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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Meus livros: NATÁLIA E OS DOZE

 


Natália é uma adolescente experimentando um profundo vazio existencial que tenta preencher com perigosos desafios lançados na internet. Em uma determinada noite estava entre ingerir comprimidos ou mutilar-se com uma lâmina. Foi dormir com este desafio lançado a si. Acordou em meio à madrugado com um estranho ao pé da cama que a convida para um desafio: conhecer doze sábios. Como num passe de mágica ela surge primeiro na Grécia Antiga, depois é levada para outros lugares por seu amigo Áureo, onde tira de doze mestres lições de bem viver, os vê em ação e, então, vê sua vida transformada cada vez que volta para casa.

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Digital: 

https://www.amazon.com.br/dp/B076YJ8453

Impresso:

https://loja.uiclap.com/titulo/ua163515



terça-feira, 12 de novembro de 2024

RUSSELL E RUSSO

 Brethant Russell foi o outro filósofo, além de Rousseau a ser homenageado por Renato Manfredini Júnior quando escolheu incluir o sobrenome Russo em seu nome artístico. Foi um pensador a frente de seu tempo abraçando causas tais como o ECOcentrismo, ideia que coloca o meio-ambiente no lugar do ser humano como centro de tudo, que por sua vez se tornaria apenas parte integrante de algo maior, que lhe supera, o chamado ecosistema. 

Outra característica marcante do filósofo foi o fato de ter sido um PACIFISTA, inclusive rasgando sua carteira do partido trabalhista quando este partido deu aval para a ida de tropas lutar no Vietnã. Além disso, foi contrário às duas guerras mundiais e um opositor da construção da bomba atômica. 

Estas duas característica, porém, não o fizeram tão radical no que se refere a política ideológica. Suas lutas estavam sempre mais ligadas a causas. Algumas de suas participações políticas foram divergentes e até antagônicas em alguns casos, pois foi ora socialista, ora liberal, ora trabalhista, nunca esteve profundamente enraizado em nenhuma destas tendências.  

Com estas características: ecocêntrico, pacifista e volátil em termos de políticas partidárias (sem apego a elas), fica fácil imaginar porque Renato Russo se identificou com este filósofo... Provavelmente não foi pelo fato de Russell ser um grande matemático, uma vez que esta, pelo que se sabe, não fazia parte das matérias preferenciais de Renato.

Letras como "Angra dos Reis" trazem esta preocupação com a natureza, de colocar o ecocentrismo acima dos desvarios humanos e sua ganância. Já o pacifismo é outra característica bem marcante na obra de Renato Russo, aparecendo em canções como "Soldados" e "Canção ao Senhor da Guerra"

Quanto a política, assim como Russel, o Brasileiro era mais ligado a causas e denunciador de injustiças e maus feitos... Não era ligado a grupos partidários. O viés político ativo e não eminentemente partidário aparece em mais de uma dezena de canções, várias delas políticas, tais como "Perfeição", "Que País é Este!", " Metal Contra as  Nuvens" e "Teatro dos Vampiros", para citar alguns. Além disso, sua verve anárquica (sem apego a segmentos ideológicos) aparece em cores vivas em canções como "Gerarão Coca-Cola ". 


O ECOCENTRISMO

Angra dos Reis foi escrita num período em que a construção de usina nuclear na cidade de Angra do Reis estava em pauta e a discussão sobre os problemas ecológicos que poderiam advir deste tipo de construção para obtenção de energia estava em voga em todo o mundo, pois o desastre de Chernobyl acontecera havia pouco tempo do lançamento da canção. Esta angústia com o tema fez Renato Russo escrever:

"Mesmo que as estrelas começassem a cair

E a luz queimasse tudo ao redor

E fosse o fim chegando cedo

E você visse nosso corpo em chamas

Deixa pra lá"


Em "Fábricas" ele afirma:


"O céu já foi azul, mas agora é cinza 

E o que era verde aqui já não existe mais

Este ar me deixou minha vista cansada

Nada demais"...


Se percebe claramente a denúncia de uma ganância exploratória tanto contra o meio ambiente, quanto em torno da condição de trabalho humano em prejuízo a ambos.

Os versos irônicos "deixa pra lá" (Angra dos Reis) e "nada demais" (Fábricas) demonstram o incômodo de Renato Russo com a postura comodista que as pessoas se colocam diante destas questões que lhe são prejudiciais.

Essas canções são apenas exemplos, dentre muitas outras citações em outras canções desta verve do artista em torno do ecocentrismo e sua preocupação com o meio-ambiente. Também estava presente como lhe preocupava a forma como as pessoas colocavam a ganância acima da preservação do meio-ambiente e da saúde das espécies. 


A POLÍTICA ATIVA APARTIDÁRIA 

Do ponto de vista da política tradicional, afora seu desprezo pelas tendências fascistas, Renato Russo apresentava uma certa distância, mas extremamente político do ponto de vista de defensor de causas e das ações personalisticas, sempre guiado pela ética, ciência que as pessoas costumam relacionar apenas à corrupção monetária.  Em Renato Russo a ética ganha contornos mais abrangentes. Para ele toda ação se torna questão ética e com isso política. As relações amorosas, por exemplo, por mais íntimas que sejam  não deixam de ser políticas, uma vez que ambos os relacionantes são inseridos no meio social e, mesmo entre eles está estabelecido uma espécie de contrato do não engano, do respeito e outras definições próprias dos relacionamentos amorosos, tornando algo que é próprio de duas pessoas em um movimento que não deixa de ser político.

Se não há contradição na exigência da ética nas ações, sendo sua guia mestra, elas aparecem na obra de Renato Russo quando se trata de definições como a tendência política dos agentes políticos e suas idiosincrasias, tal como aconteceu na trajetória de Hussel. Em 1989 Renato manifestou em entrevista seu desejo em votar em Roberto Freire, então comunista (PCB) e se mostrava incomodado com o fato da pregação em voto útil em outros candidatos da mesma tendência de esquerda, uma vez que esses outros possuíam mais chances de vitória sobre os representantes da direita. Ao mesmo tempo em que declarava voto em um comunista, declarava-se capitalista numa outra entrevista, ou seja, o voto estava lincado ao seu gosto pessoal e não quanto a ideologia que o candidato representava. Renato parecia não acreditar muito nos discursos políticos como um indicador sincero das ações dos futuros governantes. De certa forma, ele acertou em termos, pois o candidato vencedor, Collor de Mello, usou entre outros argumentos para vencer a eleição, que seu oponente de segundo turno, Lula, iria bloquear a poupança. No primeiro dia de governo foi ele quem fez isso, o que motivou  Renato Russo escrever "Metal Contra as Nuvens". Aliás, esta visão de não apego a tendências partidárias, mas apegado e compromissado  às causas que julgava mais justas aparecem nos primeiros versos da cancão, que afirma por si próprio saber sobre o que lutar, ao lado de quem, sem ser um simples seguidor de um grupo guiado por alguém, postura que é na forma um gesto fascista, mesmo que o conteúdo não o seja:


"Não sou escravo de ninguém 

Ninguém senhor do meu domínio 

Sei o que devo defender 

Por valor eu tenho e temo

O que agora se defaz".


É bom frisar aqui que o discurso liberal do então candidato vencedor esteve presente nos seus dois anos de governo, o que mostra que a ligação ideológica em regra acompanha o discurso, algo que Renato parecia não confiar. Acontece que um governo na democracia, não raro tem que compor com ideias que diferem um pouco do partido no poder e ceder tem sido uma prática dominante nos governos. Talvez essa volatilidade tenha contribuído para a desilusão de Renato Russo quanto à crença nas ideologias. Sua ideologia era o fazer ético. 

E o que deve ter indignado o autor nesta questão em particular foi o fato do candidato vencedor dizer que o oponente iria fazer algo que ele próprio estava pensando em fazer caso vencesse a eleição. Por ser uma medida extremamente impopular, não teve coragem de colocar sob análise do eleitor, antes, preferiu mentir, afirmando que o outro faria. A mentira ajudou a se eleger e depois de eleito, sem que precisasse mais do voto, implantou a medida. E isto está muito longe da ética pregada por Renato Russo. Aliás, nos tempos vindouros, com as redes sociais, a faikes news se tornaram mecanismos importantes utilizados por muitos políticos antiéticos e têm motivado muitos debates. Assim, podemos perceber, Renato Russo novamente aparece atualíssimo nos assuntos a que se dispunha a defender.

Uma curiosidade se apresenta no instrumental... Fazendo jus ao nome, a canção imita uma dessas tormentas de verão. Começa com um ritmo calmo, como se mostra um céu límpido; depois avança, como se nuvens se aproximassem e, de repente, a pancadaria dos raios e trovões, para depois voltar a calmaria. Imita a vida, seja pessoal ou social, com suas idas e vindas, tormentas e posterior calmaria. Sempre na esperança de que dias melhores melhores virão, tal a sensação deixada por cada calmaria depois das tormentas. Então, surgem os versos finais imbuidos desses sentimentos:

"E nossa história não estará pelo avesso assim

Sem final feliz

Teremos coisas bonitas para contar.

E até lá vamos viver

Temos muito ainda por fazer

Não olhes pra trás 

Apenas começamos 

O mundo começa agora

Apenas começamos..."


Em outras canções aparecem outras características importantes no discurso político de Renato Russo e incluir a todos como responsáveis pelos destinos da sociedade e não somente os agentes políticos é uma dessas características. E assim coloca em "Que País é Este!":

"Nas favelas, no Senado, 

Sujeira pra todo lado

Ninguém respeita a constituição"...

A desilusão é geral e apresenta os políticos como uma mera representação ou espelho da sociedade em geral. 

Repete a fórmula em "Perfeição", desta vez de forma mais abrangente, nomeando os diversos maus feitos e delitos sociais em suas diversas camadas, tais como os praticados por estupradores e ladrões, além de apontar sua própria responsabilidade no verso em que pede perdão pela "estupidez de quem cantou esta canção". A diferença de uma canção para outra é que Perfeição termina indicando a  esperança, depois de tantas ironias, talvez uma vazão à sua verve platônica, assunto reservado para um outro tópico adiante. Este final anuncia:

"Venha, o amor tem sempre aberta

E vem chegando a primavera

nosso futuro recomeça

venha que o que vem é perfeição."

Já  que Platão está posto para outro momento adiante, por enquanto podemos nos ater a Immanuel Kant, que afirmava existir no ser humano uma consciência imanente do que é certo e errado em se fazer. Deste modo, basta que todos ajam conforme os mandamentos e preceitos estabelecidos por esta razão universal existente na consciência para que tudo funcione como relógio e daí surja a perfeita sociedade. Por exemplo, se uma pessoa sai para caminhar com seu cachorro de estimação e limpa a sujeira que o cachorro vier a fazer e todos os outros cidadãos com seus animais fizerem o mesmo por dever de consciência e respeito para com a cidade e os demais habitantes, passaríamos a viver em uma sociedade perfeita, como sugere o título da canção. Tal e qual Immanuel Kant, Renato apela para esta consciência coletiva como meio de se construir a perfeição, o problema é que esta proposta, como as melhores já lançadoas, necessitam de uma consciência coletiva abrangente em detrimento ao individualismo que as pessoas em geral não estão propensas a seguir, ignorando a máxima "disciplina é liberdade".


O PACIFISMO

Com canções como "Soldados" e "Canção ao Senhor da Guerra", Renato Russo demonstrou todo seu repúdio às guerras, como manifestado em Bertrand Russell. 

Em "Plantas Embaixo do Aquário" termina com a frase "não deixe a guerra começar", repetidas vezes como um mantra. Porém, inicia com "provoque o desempate", numa alusão de que a apatia também não é uma solução viável frente à vida. Todavia, este processo de desempate, além de constante, deve ser um movimento como o das plantas colocadas na parte baixa do aquário, com harmonia e equilíbrio. Você já percebeu como se movimentam estas plantas?

Hegel, filósofo alemão, afirmava que as coisas surgem com a tese, depois a antítese, que é uma tese alternativa, para daí surgir uma síntese. Esta síntese cria uma nova tese, e dela uma nova antítese e, com isso, outra síntese se estabelece... assim sucessivamente. Este conjunto de sínteses, embora nascidos dos conflitos entre tese e antítese, podem ser resolvidos em movimentos harmônicos, tais como o diálogo, por exemplo, e cedências de parte a parte. É como plantas no fundo do aquário. 

A guerra em si, para Renato Russo não é viável como meio de desempate que ele prega na canção... Primeiro porque a guerra já vem com interesses escusos e programados para acontecer. Existe apenas a tese, a antítese é ignorada e a síntese é o massacre de inocentes, geralmente jovens que são convencidos a lutar pelos mais variados motivos, seja patriótico ou religioso, os mais comuns. Quando não convencidos são obrigados. 

Dentro do espectro da conquista pela força, tem a questão do terrorismo, outro tema recorrente nas canções de Renato Russo. Aqui o terror aparece por vezes em sua forma tradicional, como a lembrança de um grupo terrorista da Alemanha dos anos 1970 em Baader-Meinhof Blues, outras vezes, como em A Fonte, vem lembrando as chacinas de crianças e adolescentes, outras ainda através do descaso do Estado para com seus doentes e idosos, tal como aparece em Mais do Mesmo, bem como é lembrado nos ataques a mulheres e homossexuais, duas de suas causas mais caras, em A Dança.

Assim, guerra e terrorismo são ações que fogem do escopo das boas relações humanas e nada os justificam como alternativas. Nem a conquista territorial, nem a religião, nem o patriotismo, nem ideologia... Em nada se assemeham aos movimentos das plantas nos aquários.

Chegamos então aos três conceitos que aproximam Renato Russo de Bertrand Russell: a preocupação com o meio-ambiente, o pacifismo e a forma de encarar a política por meio de causas, tendo por bússula a ética. 

sábado, 6 de janeiro de 2018

FILOSOFIA DO DIA: 06 DE JANEIRO



06 DE JANEIRO


Resultado de imagem para frases de kierkegaard        Hoje a tradição católica celebra o dia dos reis magos. A tradição conta que três reis saíram do oriente seguindo uma estrela, para certificarem-se de que a profecia sobre o menino que iria nascer era verdadeira. Na verdade, eles já sabiam…, senão, por que sairiam enfrentando os perigos do caminho longínquo a ser percorrido se não tivessem certeza sobre a profecia? A isto chamamos fé!

Kierkegaard afirma que as pessoas podem atingir três estágios: o estético, o ético e o espiritual. O estágio estético faz-nos preocupar mais com as questões menos complexas, que alguns chamariam de fúteis, como a aparência, por exemplo. O estágio ético nos coloca diante de situações mais complexas e reflexivas, que exigem de nós posições e atitudes diante dos desafios. O estágio espiritual é o mais avançado, pois exige que cada um mergulhe em si mesmo, deixando por um tempo o mundo, atingindo a plena liberdade.
Há pessoas que vivem apenas o estágio estético, outras chegam a atingir o estágio ético e, outras poucas, o estágio espiritual, como os reis magos.

A fé é o instrumento que nos coloca no estágio espiritual. Normalmente, ligamos a ideia de fé ao divino, ao transcendente; mas a fé pode ser em nós mesmos, na nossa capacidade e vontade. Somente os livres e espiritualizados, como os reis magos, possuem o privilégio de se lançar a caminho.

Apenas o homem espiritual é livre.


DICA DO DIA: Tenha fé em seus projetos.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

FILOSOFIA DO DIA 03/01



03 DE JANEIRO


Você já jogou algum papel ou qualquer outro objeto pela janela do carro? Fez de conta que não viu seu cachorro evacuar na calçada para não ter que limpar? Disfarçou que estava dormindo num coletivo para não dar lugar à uma senhora?...

Resultado de imagem para FRASES DE KANT
Não fique corado... Não precisa disfarçar, pois não há julgamento aqui.

Fica a pergunta: O que é certo e o que é errado?

Kant apresenta uma solução: 
Agir segundo a consciência sempre. O que serve para um, serve para todos; assim, se eu não quero que sejam rudes comigo, eu não posso ser rude com os outros. Se aprecio gentileza, devo ser gentil com os outros.

DICA DO DIA: Faça a sua parte!

domingo, 13 de novembro de 2016

NIETZSCHE E O BEM VIVER


VIVER É SENTIR

"...E se virá
Será quando menos se esperar
Da onde ninguém imagina
Demolirá
Toda certeza vã
Não sobrará
Pedra sobre pedra..."

(A Cura - Lulu Santos)



              Nietzsche expôs para os alunos uma pequena perereca que havia capturado em um banhado próximo da escola. Alguns alunos próximos levaram um susto ao avistarem o animal saltar, provavelmente em busca de um local onde se sentisse mais confortável.

              - Por que salta e se esconde a perereca? – Perguntou Nietzsche.

              - Está assustada com nossa presença, por certo – Respondeu um dos alunos.

              - A perereca, aqui, está em seu ambiente natural? – Voltou a perguntar.

              - Nãaaaaaaaaao! – Responderam em coro.
       
              - Pois bem, jovens, ouçam o que eu tenho a dizer. – Continuou Nietzsche – Nós somos como esta perereca nesta sala, pois vivemos fora do lugar. Desde que Sócrates impôs ao mundo uma forma de viver invertida é que nós nos pusemos presos a regras e conceitos que nos deixam infelizes, amargos, tristes e diminuídos em nosso potencial. O racionalismo e, sobretudo, o cristianismo, com sua ética torta e virtudes controversas, obrigam a todos a viverem contrariamente à nossa natureza...

              - E o que a perereca tem a ver com isso – Perguntou outro aluno, levantando o braço.

              - Bom, nesta alegoria, eu, ao tirá-la do habitat, sou a moral racionalista e cristã que obriga a perereca a viver num ambiente que não é o seu, as pessoas são a perereca, o banhado é a emoção e, a sala de aula, a razão. A perereca vivia bem no banhado, mas eu a tirei de lá e a trouxe para a sala de aula, um ambiente hostil a ela. Comparando, estou demonstrando que a moral racionalista e cristã obrigam as pessoas a viverem num ambiente que não é seu. Bom seria viver segundo a emoção, que é onde estão as nossas verdadeiras virtudes.

              - Por que dizes que é na emoção que estão as verdadeiras virtudes – Perguntou um terceiro aluno.

              - Por que a emoção não nos obriga a fazer o que não queremos, nem nos culpa quando fazemos algo que queremos. A razão nos impõe culpa quando isto acontece, seja por fazer algo ou deixar de fazer, porque possui regras que limitam nosso potencial humano e nos impõe obrigações...


              Percebendo que os alunos estavam ainda confusos, Nietzsche resolveu contar-lhes uma história.

              - Vou dar-lhes um exemplo: Um homem ia se despedir de um amigo numa outra cidade, porque este partiria para uma terra distante. Acontece que encontra outro homem, conhecido seu, já morto à beira do caminho. A consciência social, ou a norma vigente é a de que o morto deva ser enterrado no túmulo da família que se encontrava em sua cidade e cabia a quem o encontrasse levá-lo até lá. Nosso caminhante se viu num dilema: Cumprir com sua missão junto à sociedade, voltando o percurso e atrasando a viagem, agindo assim conforme manda as normas sociais arriscando nunca mais ver o seu amigo; ou ignorar o homem morto e seguir caminho. Sua consciência fez com que levasse o homem morto nas costas até a família. Isto de fato atrasou a viagem e tirou dele a possibilidade de se despedir do amigo e não mais o veria. O que vocês pensam, agiu com correção o homem?

              Os alunos assentiram afirmativamente meneando a cabeça. Não houve entre eles exceção alguma, então Nietzsche voltou a falar:

              - Nesta história, devo adverti-los, não está registrado o sentimento do homem. A perda da oportunidade de se despedir do amigo causou nele ódio, repulsa, tristeza, amargura... Cumpriu com os valores postos em sua consciência, mas e quanto à sua felicidade? Alguns podem dizer que a felicidade está no fato de ter cumprido sua missão junto ao morto e sua família, mas é uma felicidade falsa, pois não foi uma decisão livre, mas obrigada pela consciência.

              Ao terminar de falar, tocou o sinal de fim de aula. Então liberou os alunos e foi catar a perereca num canto da sala a fim de devolvê-la ao seu habitat. Pensava consigo: “Desculpe amiguinha o medo que lhe impus. Mas não se vitimize tanto, a humanidade vive isso desde que criou normas e regras racionalistas. Não se preocupe, vou devolvê-la ao banhado”.
          
              Foi quando olhou para a porta e viu que seu amigo, Pe. Schuler, entrara na sala carregando sua grande batina preta. Aproximaram-se e o abraço fez Nietzsche ficar escondido dentro da batina e do abraço.

              - Veio se confessar? – Perguntou Nietzsche provocando o amigo.

              - Na verdade sim. Uma paroquiana vem me assediando há tempos e estou propenso a ceder à tentação. Não sei mais o que fazer, pois tenho que cumprir os votos que fiz a Deus.

              - Eu resolveria isto fácil, bem sabes, pois não acredito em Deus. No entanto, tu acreditas e devo respeitar isso. Devo dizer-te algo: teu voto não foi para Deus, foi para a igreja e os homens. Afinal, teu Deus proíbe o sexo? – Perguntou Nietzsche.

              - Lógico que não. – Respondeu o padre

              - Então, se o teu voto de abstinência de sexo foi para Deus e ele não o proíbe, por que proíbes a ti mesmo o que Deus não proíbe, dizendo que o fazes em nome Dele? Não faz sentido algum. O voto é um peso que Deus, caso exista, certamente não quer que carregues, pois um Deus verdadeiro haveria de querer-te feliz e não frustrado. Provavelmente, este Deus não exigiria louvores e obediência, do contrário seria um Deus mau. Já te disse em outras oportunidades: Desconfio de um Deus que não dança. – Concluiu Nietzsche.

              - A velha história do homem que carrega outro já morto nas costas... – Analisou o padre – Ainda a contas aos alunos?

              - Sim. Acabei de contar a eles. – Confessou o professor.

              - vejo que está com a perereca também...

              - Estava agora indo ao banhado devolvê-la ao seu lugar. Lá ela é feliz.

              - Quer saber – respondeu o padre – penso que tens razão...

              - Não – corrigiu Nietzsche brincando – Eu tenho emoção...

              Então, o padre, num gesto teatral e para espanto do incrédulo Nietzsche, tirou a batina e saiu porta afora nu e gritando: “Eu sou livre! Eu sou livre!”




LIÇÃO DO MESTRE


A grande contribuição de Nietzsche foi mostrar as incompatibilidades da moral vigente em sua época e desnudar a hipocrisia. Foi crítico do racionalismo e do cristianismo, por observar em suas normas verdadeiras prisões, pois não via valor nas virtudes idealizadas por estas vertentes, porque elas impediam as pessoas de serem felizes, uma vez que impunham culpa, desespero, mágoa, obrigação... Defendia a volta dos valores dionisíacos, representado pelo deus Dionísio e seus valores vividos na antiga Grécia. Em outras palavras, viver conforme querem os racionalistas e cristãos é podar todo o potencial humano; o controle da emoção, neste caso, é maléfico à felicidade humana. Assim, perde-se a liberdade em nome de uma consciência coletiva, apequena-se em nome de uma bondade falsa e hipócrita. Deixa-se de fazer o que se quer por medo do castigo de um Deus que exige louvores e sacrifícios. A questão não é se existe Deus, como afirmou ao dizer: “Deus está morto”, mas o fato de que este Deus castiga, humilha e cobra louvores. Ao dizer: “Desconfio de um Deus que não dança”, Nietzsche expõe a sua contrariedade. Isto pode nos levar a pensar: Por que Deus iria querer que vivêssemos pesadamente em virtude do outro, compromissado em seguir normas que não se adequam ao bem viver humano? Talvez a resposta esteja na chamada vida eterna, onde o sofrimento aqui geraria recompensa posterior. Neste caso, por que apenas a partir do racionalismo e da vinda de Jesus passou-se a valer tal disposição? Por que depois de milhares de anos é que Deus procuraria o homem para uma aliança, já que antes as civilizações eram politeístas e viviam sem este Deus? A resposta, talvez, seria uma intervenção de Deus na humanidade por conta dos desvios desta, segundo afirmam a Bíblia e os cristãos. Então, porque a intervenção de Deus não resolveu os problemas com estes desvios, já que hoje ainda impera a maldade ou, pelo menos, não menos do que havia antes? Por isso Nietzsche propõe que voltemos a viver livremente, segundo nossas emoções, pois viver segundo a razão é contrariar-se a si mesmo.




Na pista do Dj Nietzsche


Nietzsche valoriza a emoção e nos convida a destruir o ideário racionalista, então, propõe celebrar a vida através da emoção.

Começaria mostrando as garras com a música “Sereníssima” que diz: “sou um animal sentimental me apego facilmente ao que desperta o meu desejo, tente me obrigar a fazer o que não quero e você vai ver o que acontece...”

Depois haveria a celebração da vida com muita dança. A vez seria dos Menudos cantando “não se reprima, não se reprima...” e do grupo Dominó cantando “Companheiro, companheiro vem, vem no balanço do mar, vem depressa vem, é tão gostoso dançar...”

Madonna seria a atração internacional cantando músicas como “Like a Virgen” e “American Pie” que diz: “Você escreveu o livro do amor? E você tem fé em Deus se a Bíblia mandar? Agora, você acredita em Rock’n’Roll? A música consegue salvar sua alma? E você pode me ensinar a dançar bem devagar?” e finaliza dizendo: “Os bons e velhos rapazes estavam bebendo uísque e rye cantando ‘é neste dia que eu morrerei... Começamos a cantar.”  

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

O Banquete: Um diálogo possível sobre Ética

AGATÃO: Este banquete tem como tema a questão ética e proporei como texto de estudo a música Faroeste caboclo, para que, a partir das situações vividas pelos personagens, possamos debater segundo as convicções dos senhores que se fizeram adequadas.

(Os pensadores ouviram a música)

E leram a história (letra)


ROUSSEAU: Encontro minha filosofia nesta narrativa. Acredito que o homem nasce bom e a vivência em sociedade o corrompe, porque desperta um desejo de competição que o leva a atitudes mesquinhas e pequenas. O primeiro verso deixa claro esta condição primitiva de bondade, pois não ter medo significa, nesta situação, não conhecer o mal. A morte do pai despertou em João de Santo Cristo um ódio pela vida e a visão de que todos eram seus inimigos. Esta inimizade, na humanidade, começou quando um primeiro cercou um pedaço de terra e disse: “isto é meu!” e não houve ninguém com suficiente clareza para arrancar aquelas cercas. A partir daí cada qual passou a defender o que é seu, vizinhos se desentenderam, países guerrearam...

HOBBES: Falas, caro Rousseau, como se esta competição tivesse sido induzida por um fator externo, como o tiro que matou o pai do rapaz, por exemplo. Negativo! Estes sentimentos nascem conosco, pois não diferimos dos outros animais nesta questão. Digo que o homem é lobo do homem! Ao contrário do que dizes, o homem é naturalmente mau e a sociedade é quem cria mecanismos para educá-lo na virtude. João de Santo Cristo teve chances, quando criança e quando adulto, mas teimou sempre em ser lobo.

SÊNECA: Tudo seria muito mais tranquilo se João de Santo Cristo não lutasse tanto contra o seu destino. Ele viveria muito mais feliz se deixasse as coisas acontecerem naturalmente. A aceitação de sua condição, no mínimo, lhe traria paz para viver decentemente, trabalhando e, talvez, formando uma família.


AGOSTINHO: Faltou a todos os personagens a opção por Deus. A boa ação é aquela que nos aproxima de Deus e a má ação aquela que nos afasta Dele. Onde falta Deus brota o mal.





SARTRE: Penso que Rousseau e Hobbes erram quando falam em essência humana, pois primeiro existimos e a nossa essência - aquilo que somos - se forma a partir de nossas escolhas, o que quer dizer que não temos nenhuma natureza pré-existente, boa ou má. Também não existe destino como diz Sêneca, nós é quem o fizemos. E Deus, mesmo que existisse, não interferiria em nossas ações, porque somos condenados a ser livres.  Sozinho fiz o mal, sozinho inventei o bem. Não temos a quem culpar por nossas ações, pois somos pautados pela liberdade. Os personagens da história em questão agiram livremente, fizeram suas escolhas e suas ações não podem ser atribuídas a fatores externos, pois estes podem influenciar, mas jamais determinar as decisões pessoais.

AGOSTINHO: É o que chamo de livre-arbítrio dado por Deus, nós escolhemos entre o bem e o mal, como Adão e Eva...

SARTRE: É um contrassenso o que dizes. Uma liberdade pautada por uma força superior não é liberdade. Como posso ser livre se tenho que fazer a vontade desta força? Não existe meia liberdade. Não se pode ser meio livre, como não se pode ser meio morto.

NIETZSCHE: E olha que nem é a vontade deste Deus inventado, mas a vontade da Igreja de Agostinho que, influenciado pelas ideias racionalistas de Platão, teorizou um modo de amarrar as pessoas às normas e regras de conduta que atentam contra a natureza humana. Passaram a tudo proibir. Estamos condenando os personagens desta história sob a batuta destas regras estúpidas. Devo admitir que Maria Lúcia é a personalidade mais fraca, não pelas razões anteriormente expostas pelos colegas de banca, mas pelo fato de que ela vivia ao sabor dos desígnios dos outros personagens, não tinha amor próprio. Por outro lado, era justo o ódio de João de Santo Cristo e ele viveu intensamente até conhecê-la, entregando-se aos ditames da sociedade moralista, como formar família, com empreguinho e casamento.

HOBBES: O que estás a propor, caro Nietzsche, é a barbárie!  Como disse anteriormente, nascemos maus e se não houvesse uma lei e uma obrigação moral que regulasse as ações cada qual agiria conforme seu bem entender, sem qualquer controle.

NIETZSCHE: O problema é justamente o controle. A única lei a ser seguida deveria ser a lei natural, a lei do bem viver.


EPICURO: Bem viver é justamente o que faltou aos personagens. Como o fim último da vida é buscar o prazer através da tranquilidade da alma e da serenidade, devo concordar com Sêneca quando diz que João de Santo Cristo deveria esquecer o fato da morte de seu pai, a princípio, através do exercício do perdão. A agonia da cena guardada em seu coração se estendeu por toda a vida. Além do mais, ele desejava demais, quando poderia ser feliz com o que tinha e onde vivia.

NIETZSCHE: Perdão e piedade são para os fracos. O moralmente forte age segundo sua natureza. O ódio de João de Santo Cristo era justificável. Controlar os sentimentos é ir contra a lei natural e fraudar o que é puro.


ARISTÓTELES: Pois penso que a função da razão é justamente dominar as inclinações e as paixões. O bem viver é viver com equilíbrio, pois a virtude está no meio. Há duas formas de falhar: por excesso ou falta. Duelar com Jeremias não foi um ato de coragem - que seria a virtude – mas um ato temeroso – o vício por excesso.  João agiu emocionalmente pela ira. Jeremias, por sua vez, praticou a covardia ao atirar pelas costas – o vício por falta, falta de coragem.


SÓCRATES: Só se erra por ignorância. O ser moral é o ser de conhecimento. Praticar o conhecimento é o bem agir. Os personagens em questão viveram à sombra de suas crenças, não procuraram a razão e nitidamente sofreram muito durante suas vidas. Seu conhecimento era, portanto, precário de verdade e sabedoria...


PLATÃO: Típico caso, se me permite o mestre interromper, de pessoas que vivem nas sombras da caverna. O medo do desconhecido os impediram de sair para fora e conhecer o verdadeiro mundo. Enquanto a alma era pura, como diz a música, João de Santo Cristo não tinha medo, o que equivale dizer que não conhecia o mal. O corpo, que habita o mundo sensível das aparências e enganos, através das experiências contaminou a alma, até então pura.


PROTÁGORAS: Pois penso que cada personagem vivenciou sua experiência, conforme sua ética, seu modo de pensar e sua percepção particular de mundo. Assim como cada qual aqui está julgando segundo o que acredita ser certo ou errado. O mundo existe conforme a visão de cada um e a vida e modo de viver se deu conforme as escolhas dos personagens. Quem disse que João ou Jeremias queriam vida e fim diferentes? Trocariam a curta vida que tiveram por uma vida longa sem emoção?


JONH STUART MILLS: Toda ação deve culminar em felicidade ao maior número possível de pessoas, mas tem que obrigatoriamente ser útil, pois os fins justificam os meios. Não vejo benefício algum, nem para os personagens, nem para a sociedade as decisões tomadas pelos personagens da música. O único momento de boa decisão foi quando João de Santo Cristo resolveu trabalhar, constituir família com Maria Lúcia. Eles pareciam felizes e a sociedade ganhou com ele vivendo segundo as regras dela.


IMMANUEL KANT: Penso de forma contrária a Stuart Mills. Para mim não importam os resultados, mas a intenção do agente moral. Sêneca tem razão quando diz que não está em nossas mãos o controle  dos acontecimentos, pois às vezes queremos produzir algo e sai outro diferente. Temos culpa? Respondo que não, porque neste caso a intenção era boa. O final da música revela a intenção de Santo Cristo e era uma intenção boa, humanitária, que visava o bem social. Durante a música percebe-se que Santo Cristo sempre tenta fazer o melhor, mas algo sempre o desvirtuava do bom caminho.

NIETZSCHE: De boas intenções o inferno está cheio. O “bom caminho” que você se refere é o caminho dos padres, pastores e racionalistas. Gostam do Santo Cristo cordeirinho, enquadrado nos ditames de suas regras estúpidas que fazem as pessoas trocarem o bem viver pela prisão que estas normas e regras impõem.



DESCARTES: Como racionalista devo dizer que as paixões só levam a enganos e torturam a consciência. Concordo com Agostinho quando afirma que Deus e a Sua vontade são o direcionamento, a rota a seguir, pois ele é o Supremo Ser Pensante. Também concordo com Sócrates no que se refere ao conhecimento e a razão como elementos guias das ações.



DIÓGENES: Certa vez me perguntaram se a vida é um mal e eu respondi que não, que mal era viver erradamente. Os personagens desta música, por exemplo, de um lado, rejeitavam viver conforme as leis da sociedade, mas de outro, se assemelhavam a esta mesma sociedade no que ela tinha de mais nefasto: o sonho do poder e da riqueza. Viveriam mais felizes se vivessem conforme um cão, que não tem essas preocupações humanas. Basta-nos para viver bem, a quantidade diária suficiente que cabe num prato. Além do mais, os personagens homens brigaram por amor de uma mulher e, pior, morreram por este motivo; isto é viver erradamente! O casamento é uma convenção social absurda, porque o amor deve ser naturalmente livre.



PASCAL: É mais fácil suportar a morte se não pensar nela. O agir emocional dos personagens parecia indicar que a estabilidade e proteção da vida não eram as prioridades, mas vivê-la intensamente. O coração tem razões que a própria razão desconhece, pois ao intelecto não é admitido tudo conhecer. No entanto, faltou a eles equilíbrio entre a razão e a emoção. As razões do coração falaram mais alto para estes personagens na maior parte da narrativa. Somente quando João se propôs ao casamento e viver do trabalho é que voltou-se para a razão, unindo o racional ao emocional, pois através do amor, um sentimento, moveu-se racionalmente, dando sentido ao seu existir ético.


HUSSERL: Concordo com Protágoras quando diz que as vivências variam conforme as experiências de cada pessoa. É difícil colocar-se na posição de outra pessoa sem que antes se tenha vivido o que esta pessoa viveu. Os personagens se construíram com o passar do tempo, cada qual com sua visão de mundo e sua experiência fenomenológica. Diante disto, da impossibilidade de uma avaliação segura das motivações que levaram os personagens a agirem como agiram, nos resta confiar, conforme afirma Kant, na intenção como meio seguro, pois mesmo que não a conheçamos, já que ninguém conhece a intenção de ninguém, ela existe no interior de cada um. No caso exposto na música, não posso avaliar com segurança, já que não vivi suas vidas, mas a impressão é de que João tinha esta boa intenção, assim como Maria Lúcia.



HEGEL: A ética está umbilicalmente ligada à história e à cultura de um povo, sendo a moral resultado da interação do indivíduo com as relações sociais e as instituições. Partindo deste princípio, penso que os personagens agiram na contramão da ética vigente, contrariando a sociedade na maior parte da narrativa. Mesmo quando João tentou se adequar aos ditames sociais com o casamento em nome do amor por Maria Lúcia, foi inseguro em suas intenções e frágil enquanto caráter, pois sucumbiu à primeira dificuldade. Maria Lúcia, por sua vez, não agiu como uma mulher de seu tempo que já apresentava um contexto histórico de emancipação. Parecia estar nas cavernas em busca do macho mais adequado à sua sua situação de fêmea.



SHOPPENHAUER: O problema moral do homem é o egoísmo, que não o deixa ser bom para com o outro a fim de atingir a justiça e a piedade. Superar o egoísmo é o ato moral bom, pois se cada qual abrisse mão de suas vontades para o bem do outro geraria uma gentileza partilhada. A ética não tem que ter uma norma rígida como afirma Kant, um imperativo que seja universal. Também não deve ser volúvel, baseada em meios exteriores como a cultura ou a história, tal como afirma Hegel. Ela existe no indivíduo com sua prática e suas escolhas. Se este não prejudicar ninguém e for bom com todos estará praticando a boa ação. No caso dos personagens em questão, não percebi esta movimentação para a prática do bem, pois todos agiram egoisticamente. João, ao que parece, procurou a justiça, mas o fez pelas vias erradas, animadas mais pelo ódio e egoísmo, que por justiça ou piedade propriamente ditas.



AGATÃO: Agradeço a presença de todos!