          Pedro é um homem que carrega um grande segredo. E deste se oriunda outros, que o leva a mentir. Vê a mentira como suporte do mundo, pois, segundo analisa, ela é mais recorrente que a verdade. A verdade, por sua vez, em seu entendimento, traria o caos a tudo. O enredo começa com Pedro assassinando um piloto de aeronave em um aeroporto e depois tira a própria vida. A partir daí, Sara, sua esposa, que além de segredos, carrega silêncios, parte em busca da verdade e dos motivos que fizeram Pedro agir como um assassino. As surpresas que encontra nesta procura faz tudo desmoronar à medida em que se defronta com suas próprias mentiras e a verdade aparece. Os fatos parecem comprovar a tese de Pedro a respeito da mentira e da verdade. 

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