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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

FILOSOFIA DO DIA: 11 DE JANEIRO



11 DE JANEIRO


Resultado de imagem para frases de diógenes de sinope sobre amizadeA amizade é um dos sentimentos mais belos cultivados pelo ser humano. Andar acompanhado de um amigo torna o caminho mais agradável. 

Para filósofos como Epicuro e Diógenes de Sínope, a amizade é a mais plena forma de amar. Ela é maior que a relação parental, porque nesta não se escolhe, é uma contingência do destino. A amizade é, ainda, maior que o amor conjugal, pois este carrega sentimentos menos nobres, como a posse e o ciúme, por exemplo.

A convivência com os parentes na maioria das vezes torna-os melhores amigos. Não por ligação biológica, mas por ligação afetiva. Por isso o filósofo Jesus disse: “Quem é minha mãe, quem são meus irmãos? Estes são os que ouvem minha palavra” ( o acompanham).

O amigo nada exige, nada cobra… É um amor pleno. Não há espaço na amizade para sofrimento e sentimentos mesquinhos.

O amigo anda e descansa contigo à beira da estrada.


DICA DO DIA: Escreva a um amigo e diga o quanto é importante em sua vida.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

DIÓGENES E O BEM VIVER




viver é (Re)Naturalizar




"Tudo em vorta é só beleza
Sol de abril e a mata em frô
Mas assum preto, cego dos óio
Não vendo a luz, ai, canta de dor...
Tarvez por ignorança
Ou mardade da pió
Furaro os óio do assum preto
Pra ele assim canta mió..."

(Luiz Gonzaga -  Assum Preto)



         Diógenes havia acabado de banhar-se no riacho e agora estava ao sol, nu, deitado na relva aquecendo a pele. Para ele, a melhor, a mais honrada e verdadeira forma de viver era em contato com a natureza, livre, tendo por testemunha o céu. Da chuva e do frio, protegia-se num barril, comia do que a natureza lhe provesse. Costumava dizer que lhe bastava o que cabia em seu prato diariamente, sem se preocupar com o futuro, pois assim viviam os cães em sua sinceridade natural e nós em nada deveríamos nos diferenciar destes animais. A sociedade, com seus mecanismos estruturais, tornara-se artificial e danosa à liberdade individual, tornando falsa a nossa vivência, pois a pomposidade social é estúpida, quando tudo é tão natural e tão simples. A luta por uma grande casa e bens diversos, além de serem contrários à nossa natureza, nos acorrentam em frágeis estruturas sociais que mais dividem do que unem.

        Por ser livre é que Diógenes se dava ao luxo de estar nu. No entanto, era hora de ir à cidade e, no mínimo, deveria participar do decoro coletivo, um dos poucos costumes sociais aos quais se rendia. Então vestiu sua túnica mesmo a contragosto e se pôs a caminhar. Chegou à entrada da cidade e parou, olhou para os cães à sua volta e disse:

         - Vejam com seus olhos a construção da falsidade humana. A origem da sua perdição.

         Já na cidade, um homem abastado lhe chamou da porta de sua casa. Diógenes olhou para os lados para se certificar de que era com ele:

         - Ei, você, você mesmo, venha aqui. - Disse o homem.

         Diógenes, então, entrou no pátio e chegou à porta.

        - Hoje orei aos deuses e pedi algo - Falou o homem a Diógenes - Comprometi-me a dar pães frescos a alguém faminto e quero dá-los a você.

       Diógenes sentiu o cheiro dos pães vindos da fornalha. Como era adorável aquele cheiro! E Diógenes não havia ainda comido naquela manhã, mas se tinha algo maior que sua fome era sua reconhecida forma de encarar o modelo de vida primitiva que defendia como sendo a única forma honrada de viver.

      - Agradeço pelos pães, mas devo recusar – respondeu Diógenes.

     - O que há de errado com os pães? - Perguntou o homem - Se você não aceitar talvez os deuses se sintam desobrigados comigo.

     - Não há nada errado com os pães, mas há com seus deuses e a sua barganha. Porém, não se aflija, sua preocupação é vã porque os deuses estão desobrigados de você de qualquer jeito, se é que existem. Além do mais, minha ética não permite fazer parte de uma caridade viciada em sua origem. Constrange-me participar de tal teatro. Valeria mais a pena eu parar em frente a uma estátua e pedir-lhe algo, sei que não ganharia nada, no entanto, com ela pelo menos seria mais verdadeiro, pois eu sei que não obteria nada, mas também sei que não haveria caridade falsa advindo dela.

      - Eu te ofereço pães e em troca me ofendes? – Disse-lhe o homem.

     - Eu o estou salvando de cometer um erro – disse por fim Diógenes, afastando-se com seus cães.

     Diógenes e seus amigos caninos chegaram à praça pública. Diógenes sentou-se na relva rodeado pelos cães e ficou a observar a paisagem. Queria mesmo era despir-se para aproveitar o sol em sua totalidade.

        - Vejam meus amigos – falando aos cães – como os humanos se comportam. Fingem fino trato, caridade, bondade… Tudo ilusório, miragem que eles fingem ser real. Olhem aquele casal ali, não são como vocês, ficam presos a uma relação fingindo ser felizes. Vocês não! Vocês são livres. E eles fazem isso para satisfazer a sociedade. Abandonam sua natureza para viver uma mentira consentida, mais que isto, obrigatória. Vale muito mais a amizade, pois esta não cobra nada, apenas ama. E este é o amor verdadeiro!

       Depois de uma pausa, Diógenes olhou para os cães, sentindo uma certa inquietação.

  - Estão com fome? Será que fui egoísta em não aceitar os pães? Eu podia pegar e dá-los a vocês por que, diferentemente de mim, vocês não precisam se constranger, nem se preocupar em denunciar as mentiras sociais. Vocês não têm consciência! No entanto, peço que  vejam o meu lado… Se assim eu procedesse, iria contra tudo o que prego e isto me faria tão falso aquilo que denuncio… Façamos o seguinte: voltamos a casa daquele senhor e pedimos os pães, porém devemos deixar bem claro que os pães são para vocês. Os tais deuses não deverão se importar a qual fome os pães irão saciar, se a minha ou as suas.

         Diógenes e os cães voltaram à casa do senhor que oferecera os pães. Bateu à porta e foi o próprio homem de antes quem a abriu.

         - Olá, o senhor ainda tem os pães que a pouco me ofereceu? – Perguntou Diógenes.

         - Sim, agora os quer? – Respondeu o homem, indignado.

        - Quero, mas não são para mim, são para meus cães que estão famintos. Eles não se importam com suas motivações e seus acordos com os deuses.

         - Insolente! – esbravejou o homem.

      - Por acaso os cães não sentem fome, tanto quanto qualquer humano? Qual a diferença entre matar a minha fome e a fome deles? – Indagou Diógenes -  Em nada me sinto melhor que eles, muito antes pelo contrário, assim como são melhores que você. Veja esta sua casa, é tão suntuosa e limpa que não há onde cuspir, a não ser na sua própria face, que é o que há de mais sujo e falso por aqui.

       O homem bateu a porta e Diógenes voltou à praça. Acendeu sua lamparina e a pendurou na árvore enquanto sentava-se aproveitando a sombra, já que a esta hora o sol aquecia com maior vigor. Pegou uma maçã que guardava consigo e se pôs a comer. Os cães procuravam seu alimento na praça. Um ateniense que passava achou curiosa a cena.

       - Por que esta lamparina está acesa em plena luz do dia? – Perguntou ele.

       - Quero que ela me ajude a identificar um homem que seja decente. – Respondeu Diógenes.

       - Como assim? Não lhe parece inútil os fachos de luz desta lamparina em plena luz do dia? – Voltou a perguntar.

       - Sim! Como é inútil o propósito dela, porque não há como encontrar alguém decente em Atenas. Por isso a acendo em plena luz do dia, como um símbolo da indecência que ninguém vê e todos vivem, concordando com este viver. Por outro lado, a lamparina simboliza a esperança de que as pessoas se libertem desta prisão, representada pelos costumes e seus usos. – Respondeu Diógenes

       - Pensas então que vives melhor que eu, por exemplo, que tenho casa, carruagem, escravos, bens e dinheiro, enquanto dormes num barril, vives na praça, sem dinheiro, sem nada?...

         - Se este nada a que te referes for minha dignidade, já tenho mais que você... – Respondeu Diógenes.

           - Então, julga-te como alguém melhor que eu?

         - Meu cajado, minha túnica e minha lamparina respondem por mim. Ser melhor não significa ser bom e viver melhor não significa viver bem. Antes de sermos melhores, devemos procurar ser bons e, antes de viver melhor, devemos viver bem...

     O homem, que até então não entendia bem a filosofia de Diógenes, a escolha desta forma rude de viver, já que o tinha como um sábio e, portanto, com capacidade de possuir bens, começou a refletir mais profundamente sobre a intenção do filósofo, sobre o que ele queria ensinar. Passou a perceber que viver melhor, ou seja, ter conforto, não significava necessariamente, viver bem. Sempre colocava ambas as coisas como se fossem uma só, mas agora Diógenes o pusera de frente consigo mesmo.

       - ...Pensas que ter uma casa é algo bom? – Continuou Diógenes enquanto o homem à sua frente ainda pensava – Que todos os teus bens são capazes de te fazer feliz? Aposto que és casado! Pense em quantas coisas perdestes para seguir este modelo social... Olhe meus amigos cães, não precisam nada disso. Agora, Pense sua vida como aquele pássaro dentro daquela gaiola pendurada na tenda ali à frente. Muitas vezes o dono da gaiola abriu a portinhola, mas o pássaro chega até à saída e volta para dentro e, mesmo quando sai, fica gravitando em torno da gaiola, por causa do alimento ali dentro. Podemos dizer que o pássaro preso vive com mais conforto que qualquer pássaro solto, pois este precisa lutar pelo alimento. No entanto, o pássaro solto é quem vive a boa vida em sua plenitude, porque é livre; precisa lutar pela sobrevivência, mas é livre...

      - Por que então o pássaro da gaiola não vai embora quando liberto? É sinal que o conforto e a segurança lhe fazem bem... – Perguntou o homem.

      - Não é uma preferência, é a força do medo. O pássaro da gaiola perdeu a naturalidade de outrora e agora a prisão é sua única vida disponível. Você formou família e tomou uma responsabilidade que lhe causa pânico, tens uma casa e precisa cercá-la... Você vive com medo de perder o que possui, vive em função da preservação do futuro e não vive o presente... Isto não é vida! Seus referenciais foram alterados, assim como os referenciais da sociedade. O senso de liberdade foi perdido e a sociedade é uma grande gaiola. Dá-nos conforto, mas nos arranca a naturalidade e a liberdade, pois não vivemos mais para nós.

        - Entendo o que queres dizer – disse o homem – mas não sei se estou disposto a deixar minha gaiolinha – brincou – e..., a propósito, amo minha esposa... – Complementou ao sair.

       - Não duvido disso, mas que és um prisioneiro, tal e qual aquele pássaro, isto tu és!

     Ao final da tarde, Diógenes estava novamente saboreando os raios do sol, quando algo lhe fez sombra. Era ninguém menos que o imperador Alexandre Magno, o grande conquistador, que lhe dirigiu a palavra:

- Sei que és um grande sábio, por isso vou te dar o que me pedires. Peça e dar-te-ei! Ofereceu o grande conquistador.
Sem se importar muito com a imponência da figura imperial e fiel ao seu conceito de bem viver, Diógenes, em sua peculiar irreverência, respondeu:

          - Peço apenas que não me tires o que não podes me dar. Peço que se afaste um pouco para lado, não faça sombra e me devolva o sol.

        Um dos comandados de Alexandre, tomando por insulto, fez menção de retaliar Diógenes, gesto interrompido por seu comandante.

         - Não o faça!  - Repreendeu Alexandre - Não vi, em todo meu reino sabedoria igual. Se eu não fosse Alexandre, gostaria de ser Diógenes.


LIÇÕES DO MESTRE

              Diógenes foi uma figura singular. Vivia num barril, saía com uma lamparina acesa durante o dia dizendo procurar alguém decente, pedia esmola às estátuas, masturbava-se em plena luz do dia em praça pública... Era chamado de “Sócrates louco”. Levou ao extremo a filosofia dos cínicos, corrente filosófica que pregava a volta da naturalização do homem, para eles, quebrada pela descoberta do fogo e o uso da técnica, criando necessidades não naturais, diferenciando um homem de outro, causando com isso a consequente escravidão, uma sociedade com senhores e serviçais. Em uma frase resume seu desprezo ao afirmar que "na casa de um rico, de tão limpo o chão, não havia onde cuspir, a não ser na própria cara do sujeito". Assim, Diógenes, de forma radical, tentava mostrar sua filosofia. Desprezava a organização civil, dizendo ser uma farsa. Sentia-se cosmopolita, um cidadão do mundo, pois a liberdade é o sentimento humano mais valioso, sendo a sociedade civil, com seus usos e costumes, um inibidor desta liberdade. Diógenes, portanto, ensina primeiro que o cidadão ético é inquebrantável em sua conduta e a vida boa se dá quando não há falsidade, sendo maior falsidade aquela que infringimos a nós mesmos quando aceitamos esse modelo de vida voltado a suprir as necessidades criadas a partir de uma determinação social. Ensina ainda que nossa natureza é simples e precisamos de pouco para viver. Não precisamos viver da forma como a sociedade quer que vivamos; antes, devemos viver da forma como nos agrada.



 Na Pista do DJ Diógenes


              A festa do Dj Diógenes poderia começa com a música de Baby Consuelo e Pepeu Gomes, “Sem Pecado e Sem Juízo” que, como diz o título, prega o desprezo à moral dos homens. A letra diz: “Aqui nessa cidade, o por do sol e a paisagem, vêm beijar luar, doar felicidade...”, sem preocupações com o amanhã ou o julgamento das outras pessoas.

              Seguiria com Lulu Santos e a música “Tudo Azul” que começa dizendo: “Tudo azul, todo mundo nu, no Brasil, sol de norte a sul...”  e termina: “...sou flagelado da paixão, retirante do amor, desempregado do coração.”

              Titãs teria lugar trazendo “Capitalismo Selvagem”, que diz: “...Eu me perdi na selva de pedra...”, que vem ao encontro da filosofia de Diógenes de desprezo à civilização civil e suas construções.


              A banda Ultrage a Rigor seria a estrela da festa, pois o próprio nome já é uma contestação ao modelo social com seus usos e costumes. Apresenta músicas como “Inútil”, que brinca com nossa vontade de fazer e ter as coisas, e a música “Nós Vamos Invadir Sua Praia” que diz: “...Separa um lugar nesta areia, nós vamos chacoalhar a sua aldeia, mistura sua laia ou foge da raia, sai da tocaia, pula na baia, agora, nós vamos invadir sua praia...” , além de “Pelado”, que afirma: “...Sem roupa, sem saúde, sem casa, tudo é tão imoral, a barriga pelada é que é a vergonha nacional...”.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Reunião de Filósofos 5 - Razão e Emoção

AGATÃO: Vendo os senhores neste debate ferrenho, pergunto sobre quem deve pautar nossa ação, a razão ou a emoção?


PLATÃO: Com certeza nossas ações devem estar pautadas pela razão. Agir emocionalmente é um erro, pois os sentidos podem nos levar aos enganos e enganos não servem. As paixões não podem determinar nossas ações, uma vez que quem ama extremamente, deixa de viver em si e vive no que ama. Então, toda ação boa provém da razão por um simples motivo: Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas: a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal.




NIETZSCHE: Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem o do mal, pois a verdade está naquilo que se sente e não naquilo que nos obrigam a sentir. A razão é anti-natural na medida em que oprime nossa vontade, esta sim guia natural de nossas ações. Os homens graves e melancólicos ficam mais leves graças ao que torna os outros pesados, o ódio e o amor, e assim surgem de vez em quando à sua superfície. Platão é um desses homens que frustra a humanidade, tirando dela a vontade de viver em nome de um suposto controle e equilíbrio, que na verdade não passa de tristeza, opressão e melancolia. O que dá vida é o corpo, os sentidos, as paixões..., não uma razão idealizada.



PLATÃO: O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê. Nietzsche fala que devemos viver entregues aos sentidos, pois eu digo: Viva como prega Nietzsche e em breve não terá corpo para sentir. Vencer a si próprio é a maior das vitórias e vencer a si próprio é vencer suas ambições. O homem ambicioso é um homem mau e riqueza alguma poderá proporcionar a paz a um homem mau, pois não permitirá a paz a consciência que é nossa instrutora natural e não anti-natural como quer dizer Nietzsche. E a consciência é própria da razão e é por isso que o homem retrata-se inteiramente na alma; para saber o que deve fazer, deve olhar-se na inteligência, nessa parte da alma na qual fulge um raio da sabedoria divina.



NIETZSCHE: Sabedoria divina? Como a razão não é suficiente para convencer as pessoas a desistirem de viver sua vontade em potência, apelam para a consciência e sabedoria divinas. A opressão não é apenas racional, mas ditada pela força opressora de um Deus. Nós fazemos acordados o que fazemos nos sonhos: primeiro inventamos e imaginamos o homem com quem convivemos - para nos esquecermos dele em seguida, por culpa dessa opressão moralizadora.



SÓCRATES: Sei que Nietzsche me acusa de promover a queda do modelo dionisíaco de celebração aos mitos, por ver neles o humano verdadeiro e natural. Entretanto, verdadeiros e naturais também são os animais, mas estes não possuem a racionalidade e a consciência. Nós, por possuí-las e diferenciarmos por tê-las, devemos nos guiar à luz de seus ditames, que é o que nos levam à virtude. Aos animais, por não terem consciência e racionalidade que os guie, é natural que ajam pelo instinto, contrário senso, é natural que ajamos racionalmente, por sermos dotados de razão.



SARTRE: Como Nietszche, penso que por sermos livres, também devemos agir de livre vontade , no entanto, posso querer aderir a um partido, escrever um livro, casar-me, tudo isso não passa de uma manifestação de uma opção mais original, mais espontânea do que aquilo a que se chama vontade. Então, liberdade é escolha e escolher é uma tarefa racional, assim, às vezes não somos o homem de nossa vontade, mas da vontade dos outros por escolha própria. A emoção é o querer e o querer está atrelado à consciência, posto que a decisão é sempre racional; e seja o que escolhermos, é decisão livre escolher entre a vontade e a consciência, pois no ponto de partida, não pode haver outra verdade além desta: «penso, logo existo», como afirma Descartes, esta é a verdade absoluta da consciência alcançando-se a si mesma. 



DESCARTES: Com toda certeza a ação deve ser guiada pela razão, pois basta ajuizar bem para agir bem. As paixões são boas por natureza e nós só temos que evitar seu mau uso e seus excessos, o que é propiciado pela razão. Então, se é a razão senhora da decisão é ela quem determina como deve proceder a boa ação, os sentidos são instrumentos, meios que uso para ter prazer e ser feliz. É com a emoção que eu sinto, mas é com a razão que eu decido. 



DIÓGENES: A emoção está ligada aos instintos e isso é bom, mas como disse antes a emoção trás consigo o perigo da ambição desmedida. Eu mesmo já caí em tentação ao luxo e à riqueza quando cunhei moedas falsas em minha juventude, o que foi um erro. A razão, por sua vez, deixa o mundo enquadrado em seus ditames e regras. Penso que devamos aproveitar o que há de melhor em cada caso, agir com liberdade e retirar o que nos oprime. Viver com a natureza e aproveitar o que ela nos dá a cada dia.



ARISTÓTELES: Concordo com Descartes, pois a razão tem o propósito de dominar as paixões e suas inclinações desmedidas, conduzindo-as a um termo equilibrado. A sabedoria está no meio. Então, deve-se viver os sabores que as sensações promovem, mas sempre tendo por guia a razão.


DAVID HUME: Concordo com Aristóteles e gostaria de acrescentar que nossa natureza trás consigo uma diversidade de fatores que limitam nosso agir pela influência determinante que possuem sobre nós. São fatores biológicos, sociológicos, históricos, etc… que influenciam algumas escolhas e formas de pensar. Existe um embate entre a vontade e a resistência. As sensações criam necessidades que devam ser vencidas: do ponto de vista social, por exemplo, a necessidade se mostra ao querer buscar um padrão social mais distinto; do ponto de vista físico, um corpo perfeito; tudo motivado por um padrão. Então não existe uma simples supremacia da razão sobre a emoção, é uma construção que se dá entre o ser bio-psico-histórico – com seus atributos e medos – e o ente racional.


segunda-feira, 4 de maio de 2015

Reunião de Filósofos 2 - Agir Político do Cidadão


AGATÃO: Falando em política, como os senhores pensam que deve ser o agir político do cidadão? Marx e Diógenes parecem ter posições contrárias pelo que pude observar.


Resultado de imagem para imagens de epicuroDIÓGENES: Tenho dois motivos principais para acreditar que o ser humano deva se afastar da política. O primeiro é que a sociedade ajustada em padrões é anti-natural, o que torna por si só hipócrita e, portanto, vulgar e indecente. Olhem para os cães! Vivem naturalmente abaixo da lua e do sol. A sociedade produz pobres e ricos e aceitar viver nela é aceitar esta indecência, tornando-se também um indecente. Não tenho casa, porque o chão me basta, querê-la é entregar-se à ganância e procurar meios para tê-la, é entregar a alma ao Diabo. Na casa de um rico não há onde cuspir a não ser na cara dele. Uma pergunta se impõe: como ficou rico? Como o governante conquistou o posto? O segundo motivo vem de minha atuação como filósofo, afinal, para que serve o filósofo senão para machucar o sentimento de alguém? Assim, a melhor forma de agir politicamente é estar distante dela, o que de certa forma é um jeito de fazer política; coloco meu cajado, meu barril, meu prato e minha lamparina a disposição da sociedade. Minha política é o exemplo, a recusa em participar desta imoralidade chamada sociedade.

MARX: A sociedade, caro Diógenes, também é fruto de um processo natural e digo que é até mais natural que a solidão que praticas. E mais que natural, é inevitável. Então, pergunto? Como o cidadão deve agir inserido nesta cirscunstância? A história da humanidade foi construída pela luta de classes e a dominação de uma sobre as outras. Então, o agir político deve ser voltado para a luta, para a constante vigilância da manutenção de direitos e para a conquista do espaço social. Sem estes aspectos, você se torna presa fácil de ideologias que tentarão te manter passível diante dos acontecimentos e prometerão ilusões.


PROTÁGORAS: Eu acredito na democracia, porque acredito na liberdade do pensamento e diferenciação entre as pessoas, pois somos diferentes uns dos outros e cada qual tem sua medida, seus limites... Que vença o discurso forte, que é aquele que convence a maioria de que a sua ideia é a mais apropriada para todo o conjunto. Portanto, a melhor forma de agir politicamente é se preparar, a fim de convencer pela oratória que o seu pensamento é o melhor para ser aplicado a todos.

PLATÃO: A melhor forma de o cidadão agir politicamente é exercer uma função dentro da sociedade segundo suas possibilidades e habilidades. Assim como no corpo cada orgão exerce um determinado papel, na sociedade cada cidadão tem sua atribuição, seja ela manual, como são os artesãos, agricultores, comerciantes e demais trabalhadores braçais; seja ela de defesa, como faz o soldado; ou de governança, que deve ser própria dos políticos, legisladores e administradores públicos. Todos devem ser preparados através da educação para estas tarefas desde jovens, em instituição de ensino comum a todos, onde lhes será ensinada a virtude.

SÓCRATES: Assim como Platão, acredito que o agir político deve estar conectado com a virtude, que só se encontra na verdade, que por sua vez encontra-se no conhecimento, que é a gênese do bom agir. Não interessa viver, mas viver bem. E viver bem é viver corretamente, não ser injusto com os outros, nem mesquinho, nem buscar para si vantagem indevida ou que prejudique o outro. Não praticar um discurso, como quer Protágoras, se o discurso não for verdadeiro; somente lutar, como quer Marx, se for para buscar a justiça; e afastar-se, como diz Diógenes, somente das práticas que levam à imoralidade pública.

ARISTÓTELES: Inicialmente, devo dizer que o ser humano é um animal político e ele só pode ser concebido desta forma, pois isolado, é como qualquer outro animal. Concordo com Sócrates e Platão sobre o fato de que a virtude deve ser o elemento norteador da ação política do cidadão que inevitavelmente estará com outros cidadãos. É preciso então trabalhar a formação deste ser humano. Uma sociedade de cidadãos virtuosos forma uma sociedade virtuosa e sã, já uma sociedade com cidadãos injustos torna-se uma sociedade decadente. Então, assim como Platão, acredito que a educação deva ser o caminho para formar cidadãos virtuosos…

NIETZSCHE: Blá, blá, blá… O homem com furor filosófico não deve perder tempo com o furor político. Vocês falam de virtude, em educação para a virtude, mas... qual virtude? Aquela escondida na verdade absoluta ditada por regras que Sócrates e seus seguidores querem impor? Também acredito que a moralidade seja a melhor de todas as regras para orientar a humanidade, mas a minha moralidade é diferente das suas que exige a massificação do pensamento, onde todos seguem como cordeirinhos os ditames destas ditas virtudes. Acredito, como Protágoras, no individual; no livre pensar e no livre agir.

SÓCRATES: Percebo, pelos olhares que me lançam, que esperam uma resposta minha ao ataque de Nietszche, mas minha consciência diz que o fato de Nietzsche ser injusto comigo, não me dá o direito de sê-lo com ele. E com isso eu pratico aquilo que vejo como virtude.

NIETZSCHE: As convicções são inimigas mais perigosas à verdade dos que as mentiras.

EPICURO: Também penso que o cidadão tem obrigações que o indivíduo não tem. É preciso separar o cidadão - que é ente político – do ser humano enquanto indivíduo. O cidadão precisa seguir regras, mas o indivíduo é livre e basta-lhe procurar a boa vivência, que é encontrada na paz e na amizade. Bom seria que as pessoas vivessem em pequenos círculos, vilas pequenas, como é o meu jardim e lá vivessem o cultivo da serenidade, da troca de experiências e da prática da bondade, longe das agruras do embate político, das lutas intermináveis pelo poder que, por si só, desconstituem a virtude.

Reunião de Filósofos 1 - O Bem Viver


AGATÃO: Sejam bem-vindos caros amigos. Começo o debate perguntando com se dá o bem viver.

ARISTÓTELES: Caros amigos, penso que a vida boa é aquela vivida na virtude e no equilíbrio, sempre em busca da felicidade. A felicidade é o fim que natureza humana visa. Ela se encontra na atividade, pois não está acessível àqueles que passam a vida adormecidos. Ela não é uma disposição. À felicidade nada falta, ela é completamente auto-suficiente. É uma atividade que não visa a mais nada a não ser a si mesma. O homem feliz, basta a si mesmo. Porém, é bom lembrar, não existe felicidade fora da prática da virtude; assim, cada um é feliz na medida em que cumpre a sua missão. A felicidade só resulta do cultivo da virtude.

EPICURO: Concordo que o comedimento seja a forma de bem viver. No entanto, penso a felicidade como algo abstrato, pois não há como quantificar o que é sentido, nem se pode sentí-la o tempo todo. Existe sim momentos felizes, que só se consegue através do prazer. Então, há momentos bons e momentos tormentosos; desta forma é o prazer quem basta a si mesmo e é a melhor forma de ser feliz. E com isso digo que, ao contrário de Aristóteles, não deve ser conquistado o prazer como o amigo diz que deve ser a felicidade, pois o prazer verdadeiro está justamente na tranquilidade da alma, na busca da paz espiritual. Conquistas requerem dissabores e momentos custosos e tormentosos. Não te pareces uma perda  passares tempo demasiado lutando por um ínfimo momento de felicidade, já que para você a felicidade é o fim?  E aquele tempo que passou buscando a felicidade, não seria melhor aproveitado se prazeirosamente vivesse cultivando as amizades, por exemplo? Um descanso, talvez? Lembro-me das dores que os cálculos renais me impingiam. Não há nada pior, nem tão contrária à boa vida, que a dor. Somente livre da dor eu conseguia ser feliz. O extremo oposto à dor é o prazer, então, se a dor é o que há de mais nefasto à boa vida, o prazer deve ser o que há de melhor. Lógico e simples.

ARISTÓTELES: Tem razão o amigo, é um raciocínio bastante simples! O prazer é um meio e não um fim. Ao querer prazer, é a felicidade que se busca. Não te parece, caro Epicuro, que uma mãe escolha passar por todas as agruras da gestação, parto, cuidados, etc, para ter um filho, um indício de que vale a pena momentos de sofrimento para conquistar a felicidade da maternidade? É incompatível com a passividade. Felicidade é ter algo o que fazer, ter algo o que amar e algo que esperar...

 EPICURO: No caso da concepção, caro Aristóteles, é imperativo dizer que tem mais a ver com um processo natural do que propriamente com um modo de viver. Então, o melhor é passar pelo processo da forma mais tranqüila e com o menor sofrimento possível. Tanto menos sofrível, mais prazeroso será no caso de a vocação paterno-maternal aparecer com força e decisão. Devo dizer que só há um caminho para a felicidade: não nos preocuparmos com coisas que ultrapassam o poder da nossa vontade. Assim, se é de nossa vontade ter um filho, que o tenhamos com a maior serenidade possível. Esta vontade, no entanto, não deve ser fruto da necessidade. Lembro-lhes, caros amigos, que a necessidade é um mal, porém, não temos a necessidade de vivermos nela. Para terminar este primeiro momento de explanação, deixo como reflexão a ideia de que não somos senhores do nosso amanhã e por isso não devemos adiar o gozo do prazer possível hoje. Não devemos consumir nossa vida a esperar e morrer empenhados nessa espera do prazer.

AGOSTINHO: Mas não esqueçamos, Epicuro, que a tristeza de ter perdido não pode superar a alegria de ter possuído. Isto pode significar, caro Epicuro, que alguns sacrifícios podem ser tão ou mais prazerosos quanto fugir deles. É preciso buscar sempre o que é bom; e o que é bom vem de Deus. Viver bem é viver em doação, em comunhão com o próximo. Necessitamos uns dos outros para sermos nós mesmos. Para alcançar a felicidade devemos reproduzir aqui na terra os prazeres do paraíso que são - neste caso concordo contigo - aqueles ligados à alma. A verdadeira felicidade só existe na Pátria Celestial, cabendo a nós buscar chegar o mais próximo possível dela, através da prática do bem. Concordo com Aristóteles de que a boa vida é aquela vivida na virtude, devendo-se com isso afastar-se dos vícios, principalmente do orgulho, que é a fontes de todas as fraquezas, porque é a fonte de todos os vícios. Isto significa que devamos ser humildes para evitar o orgulho, mas voar alto para alcançar a sabedoria.

NIETZSCHE: Vocês racionalistas e cristãos deturparam o conceito de bondade e transformaram tudo o que é natural, bom e prazeroso em algo feio, sujo, pecaminoso, etc, quando bem viver está retratado no modelo dionisíaco da celebração da vida e o vigor da potência humana. Racionalizaram e puseram regras em tudo, chamando de virtude o que na verdade oprime o bem viver. Orgulho, Agostinho, é uma virtude, não um mal. Vocês tiraram o sapo do pântano e o puseram no deserto dizendo: viva aí! Nossa natureza não é compatível com piedade, compaixão, pena, humildade e demais vigarices expostas no ideário racionalista e cristão, que só servem para atormentar as consciências e oprimir as vontades. O medo se tornou o pai da moralidade. E usam como juiz um Deus! Deus opressor, que não dança, não se alegra e passa o tempo todo exigindo louvores. Não é a força, mas a constância dos bons resultados que conduz os homens à felicidade. E bons resultados só são conseguidos através do exercício da vontade livre. Agostinho propõe o sacrifício como um meio de bem viver, tal e qual o Jesus que acredita. Quem, em prol da sua boa reputação, não se sacrificou já uma vez a si próprio? Tornou-se mais fácil lidar com uma má consciência do que com uma má reputação. Assim, é pelas próprias virtudes que se é mais bem castigado.

SÓCRATES: Se não estou equivocado, Nietzsche propõe que revivamos o mito, onde a crendice e a passionalidade devam reinar. Alerto que o emocional é um campo fértil para a ignorância orgulhosa. Sábio é aquele que tem consciência da própria ignorância, e isto só é alcançado pela humildade e racionalidade, que estão libertas das vaidades. Existe apenas um bem, o saber; e apenas um mal; a ignorância. Deve-se procurar o saber desde a mais tenra idade. O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São estas as virtudes que devem formar o seu caráter e levar o individuo ao bem viver.

NIETZSCHE: Não digo...

DIÓGENES: Mas não podemos esquecer, Sócrates, que somos seres da natureza e esta é nossa principal característica. Não podemos correr o risco de que racionalidade imponha ao conjunto da sociedade regras morais, que obrigue a todos cumpri-las conjuntamente. Não somos um conjunto, somos individualidades...

NIETZSCHE: Bravo!...

DIÓGENES: No entanto, Nietzsche; devo dizer contrariamente a ti, que os piores escravos são aqueles que estão constantemente servindo as paixões. Portanto, vivamos sem rédeas racionais demais que nos aprisionam a um modelo de sociedade e, mais ainda, sem rédeas emocionais que nos aprisionam aos desejos de riqueza e ao apego. Digo que para viver basta aquilo que cabe em um prato diariamente; não podemos ser decentes se temos mais do que necessitamos, pois estaremos ferindo nossa natureza em detrimento do conforto, que não nos pertence em estado natural. Devemos exercer o desapego às coisas que nos são materialmente mais caras, não apenas por virtude, não para obter consideração dos outros, mas para sentirmo-nos livres, porque nossa natureza é livre. Há algo que temos mais apreço que a própria vida? Pois digo que só é verdadeiramente livre quem está sempre pronto a morrer.

MARX: Concordo que estar pronto a morrer seja algo inerente à liberdade e, também, no que tange a ganância - que não deve ser confundida com melhor condição de vida – sendo que devo dizer: Quanto menos comes, bebes, compras livros e vais ao teatro, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas esporte, etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. És menos, mas tens mais. Este é o ideário capitalista e não é o ideário de vida boa, o ideário de vida boa não é ter mais e sim ser mais, sem que as paixões e atividades sejam tragadas pela cobiça. Também concordo que a vida que temos é esta aqui e esperar pela Pátria Celeste apontada por Agostinho é uma ilusão, pois esta não existe. Foi uma forma encontrada para conformar a classe mais baixa a fim de que ela permaneça apegada a esta ideia de recompensa futura sem questionar sua própria dominação. Então, caro Diógenes, a vida em sociedade é inevitável, o que quer dizer que haverá produção e consumo através do trabalho, fazendo com que a melhor forma de viver seja a busca por uma melhor situação. A luta de classes se torna inevitável, e participar ativamente dela é preciso, para não se tornar escravo...

DIÓGENES: Devo então acender minha lamparina e dizer-te: só se transforma em escravo quem quer, só participa desta sociedade quem quer fazer parte da imoralidade dela e de seu jogo usurpador da decência, tornando-se também indecente...

MARX: É muito fácil acender a lamparina e apontar para os outros, qualquer um pode fazer isso...

DIÓGENES: Só pode carregar minha lamparina, quem carregar também o meu cajado...

ARISTÓTELES: Diógenes, caro Diógenes, o homem é um animal político; só é completo em sociedade. A vida que propões pode tornar o homem livre; é verdade, mas o deixa incompleto, solitário e, talvez, infeliz. Como sua própria corrente filosófica se coloca, de viver como vivem os cães, é apropriada aos cães. Os homens possuem outras razões para viver.


MARX: E digo mais: o que há de errado em beber um pouco melhor, comer melhor, se divertir, sem que isto gere ganância? Diferentemente de Epicuro, acredito que é na ação que é despertado o animal político dito por Aristóteles. E se há política, há luta, e é nela que o sujeito se realiza e se complementa. O espaço deve ser conquistado. A história da humanidade até os dias de hoje é a história da luta de classes. E nós filósofos, buscamos através da história interpretar o mundo, quando deveríamos modificá-lo. Tudo o que era sólido se desmancha no ar, tudo o que era sagrado é profanado, e as pessoas são finalmente forçadas a encarar com serenidade sua posição social e suas relações recíprocas. Ressurgir contra isso e conquistar o espaço político é o bem viver, porque o faz racionalmente na busca de um conforto que o mundo e a inteligência produzem, sem travar seu instinto de competição, que a emoção exige.



terça-feira, 5 de novembro de 2013

O Dinheiro e seus usos

O Dinheiro (adaptação do poema "A Pedra")

Diógenes o desprezou;
o louco não rasgou;
o sovina guardou;
e o esbanjador o gastou.
o artista fez um circo;

o mercado endeusou; o pirata roubou e escondeu;
o político corrompeu-se por ele;
o trabalhador o contou tão pouco;
o mendigo pediu;
o pastor construiu templos;
o vaticano enriqueceu;
o cantor um disco gravou.

tornou o funkeiro um boçal,
de cordão de ouro e carrão;
e a funkeira vulgarizou,
ganhou dinheiro dizendo: "quero dá!"
 a prostituta deu... deu-se!

Em todos os casos
a diferença não está no dinheiro,
mas no ser humano.