quinta-feira, 30 de abril de 2026

FILÓSOFOS DEBATEM FAROESTE CABOCLO

AGATÃO: Este banquete tem como tema a questão ética e proporei como texto de estudo a música Faroeste caboclo, para que, a partir das situações vividas pelos personagens, possamos debater segundo vossas convicções.
(Os pensadores ouviram a música) 

ROUSSEAU: Encontro minha filosofia nesta narrativa. Acredito que o homem nasce bom e a vivência em sociedade o corrompe, porque desperta um desejo de competição que o leva a atitudes mesquinhas e pequenas. O primeiro verso deixa claro esta condição primitiva de bondade, pois não ter medo significa, nesta situação, não conhecer o mal. A morte do pai despertou em João de Santo Cristo um ódio pela vida e a visão de que todos eram seus inimigos. Esta inimizade, na humanidade, começou quando um primeiro cercou um pedaço de terra e disse: “isto é meu!” e não houve ninguém com suficiente clareza para arrancar aquelas cercas. A partir daí cada qual passou a defender o que é seu, vizinhos se desentenderam, países guerrearam...

HOBBES: Falas, caro Rousseau, como se esta competição foi induzida por um fator externo, como o tiro que matou o pai do rapaz, por exemplo. Negativo! Estes sentimentos nascem conosco, pois não diferimos dos outros animais nesta questão. Digo que o homem é lobo do homem! Ao contrário do que dizes, o homem é naturalmente mau e a sociedade é quem cria mecanismos para educá-lo na virtude. João de Santo Cristo teve chances, quando criança e quando adulto, mas teimou sempre em ser lobo.

SÊNECA: Tudo seria muito mais tranquilo se João de Santo Cristo não lutasse tanto contra o seu destino. Ele viveria muito mais feliz se deixasse as coisas acontecerem naturalmente. A aceitação de sua condição, no mínimo, lhe traria paz para viver decentemente, trabalhando e, talvez, formando uma família.

AGOSTINHO: Faltou a todos os personagens a opção por Deus. A boa ação é aquela que nos aproxima de Deus e a má ação aquela que nos afasta Dele. Onde falta Deus brota o mal.

SARTRE: Penso que Rousseau e Hobbes erram quando falam em essência humana, pois primeiro existimos e a nossa essência - aquilo que somos - se forma a partir de nossas escolhas, o que quer dizer que não temos nenhuma natureza pré-existente, boa ou má. Também não existe destino como diz Sêneca, nós é quem o fizemos. E Deus, mesmo que existisse, não interferiria em nossas ações, porque somos condenados a ser livres.  Sozinho fiz o mal, sozinho inventei o bem. Não temos a quem culpar por nossas ações, pois somos pautados pela liberdade. Os personagens da história em questão agiram livremente, fizeram suas escolhas e suas ações não podem ser atribuídas a fatores externos, pois estes podem influenciar, mas jamais determinar as decisões pessoais.

AGOSTINHO: É o que chamo de livre-arbítrio...

SARTRE: É um contrassenso o que dizes. Uma liberdade pautada por uma força superior não é liberdade. Como posso ser livre se tenho que fazer a vontade desta força? Não existe meia liberdade. Não se pode ser meio livre, como não se pode ser meio morto.

NIETSCHE: E nem é a vontade deste Deus inventado, mas a vontade da Igreja de Agostinho que, influenciado pelas ideias racionalistas de Platão, teorizou um modo de amarrar as pessoas às normas e regras de conduta que atentam contra a natureza humana. Passaram a tudo proibir. Estamos condenando os personagens desta história sob a batuta destas regras estúpidas. Devo admitir que Maria Lúcia é a personalidade mais fraca, não pelas razões anteriormente expostas pelos colegas de banca, mas pelo fato de que ela vivia ao sabor dos desígnios dos outros personagens, não tinha amor próprio. Por outro lado, era justo o ódio de João de Santo Cristo e ele viveu intensamente até conhecê-la, entregando-se aos ditames da sociedade moralista, como formar família, com empreguinho e casamento.

HOBBES: O que estás a propor é a barbárie!  Como disse anteriormente, nascemos maus e se não houvesse uma lei que regulasse as ações, cada qual agiria conforme seu bem entender sem qualquer controle.

NIETZSCHE: O problema é justamente o controle. A única lei a ser seguida, deveria ser a lei natural, a lei do bem viver.

EPICURO: Bem viver é justamente o que faltou aos personagens. Como o fim último da vida é buscar o prazer através da tranquilidade da alma e da serenidade, devo concordar com Sêneca quando diz que João de Santo Cristo deveria esquecer o fato da morte de seu pai, a princípio, através do exercício do perdão. A agonia da cena guardada em seu coração se estendeu por toda a vida. Além do mais, ele desejava demais, quando poderia ser feliz com o que tinha e onde vivia.

NIETZSCHE: Perdão e piedade são para os fracos. O moralmente forte age segundo sua natureza. O ódio de João de Santo Cristo era justificável. Controlar os sentimentos é ir contra a lei natural e fraudar o que é puro e, portanto, bom.

ARISTÓTELES: Pois penso que a função da razão é justamente dominar as inclinações e as paixões. O bem viver é viver com equilíbrio, pois a virtude está no meio. Há duas formas de falhar: por excesso ou falta. Duelar com Jeremias não foi um ato de coragem - que seria a virtude – mas um ato temeroso – o vício por excesso.  João agiu emocionalmente pela ira. Jeremias, por sua vez, praticou a covardia ao atirar pelas costas – o vício por falta.

SÓCRATES: Só se erra por ignorância. O ser moral é o ser de conhecimento. Praticar o conhecimento é o bem agir. Os personagens em questão viveram à sombra de suas crenças, não procuraram a razão e nitidamente sofreram muito durante suas vidas. Seu conhecimento era, portanto, precário de verdade e sabedoria.

PLATÃO: Típico caso, se me permite o mestre interromper, de pessoas que vivem nas sombras da caverna. O medo do desconhecido os impediram de sair para fora e conhecer o verdadeiro mundo. Enquanto a alma era pura, como diz a música, João de Santo Cristo não tinha medo, o que equivale dizer que não conhecia o mal. O corpo, que habita o mundo sensível das aparências e enganos, através das experiências contaminou a alma, até então pura.

PROTÁGORAS: Pois penso que cada qual vivenciou sua experiência, conforme sua ética, seu modo de pensar e sua percepção particular de mundo. Cada qual aqui está julgando segundo o que acredita ser certo ou errado. O mundo existe conforme a visão de cada um e a vida e modo de viver se deu conforme as escolhas dos personagens. Quem disse que João ou Jeremias queriam vida e fim diferentes? Trocariam a curta vida que tiveram por uma vida longa sem emoção?

JONH STUART MILLS: Toda ação deve culminar em felicidade ao maior número possível de pessoas, mas tem que obrigatoriamente ser útil, pois os fins justificam os meios. Não vejo benefício algum, nem para os personagens, nem para a sociedade as decisões tomadas por eles. O único momento de boa decisão foi quando João de Santo Cristo resolveu trabalhar, constituir família com Maria Lúcia. Eles pareciam felizes e a sociedade ganhou com ele vivendo segundo as regras dela.

IMMANUEL KANT: Penso de forma contrária a Stuart Mills. Para mim não importam os resultados, mas a intenção do agente moral. Sêneca tem razão quando diz que não está em nossas mãos o controle  dos acontecimentos, pois às vezes queremos produzir algo e sai outro diferente. Temos culpa? Respondo que não, porque nossa intenção era boa. O final da música revela a intenção de Santo Cristo e era uma intenção boa, humanitária, que visava o bem social. Durante a música percebe-se que Santo Cristo sempre tenta fazer o melhor, mas algo sempre o desvirtuava do bom caminho.

NIETZSCHE: De boas intenções o inferno está cheio. O “bom caminho” que você se refere é o caminho dos padres, pastores e racionalistas. Gostam do Santo Cristo cordeirinho, enquadrado nos ditames de suas regras estúpidas que fazem as pessoas trocarem o bem viver pela prisão que estas normas e regras impõem.

DESCARTES: Como racionalista devo dizer que as paixões só levam a enganos e torturam a consciência. Concordo com Agostinho quando afirma que Deus e a Sua vontade são o direcionamento, a rota a seguir, pois ele é o Supremo Ser Pensante. Também concordo com Sócrates no que se refere ao conhecimento como elemento guia das ações. 

Meus livros: UNS E UNS OUTROS - O CAPITÃO E O MENINO

 




Um ancião desperta em banco de uma praça ao lado de duas senhoras. Uma diz que se chama consciência e, a outra, Memória. Ele pensou que estivessem caçoando dele. Elas fazem com que relembre os tempos da infância e depois o conduzem a um dia de sua vida adulta em seu ofício como capitão. Neste dia ele se depara com a força de um menino que o confronta. Deste embate nasce a loucura, o esquecimento e, talvez, a redenção. Uns e Uns outros traz o embate de duas "tribos". Um grupo conta com a força bruta e a covardia que desperta o medo, a outra, com a inocência, intuição e coragem. 

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Meus livros: NATÁLIA E OS DOZE

 


Natália é uma adolescente experimentando um profundo vazio existencial que tenta preencher com perigosos desafios lançados na internet. Em uma determinada noite estava entre ingerir comprimidos ou mutilar-se com uma lâmina. Foi dormir com este desafio lançado a si. Acordou em meio à madrugado com um estranho ao pé da cama que a convida para um desafio: conhecer doze sábios. Como num passe de mágica ela surge primeiro na Grécia Antiga, depois é levada para outros lugares por seu amigo Áureo, onde tira de doze mestres lições de bem viver, os vê em ação e, então, vê sua vida transformada cada vez que volta para casa.

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Meus Livros: A REVOLTA DOS CHIFRUDOS

 




Na pacata cidade de Rama Alta nada acontecia de extraordinário, afora as aparições de uma misteriosa e controversa mulher a quem chamavam de Generosa Mascarada. De repente, homens começaram a apresentar chifres, fato que causou tumulto em toda a cidade. O odor atraia as borboletas aos ornamentos cefálicos e as ruas passaram a apresentar um colorido especial. No entanto, aquilo não agradou aos homens do alto escalão social que passaram a exibir os adereços, pois trouxe a eles transtornos para a vida social. Entre esses transtornos constava o impedimento de jogar futebol, em proteção à bola nos cabeceios, e em proteção aos jogadores, por haver risco de choques entre eles. Também não podiam ir a restaurantes, por conta das borboletas. Os chifres trouxeram à cidade, ainda, o desnudamento da hipocrisia social. A procura da cura para os chifres virou o tema central da cidade enquanto procurava sua própria cura... 

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Meus livros: E JESUS CHOROU NO JARDIM

 



Diógenes, um pastor e professor aposentado, chega de Jerusalém com um pergaminho antigo escrito em aramaico que recebeu de presente de um ancião judeu. E uma dúvida na cabeça: Quem escreveu?... Ao traduzir, tem revelado o autor. À medida que lê, algo vai trabalhando em si rumo a uma transformação. O novo Diógenes entra em conflito com a forma de pensar dos outros líderes da igreja que congrega. Estabelece uma nova evangelização e passa a guiar seus passos em consonância com o que prega o pergaminho.


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Meus Livros: SEGREDOS E SILÊNCIOS

 


          Pedro é um homem que carrega um grande segredo. E deste se oriunda outros, que o leva a mentir. Vê a mentira como suporte do mundo, pois, segundo analisa, ela é mais recorrente que a verdade. A verdade, por sua vez, em seu entendimento, traria o caos a tudo. O enredo começa com Pedro assassinando um piloto de aeronave em um aeroporto e depois tira a própria vida. A partir daí, Sara, sua esposa, que além de segredos, carrega silêncios, parte em busca da verdade e dos motivos que fizeram Pedro agir como um assassino. As surpresas que encontra nesta procura faz tudo desmoronar à medida em que se defronta com suas próprias mentiras e a verdade aparece. Os fatos parecem comprovar a tese de Pedro a respeito da mentira e da verdade. 

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