domingo, 7 de junho de 2026

DESEJO OU BUSCA

 Sei não...


Shopenhauer detectou que a causa da infelicidade  humana é o desejo. O ser humano nunca está contente, porque ao realizar um desejo, logo aparece outro, assim sucessivamente, até a morte. Não há como ser feliz porque está sempre incompleto, pois sempre lhe falta algo.

Talvez o que fugiu ao escopo de Shopenhauer foi a ideia de que o ser humano não seja desejante e sim aquele que procura. Tem diferença. A ideia da procura traz uma positividade negada pelo desejo. Aquele que deseja realmente está preso ao objeto de seu desejo, já o que procura pode divertir-se com o processo e, assim, ser feliz.

Pois como diz Esaú Avízio Machado, "fazei do teu desejo teu prazer, tua vida uma inspiração".

Você está entre aquele que deseja ou o sujeito que busca?


PERSPECTIVAS

 Sei não...


É certo que uma onda parece diferente quando vista da praia por um sujeito sentado na areia, tomando água de coco gelado, daquele que está dentro do mar tomando um caldo da mesma onda. Ao avistá-la, o primeiro diz: "Que linda!" Já o segundo diz: "Ferrou!"

São pontos de vista diferentes. E o ponto de vista sempre se dá sob influência e perspectiva da vista do ponto em que o sujeito está colocado. Esta onda específica, tem um tamanho determinado, mas dependendo da posição do sujeito que a observa, ela pode parecer maior e mais perigosa. Fica a pergunta: O que importa é o fato de a onda ter um tamanho determinado (verdade absoluta) ou importante é como o sujeito observante a percebe (verdade relativa/subjetiva)?

O ponto de vista, ao que parece, é determinado pela vista de um ponto.

Bertrand Russel escreveu: "Leões e panteras são inofensivos, mas tome cuidado com galinhas e patos, porque podem ser perigosos, disse uma minhoca a seus filhos".

A fala de Russel se filia à ideia de que nossas percepções determinam os objetos, que o importante é como cada um sente a situação. Levando para o terreno das relações humanas, vê-se que é preciso nas diversas situações sentir a dor do outro, colocando-se em sua posição para poder entender o seu ponto de vista, sua angústia, ou até mesmo a alegria que viemos a julgar exarcebada. É preciso pôr-se na posição do outro.

Tudo o que fazemos juízo está intrinsecamente ligado à forma como como o fenômeno aparece a nós e, assim, nos faz determinar como nos parece ser. Eis o juízo.

Por isso precisamos estar abertos a estar nos diversos pontos diferentes de uma questão. Só assim poderemos perceber que galinhas podem ser tão perigosas quanto leões.