Sei não...
Há em nós uma busca pela perfeição. Esta busca, aliás , é um dos argumentos apresentados por São Tomás de Aquino como prova da existência de Deus. Como somos imperfeitos, não teríamos como ter ideia de algo perfeito, afirma de forma razoável a tese. Se há esta ideia em nós, se somos dotados de tal ideia, somente algo perfeito poderia dispor dela a nós, uma vez que por nós mesmos não poderíamos tê-la. Então, foi o Criador quem nos dotou de tal noção e por isso a conhecemos pelo intelecto.
Noções de perfeição produzidas pelo ser humano não faltam no mundo. Uma dessas noções está na simetria do corpo, retratada por Da Vinci na gravura do "Homem Vitruviano"
E para as questões humanas? Seria a gravura do homem vitruviano um bom representante, estando ele preso a figuras geométricas?
Penso que Dostoievski discorda ao dizer que "o homem é esta realidade em que dois mais dois não são quatro". Esta frase retira o ser humano da perfeição matemática das formas e apresenta a subjetividade humana, passível de erro, desequilíbrios físicos e desarmonia. Não que Da Vinci estivesse errado em seu desenho, mas talvez haja algo, pasmem, mais completo e além da perfeição. A perfeição, portanto, não seria o que há de mais sublime, há algo além do círculo e do quadrado.
Em questões humanas a beleza está na imperfeição, que é onde ainda há movimento, onde há vida. O que é perfeito não se move, somente a imperfeição tem esta possibilidade. A necessidade permanente de aparar as arestas é que faz com que de fato estejamos vivos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário