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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Meus livros: NATÁLIA E OS DOZE

 


Natália é uma adolescente experimentando um profundo vazio existencial que tenta preencher com perigosos desafios lançados na internet. Em uma determinada noite estava entre ingerir comprimidos ou mutilar-se com uma lâmina. Foi dormir com este desafio lançado a si. Acordou em meio à madrugado com um estranho ao pé da cama que a convida para um desafio: conhecer doze sábios. Como num passe de mágica ela surge primeiro na Grécia Antiga, depois é levada para outros lugares por seu amigo Áureo, onde tira de doze mestres lições de bem viver, os vê em ação e, então, vê sua vida transformada cada vez que volta para casa.

links

Digital: 

https://www.amazon.com.br/dp/B076YJ8453

Impresso:

https://loja.uiclap.com/titulo/ua163515



sábado, 8 de outubro de 2016

EPICURO E O BEM VIVER

VIVER É SABOREAR

 Resultado de imagem para imagens  E FRASE DE EPICURO

“Um velho calção de banho
Um dia prá vadiar
O mar que não tem tamanho
E um arco-íris no ar
Depois, na Praça Caymmi
Sentir preguiça no corpo
E numa esteira de vime
Beber uma água de côco
É bom!
Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã”
(Toquinho)




EPICURO

"As pessoas felizes lembram do passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo"




               Epicuro viveu numa Grécia dominada pelos macedônios e a velha democracia ateniense havia ficado para trás. Como não havia o que discutir sobre política, cabia ao filósofo de sua época refletir sobre o valor existencial do ser humano, procurando as melhores formas de viver. Por isso, sua filosofia mirava o dia-a-dia, já que para ele não haveria como mudar o passado e preocupar-se com o futuro era sofrer antecipadamente; do primeiro lembrava-se das alegrias, do segundo, fazia-se tão somente projeções favoráveis. Residia num local chamado Jardim, que também servia de escola para seus ensinamentos, bem ao seu estilo: um lugar tranqüilo, onde se podia cultivar as amizades que, para ele, era a mais completa forma de amor, embora para a maioria das pessoas esta seja através do casamento e da família.

            O filósofo havia passado por mais uma crise renal. As ervas fizeram efeito e as dores por ora não lhe atormentavam tanto. Por isso mesmo, para Epicuro, viver bem significava viver sem dor. Porém, havia consumido toda a erva com a qual se medicava pacificando sua existência e agora deveria ir buscar mais, prevenindo-se para a nova crise renal que provavelmente viria quando menos esperasse.

             A caminho da residência da velha senhora que lhes dava as ervas, Epicuro encontrou um jovem fazendo suas orações à beira da estrada, junto às imagens de alguns deuses. O jovem, ao avistá-lo, foi ao seu encontro:

        - Mestre, fui chamado à guerra e estou fazendo minhas orações junto aos deuses para que me protejam – Disse-lhe o rapaz com certa alegria pela honra de ser agora um soldado.

        - Se estás alegre com o momento, aproveite-o, pois os próximos serão duros. Porém, não perca tempo com os deuses, pois eles não se importam conosco. – Respondeu Epicuro.

              - Falo com os deuses porque estou com medo de morrer na guerra – Confessou o jovem.

          - Também não deves te preocupar com a morte, pois enquanto estás vivo, ela não está presente e, quando morto, já não poderá senti-la, porque não temos mais posse de nossos sentidos. – Ensinou Epicuro.

             - Então, como deverá ser meu futuro? Vou morrer na guerra? Será que voltarei como herói? – Perguntou o jovem.

         - Se ficares preso à preocupação quanto ao destino, esquecerás de viver o presente e isto não é bom. Ao tempo em que estás aqui, orando a deuses que não te escutam, ou preocupado com o destino e a morte que não se fazem presentes, poderias estar com aqueles que ama e gozar de momentos agradáveis com eles. Vá para casa e goze da companhia deles enquanto há tempo, pois talvez não poderás fazê-lo no futuro – Orientou Epicuro.

         Então o jovem resolveu seguir os conselhos do mestre. Enquanto saía, ainda teve tempo de ouvir de Epicuro um último conselho:

          - E faça suas refeições, sempre que possível, de forma moderada para não passar mal; e acompanhada de amigos ou familiares, porque comer acompanhado é mais agradável que comer sozinho...



LIÇÕES DO MESTRE

Epicuro sofria com as constantes dores nos rins por conta de cálculos renais. A dor, portanto, era seu maior tormento. Como parte de sua filosofia era refletir sobre o bem viver, logo desenvolveu a tese de que a vida boa era uma vida sem sofrimento, seja ele físico, psíquico ou qualquer outro que levasse a pessoa a sofrer. Chegou à conclusão de que uma vida feliz e plena era a vida voltada ao prazer; porém, um prazer contido, que apaziguasse a alma e tranquilizasse o corpo. Condenava o exagero, a preocupação com o futuro, o apego às coisas e o medo da morte. A noção de prazer, portanto, tem a ver com a ataraxia, que é o controle dos desejos e os medos, pois controlando os desejos diminuem a necessidade e a ansiedade, exercendo-se o auto-domínio. Menores necessidades criam menos expectativas, levando a pessoa a um contentamento mais constante e uma felicidade duradoura. Assim, Epicuro nos ensina que a felicidade não está nas coisas, mas em nós. Vivia numa residência afastada da cidade chamada de “Jardim”, onde também funcionava sua escola, local de reunião de seus seguidores. Portanto, vivia conforme ensinava, pois afastar-se da cidade representava fugir dos problemas gerados por ela, como o embate político, por exemplo. Assim, afastava-se de tudo que pudesse trazer preocupação, prezava mais a amizade como forma de amor do que o casamento, pois a amizade não trazia a passionalidade e o apego, entre outros problemas, que o casamento trazia. Viver bem, então, tem mais a ver com aquilo que evitamos, do que com aquilo que almejamos como objetivo, pois lutar por um objetivo, de forma obstinada, é uma forma de sofrimento. Epicuro ensina a recordar as coisas boas do passado, a ver o futuro com boas perspectivas, sem deixar de viver o presente, saboreando cada momento como se fosse o último, evitando o sofrimento.



Na Pista do DJ Epicuro

         A calma e a tranqüilidade são os temas frequentes na discoteca do Dj Epicuro.

         Poderia iniciar com “Soul Parsifal” (Alma tranquila), de Renato Russo, que diz: “estive cansado, meu orgulho me deixou cansado, minha vaidade me deixou cansado...”, numa reflexão sobre a vida desejante de alguém que agora se dedica a estar na varanda, fazendo cestos.

          Poderia seguir com Dazaranha e sua música “Vagabundo Confesso”, que diz: “Sou vagabundo eu confesso, da turma de 71, já rodei o mundo e nunca pude encontrar lugar melhor para um vagabundo que um rio à beira-mar...”

         E a festa seguiria com muito reggae, num luau à beira-mar.





sábado, 26 de abril de 2014

Felicidade ou Prazer?

Se vive para ser feliz e para obter prazer em nossas ações?
Parecem a mesma coisa, já que o que nos torna feliz também é o que nos dá prazer e vice-versa, não é mesmo?
Então qual é a diferença, já que os eudemonistas, como Aristóteles e Santo Agostinho, são partidários da felicidade; e os hedonistas, como Epicuro, são partidários do prazer?

Uma diferença básica está na concepção de prazer dado pelos hedonistas como simples fuga da dor, sendo a não-ação por si só como algo que baste para estar bem. Assim, alguém que sofre dores renais, por exemplo, como Epicuro as sofria, quando não as sente atinge um estado ideal de bem viver que ultrapassa as fronteiras da felicidade, estando, portanto, além dela. Só sabe disso quem sofreu essas dores e encontrou alívio num Buscopam na veia, não é mesmo?
No entanto, a maior diferença está no fato de que o prazer é mais epidérmico, mais suscetível e intenso; ou seja, você consegue quantificar aquilo que está sentindo, enquanto que a felicidade é mais abstrata, mais vaga, pois você consegue perceber que algo te deixou bem (feliz), mas não consegue quantificar nem delinear exatamente o que sente.

Kama Sutra - Posições para apimentar o sexoGanhar um presente de aniversário, dependendo qual, te deixa mais ou menos feliz, mas você não tem um padrão sobre o que está sentindo.
Já um gozo sexual, por exemplo, você consegue saber o que sente, além de ser mais intenso.
Você pode até preferir, dizem os hedonistas, ganhar o presente, mas não há como negar que o prazer é mais intenso.
Além do mais, você trocaria qualquer presente, qualquer bem material, pelo alívio de uma dor intensa.

A felicidade, por sua vez é mais duradoura, sustentam os eudemonistas; e alguns bens imateriais, como o amor aos filhos, são maiores que qualquer dor que venha sentir, senão uma mulher não se disporia a  passar por todas as agruras de uma gestação e parto, se não fosse pela felicidade de gera-los.

A discussão segue...

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Ostentação: Um outro hedonismo

Além do hedonismo de Epicuro (veja o link "O Verdadeiro Hedonismo"), há ainda uma visão atual da busca do prazer, pois se Epicuro o buscava através do controle das paixões para a tranquilidade da alma, o que se quer atingir hoje é a máxima satisfação destas mesmas paixões. Esta ideia está perfeitamente exposta num movimento em que os funkeiros chamaram de Ostentação. Nesta forma de hedonismo, não apenas se satisfaz o corpo, como também se atinge o prazer em ostentar o que se tem, uma visão perigosa que pode criar uma mentalidade voltada para o individualismo exarcebado. Se Soul Parsifal representa o hedonismo de Epicuro, como observado na postagem anterior, observe agora a letra desta música do Mc Guimê e faça sua reflexão:



  PLAQUÊ DE 100
Contando os plaque de 100, dentro de um Citroën,
Ai nois convida, porque sabe que elas vêm.
De transporte nois tá bem, de Hornet ou 1100,
Kawasaky,tem Bandit, RR tem também. (2x)

A noite chegou, e nois partiu pro Baile funk,
E como de costume, toca a nave no rasante
De Sonata, de Azera, as mais gata sempre pira
Com os brilho das jóias no corpo de longe elas mira,
Da até piripaque do Chaves onde nois por perto passa,
Onde tem fervo tem nois, onde tem fogo há fumaça.

É desse "jeitim" que é, seleciona as mais top,
Tem 3 porta, 3 lugares pra 3 minas no Veloster
Se quiser se envolver, chega junto vamo além
Nois é os pica de verdade, hoje não tem pra ninguém.

Nois mantem a humildade,
Mas nois sempre para tudo
E os zé povinho que olha, de longe diz que absurdo.
Os invejoso se pergunta, tão maluco o que que é isso,
Mas se perguntar pra nóis, nóis vai responder churisso,

Só comentam e critica, fala mal da picadilha
Não sabe que somos sonho de consumo da tua filha.
Então não se assuste não, quando a notícia vier a tona,
Ou se trombar ela na sua casa,
Em cima do meu colo, na sua poltrona.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

O verdadeiro hedonismo

"É mais feliz aquele que consegue viver sem grandes sofrimentos do que o outro que vive cercado de alegria e prazeres [...] o tolo vive perseguindo a alegria da vida e acaba ludibriado, enquanto o sábio evita o mal." (Schopenhauer)

A vida simples é boa!
Vida simples é boa         O hedonismo é uma das concepções éticas. A frase acima representa bem o espírito desta concepção que tem o prazer como finalidade da vida, afirmando que toda ação, para ser boa, deve ser prazerosa. EPICURO, filósofo grego, dizia que evitar o mal é evitar a dor e, consequentemente, ter prazer. Esta não-ação, se evitar o sofrimento, já será motivo de prazer, pois este está, não na alegria de uma ação, mas na tranquilidade e serenidade. Quem busca prazeres carnais, por exemplo, pode encontrar sofrimento ao invés do verdadeiro prazer, como é o caso da pessoa que bebeu, sofreu vomitando e jurou jamais beber novamente. Conhece alguém que já fez isso? A resposta pode estar em qualquer espelho.

        A dor física também ajudou Epicuro na formulação de seu sistema filosófico. Sofria de pedras nos rins e percebeu que os momentos de maior bem-estar eram aqueles em que estava livre de suas dores. Como o contrário de dor é o prazer, fez o simples raciocínio de que toda ação deve levar a ele.