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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

FILOSOFIA DO DIA: 10 DE JANEIRO



10 DE JANEIRO

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Heráclito afirmou que “Deus é o dia e a noite, o inverno e o verão, a guerra e a paz, a abundância e a carência; ele se converte em outro tal qual o fogo misturado aos aromas; ele é a força dos contrários, chamado como melhor agradar a cada um.” 

Tudo, portanto, é divino, pois Deus é a síntese de tudo que existe. Nós somos partícipes da centelha divina e isto nos dá direito de usufruir cada prazer que os sentidos nos dispuserem. Por isso devemos fazer dos sentidos meios de comunicação com o mundo e canal para usufruto das belezas e dos benefícios que o mundo tem a nos oferecer. Como a vida é passageira, cada cheiro, cada sabor, tudo deve ser filtrado, captado e aproveitado. 


DICA DO DIA: Aproveite cada momento como se fosse o último. Aprecie a tudo o que puder dar atenção.

sábado, 8 de outubro de 2016

EPICURO E O BEM VIVER

VIVER É SABOREAR

 Resultado de imagem para imagens  E FRASE DE EPICURO

“Um velho calção de banho
Um dia prá vadiar
O mar que não tem tamanho
E um arco-íris no ar
Depois, na Praça Caymmi
Sentir preguiça no corpo
E numa esteira de vime
Beber uma água de côco
É bom!
Passar uma tarde em Itapuã
Ao sol que arde em Itapuã
Ouvindo o mar de Itapuã
Falar de amor em Itapuã”
(Toquinho)




EPICURO

"As pessoas felizes lembram do passado com gratidão, alegram-se com o presente e encaram o futuro sem medo"




               Epicuro viveu numa Grécia dominada pelos macedônios e a velha democracia ateniense havia ficado para trás. Como não havia o que discutir sobre política, cabia ao filósofo de sua época refletir sobre o valor existencial do ser humano, procurando as melhores formas de viver. Por isso, sua filosofia mirava o dia-a-dia, já que para ele não haveria como mudar o passado e preocupar-se com o futuro era sofrer antecipadamente; do primeiro lembrava-se das alegrias, do segundo, fazia-se tão somente projeções favoráveis. Residia num local chamado Jardim, que também servia de escola para seus ensinamentos, bem ao seu estilo: um lugar tranqüilo, onde se podia cultivar as amizades que, para ele, era a mais completa forma de amor, embora para a maioria das pessoas esta seja através do casamento e da família.

            O filósofo havia passado por mais uma crise renal. As ervas fizeram efeito e as dores por ora não lhe atormentavam tanto. Por isso mesmo, para Epicuro, viver bem significava viver sem dor. Porém, havia consumido toda a erva com a qual se medicava pacificando sua existência e agora deveria ir buscar mais, prevenindo-se para a nova crise renal que provavelmente viria quando menos esperasse.

             A caminho da residência da velha senhora que lhes dava as ervas, Epicuro encontrou um jovem fazendo suas orações à beira da estrada, junto às imagens de alguns deuses. O jovem, ao avistá-lo, foi ao seu encontro:

        - Mestre, fui chamado à guerra e estou fazendo minhas orações junto aos deuses para que me protejam – Disse-lhe o rapaz com certa alegria pela honra de ser agora um soldado.

        - Se estás alegre com o momento, aproveite-o, pois os próximos serão duros. Porém, não perca tempo com os deuses, pois eles não se importam conosco. – Respondeu Epicuro.

              - Falo com os deuses porque estou com medo de morrer na guerra – Confessou o jovem.

          - Também não deves te preocupar com a morte, pois enquanto estás vivo, ela não está presente e, quando morto, já não poderá senti-la, porque não temos mais posse de nossos sentidos. – Ensinou Epicuro.

             - Então, como deverá ser meu futuro? Vou morrer na guerra? Será que voltarei como herói? – Perguntou o jovem.

         - Se ficares preso à preocupação quanto ao destino, esquecerás de viver o presente e isto não é bom. Ao tempo em que estás aqui, orando a deuses que não te escutam, ou preocupado com o destino e a morte que não se fazem presentes, poderias estar com aqueles que ama e gozar de momentos agradáveis com eles. Vá para casa e goze da companhia deles enquanto há tempo, pois talvez não poderás fazê-lo no futuro – Orientou Epicuro.

         Então o jovem resolveu seguir os conselhos do mestre. Enquanto saía, ainda teve tempo de ouvir de Epicuro um último conselho:

          - E faça suas refeições, sempre que possível, de forma moderada para não passar mal; e acompanhada de amigos ou familiares, porque comer acompanhado é mais agradável que comer sozinho...



LIÇÕES DO MESTRE

Epicuro sofria com as constantes dores nos rins por conta de cálculos renais. A dor, portanto, era seu maior tormento. Como parte de sua filosofia era refletir sobre o bem viver, logo desenvolveu a tese de que a vida boa era uma vida sem sofrimento, seja ele físico, psíquico ou qualquer outro que levasse a pessoa a sofrer. Chegou à conclusão de que uma vida feliz e plena era a vida voltada ao prazer; porém, um prazer contido, que apaziguasse a alma e tranquilizasse o corpo. Condenava o exagero, a preocupação com o futuro, o apego às coisas e o medo da morte. A noção de prazer, portanto, tem a ver com a ataraxia, que é o controle dos desejos e os medos, pois controlando os desejos diminuem a necessidade e a ansiedade, exercendo-se o auto-domínio. Menores necessidades criam menos expectativas, levando a pessoa a um contentamento mais constante e uma felicidade duradoura. Assim, Epicuro nos ensina que a felicidade não está nas coisas, mas em nós. Vivia numa residência afastada da cidade chamada de “Jardim”, onde também funcionava sua escola, local de reunião de seus seguidores. Portanto, vivia conforme ensinava, pois afastar-se da cidade representava fugir dos problemas gerados por ela, como o embate político, por exemplo. Assim, afastava-se de tudo que pudesse trazer preocupação, prezava mais a amizade como forma de amor do que o casamento, pois a amizade não trazia a passionalidade e o apego, entre outros problemas, que o casamento trazia. Viver bem, então, tem mais a ver com aquilo que evitamos, do que com aquilo que almejamos como objetivo, pois lutar por um objetivo, de forma obstinada, é uma forma de sofrimento. Epicuro ensina a recordar as coisas boas do passado, a ver o futuro com boas perspectivas, sem deixar de viver o presente, saboreando cada momento como se fosse o último, evitando o sofrimento.



Na Pista do DJ Epicuro

         A calma e a tranqüilidade são os temas frequentes na discoteca do Dj Epicuro.

         Poderia iniciar com “Soul Parsifal” (Alma tranquila), de Renato Russo, que diz: “estive cansado, meu orgulho me deixou cansado, minha vaidade me deixou cansado...”, numa reflexão sobre a vida desejante de alguém que agora se dedica a estar na varanda, fazendo cestos.

          Poderia seguir com Dazaranha e sua música “Vagabundo Confesso”, que diz: “Sou vagabundo eu confesso, da turma de 71, já rodei o mundo e nunca pude encontrar lugar melhor para um vagabundo que um rio à beira-mar...”

         E a festa seguiria com muito reggae, num luau à beira-mar.





segunda-feira, 4 de maio de 2015

Reunião de Filósofos 1 - O Bem Viver


AGATÃO: Sejam bem-vindos caros amigos. Começo o debate perguntando com se dá o bem viver.

ARISTÓTELES: Caros amigos, penso que a vida boa é aquela vivida na virtude e no equilíbrio, sempre em busca da felicidade. A felicidade é o fim que natureza humana visa. Ela se encontra na atividade, pois não está acessível àqueles que passam a vida adormecidos. Ela não é uma disposição. À felicidade nada falta, ela é completamente auto-suficiente. É uma atividade que não visa a mais nada a não ser a si mesma. O homem feliz, basta a si mesmo. Porém, é bom lembrar, não existe felicidade fora da prática da virtude; assim, cada um é feliz na medida em que cumpre a sua missão. A felicidade só resulta do cultivo da virtude.

EPICURO: Concordo que o comedimento seja a forma de bem viver. No entanto, penso a felicidade como algo abstrato, pois não há como quantificar o que é sentido, nem se pode sentí-la o tempo todo. Existe sim momentos felizes, que só se consegue através do prazer. Então, há momentos bons e momentos tormentosos; desta forma é o prazer quem basta a si mesmo e é a melhor forma de ser feliz. E com isso digo que, ao contrário de Aristóteles, não deve ser conquistado o prazer como o amigo diz que deve ser a felicidade, pois o prazer verdadeiro está justamente na tranquilidade da alma, na busca da paz espiritual. Conquistas requerem dissabores e momentos custosos e tormentosos. Não te pareces uma perda  passares tempo demasiado lutando por um ínfimo momento de felicidade, já que para você a felicidade é o fim?  E aquele tempo que passou buscando a felicidade, não seria melhor aproveitado se prazeirosamente vivesse cultivando as amizades, por exemplo? Um descanso, talvez? Lembro-me das dores que os cálculos renais me impingiam. Não há nada pior, nem tão contrária à boa vida, que a dor. Somente livre da dor eu conseguia ser feliz. O extremo oposto à dor é o prazer, então, se a dor é o que há de mais nefasto à boa vida, o prazer deve ser o que há de melhor. Lógico e simples.

ARISTÓTELES: Tem razão o amigo, é um raciocínio bastante simples! O prazer é um meio e não um fim. Ao querer prazer, é a felicidade que se busca. Não te parece, caro Epicuro, que uma mãe escolha passar por todas as agruras da gestação, parto, cuidados, etc, para ter um filho, um indício de que vale a pena momentos de sofrimento para conquistar a felicidade da maternidade? É incompatível com a passividade. Felicidade é ter algo o que fazer, ter algo o que amar e algo que esperar...

 EPICURO: No caso da concepção, caro Aristóteles, é imperativo dizer que tem mais a ver com um processo natural do que propriamente com um modo de viver. Então, o melhor é passar pelo processo da forma mais tranqüila e com o menor sofrimento possível. Tanto menos sofrível, mais prazeroso será no caso de a vocação paterno-maternal aparecer com força e decisão. Devo dizer que só há um caminho para a felicidade: não nos preocuparmos com coisas que ultrapassam o poder da nossa vontade. Assim, se é de nossa vontade ter um filho, que o tenhamos com a maior serenidade possível. Esta vontade, no entanto, não deve ser fruto da necessidade. Lembro-lhes, caros amigos, que a necessidade é um mal, porém, não temos a necessidade de vivermos nela. Para terminar este primeiro momento de explanação, deixo como reflexão a ideia de que não somos senhores do nosso amanhã e por isso não devemos adiar o gozo do prazer possível hoje. Não devemos consumir nossa vida a esperar e morrer empenhados nessa espera do prazer.

AGOSTINHO: Mas não esqueçamos, Epicuro, que a tristeza de ter perdido não pode superar a alegria de ter possuído. Isto pode significar, caro Epicuro, que alguns sacrifícios podem ser tão ou mais prazerosos quanto fugir deles. É preciso buscar sempre o que é bom; e o que é bom vem de Deus. Viver bem é viver em doação, em comunhão com o próximo. Necessitamos uns dos outros para sermos nós mesmos. Para alcançar a felicidade devemos reproduzir aqui na terra os prazeres do paraíso que são - neste caso concordo contigo - aqueles ligados à alma. A verdadeira felicidade só existe na Pátria Celestial, cabendo a nós buscar chegar o mais próximo possível dela, através da prática do bem. Concordo com Aristóteles de que a boa vida é aquela vivida na virtude, devendo-se com isso afastar-se dos vícios, principalmente do orgulho, que é a fontes de todas as fraquezas, porque é a fonte de todos os vícios. Isto significa que devamos ser humildes para evitar o orgulho, mas voar alto para alcançar a sabedoria.

NIETZSCHE: Vocês racionalistas e cristãos deturparam o conceito de bondade e transformaram tudo o que é natural, bom e prazeroso em algo feio, sujo, pecaminoso, etc, quando bem viver está retratado no modelo dionisíaco da celebração da vida e o vigor da potência humana. Racionalizaram e puseram regras em tudo, chamando de virtude o que na verdade oprime o bem viver. Orgulho, Agostinho, é uma virtude, não um mal. Vocês tiraram o sapo do pântano e o puseram no deserto dizendo: viva aí! Nossa natureza não é compatível com piedade, compaixão, pena, humildade e demais vigarices expostas no ideário racionalista e cristão, que só servem para atormentar as consciências e oprimir as vontades. O medo se tornou o pai da moralidade. E usam como juiz um Deus! Deus opressor, que não dança, não se alegra e passa o tempo todo exigindo louvores. Não é a força, mas a constância dos bons resultados que conduz os homens à felicidade. E bons resultados só são conseguidos através do exercício da vontade livre. Agostinho propõe o sacrifício como um meio de bem viver, tal e qual o Jesus que acredita. Quem, em prol da sua boa reputação, não se sacrificou já uma vez a si próprio? Tornou-se mais fácil lidar com uma má consciência do que com uma má reputação. Assim, é pelas próprias virtudes que se é mais bem castigado.

SÓCRATES: Se não estou equivocado, Nietzsche propõe que revivamos o mito, onde a crendice e a passionalidade devam reinar. Alerto que o emocional é um campo fértil para a ignorância orgulhosa. Sábio é aquele que tem consciência da própria ignorância, e isto só é alcançado pela humildade e racionalidade, que estão libertas das vaidades. Existe apenas um bem, o saber; e apenas um mal; a ignorância. Deve-se procurar o saber desde a mais tenra idade. O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São estas as virtudes que devem formar o seu caráter e levar o individuo ao bem viver.

NIETZSCHE: Não digo...

DIÓGENES: Mas não podemos esquecer, Sócrates, que somos seres da natureza e esta é nossa principal característica. Não podemos correr o risco de que racionalidade imponha ao conjunto da sociedade regras morais, que obrigue a todos cumpri-las conjuntamente. Não somos um conjunto, somos individualidades...

NIETZSCHE: Bravo!...

DIÓGENES: No entanto, Nietzsche; devo dizer contrariamente a ti, que os piores escravos são aqueles que estão constantemente servindo as paixões. Portanto, vivamos sem rédeas racionais demais que nos aprisionam a um modelo de sociedade e, mais ainda, sem rédeas emocionais que nos aprisionam aos desejos de riqueza e ao apego. Digo que para viver basta aquilo que cabe em um prato diariamente; não podemos ser decentes se temos mais do que necessitamos, pois estaremos ferindo nossa natureza em detrimento do conforto, que não nos pertence em estado natural. Devemos exercer o desapego às coisas que nos são materialmente mais caras, não apenas por virtude, não para obter consideração dos outros, mas para sentirmo-nos livres, porque nossa natureza é livre. Há algo que temos mais apreço que a própria vida? Pois digo que só é verdadeiramente livre quem está sempre pronto a morrer.

MARX: Concordo que estar pronto a morrer seja algo inerente à liberdade e, também, no que tange a ganância - que não deve ser confundida com melhor condição de vida – sendo que devo dizer: Quanto menos comes, bebes, compras livros e vais ao teatro, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas esporte, etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. És menos, mas tens mais. Este é o ideário capitalista e não é o ideário de vida boa, o ideário de vida boa não é ter mais e sim ser mais, sem que as paixões e atividades sejam tragadas pela cobiça. Também concordo que a vida que temos é esta aqui e esperar pela Pátria Celeste apontada por Agostinho é uma ilusão, pois esta não existe. Foi uma forma encontrada para conformar a classe mais baixa a fim de que ela permaneça apegada a esta ideia de recompensa futura sem questionar sua própria dominação. Então, caro Diógenes, a vida em sociedade é inevitável, o que quer dizer que haverá produção e consumo através do trabalho, fazendo com que a melhor forma de viver seja a busca por uma melhor situação. A luta de classes se torna inevitável, e participar ativamente dela é preciso, para não se tornar escravo...

DIÓGENES: Devo então acender minha lamparina e dizer-te: só se transforma em escravo quem quer, só participa desta sociedade quem quer fazer parte da imoralidade dela e de seu jogo usurpador da decência, tornando-se também indecente...

MARX: É muito fácil acender a lamparina e apontar para os outros, qualquer um pode fazer isso...

DIÓGENES: Só pode carregar minha lamparina, quem carregar também o meu cajado...

ARISTÓTELES: Diógenes, caro Diógenes, o homem é um animal político; só é completo em sociedade. A vida que propões pode tornar o homem livre; é verdade, mas o deixa incompleto, solitário e, talvez, infeliz. Como sua própria corrente filosófica se coloca, de viver como vivem os cães, é apropriada aos cães. Os homens possuem outras razões para viver.


MARX: E digo mais: o que há de errado em beber um pouco melhor, comer melhor, se divertir, sem que isto gere ganância? Diferentemente de Epicuro, acredito que é na ação que é despertado o animal político dito por Aristóteles. E se há política, há luta, e é nela que o sujeito se realiza e se complementa. O espaço deve ser conquistado. A história da humanidade até os dias de hoje é a história da luta de classes. E nós filósofos, buscamos através da história interpretar o mundo, quando deveríamos modificá-lo. Tudo o que era sólido se desmancha no ar, tudo o que era sagrado é profanado, e as pessoas são finalmente forçadas a encarar com serenidade sua posição social e suas relações recíprocas. Ressurgir contra isso e conquistar o espaço político é o bem viver, porque o faz racionalmente na busca de um conforto que o mundo e a inteligência produzem, sem travar seu instinto de competição, que a emoção exige.



sábado, 26 de abril de 2014

Felicidade ou Prazer?

Se vive para ser feliz e para obter prazer em nossas ações?
Parecem a mesma coisa, já que o que nos torna feliz também é o que nos dá prazer e vice-versa, não é mesmo?
Então qual é a diferença, já que os eudemonistas, como Aristóteles e Santo Agostinho, são partidários da felicidade; e os hedonistas, como Epicuro, são partidários do prazer?

Uma diferença básica está na concepção de prazer dado pelos hedonistas como simples fuga da dor, sendo a não-ação por si só como algo que baste para estar bem. Assim, alguém que sofre dores renais, por exemplo, como Epicuro as sofria, quando não as sente atinge um estado ideal de bem viver que ultrapassa as fronteiras da felicidade, estando, portanto, além dela. Só sabe disso quem sofreu essas dores e encontrou alívio num Buscopam na veia, não é mesmo?
No entanto, a maior diferença está no fato de que o prazer é mais epidérmico, mais suscetível e intenso; ou seja, você consegue quantificar aquilo que está sentindo, enquanto que a felicidade é mais abstrata, mais vaga, pois você consegue perceber que algo te deixou bem (feliz), mas não consegue quantificar nem delinear exatamente o que sente.

Kama Sutra - Posições para apimentar o sexoGanhar um presente de aniversário, dependendo qual, te deixa mais ou menos feliz, mas você não tem um padrão sobre o que está sentindo.
Já um gozo sexual, por exemplo, você consegue saber o que sente, além de ser mais intenso.
Você pode até preferir, dizem os hedonistas, ganhar o presente, mas não há como negar que o prazer é mais intenso.
Além do mais, você trocaria qualquer presente, qualquer bem material, pelo alívio de uma dor intensa.

A felicidade, por sua vez é mais duradoura, sustentam os eudemonistas; e alguns bens imateriais, como o amor aos filhos, são maiores que qualquer dor que venha sentir, senão uma mulher não se disporia a  passar por todas as agruras de uma gestação e parto, se não fosse pela felicidade de gera-los.

A discussão segue...

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Soul Parsifal - alma tranquila

Soul Parsifal
Ninguém vai me dizer o que sentir
Meu coração está desperto
É sereno nosso amor e santo este lugar
Dos tempos de tristeza tive o tanto que era bom
Eu tive o teu veneno
E o sopro leve do luar
Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança, a estrela a me guiar
Da alfazema fiz um bordado
Vem, meu amor, é hora de acordar
Tenho anis
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Vivo feliz, tenho amor
Eu tenho um desejo e um coração
Tenho coragem e sei quem eu sou
Eu tenho um segredo e uma oração
Vê que a minha força é quase santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar
Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir


Tenho jasmim tenho hortelã
Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva-cidreira no café da manhã
Ninguém vai me dizer o que sentir
E eu vou cantar uma canção p'rá mim

Filosofando: Esta música retrata um pensamento HEDONISTA, em que o eu lírico conquista a felicidade através do prazer trazido pelo fato de estar em tranquilidade consigo e com as coisas ao redor. No primeiro parágrafo trás a lembrança daquilo que chamou de tempos de tristeza que, embora lhe tivesse rendido momentos felizes, lhe trazia infortúnios também. Agora está em paz e isto lhe rende prazer em viver.