sexta-feira, 22 de maio de 2026

APRENDENDO A SER CONTRARIADO

 Sei não...


As pessoas têm cada vez menos paciência em discutir, sobretudo assuntos que despertam paixões.

Geralmente não gostamos de ser contrariados e preferimos o conforto de ouvir e conversar com as pessoas que compartilham de nossa posição e nossa forma de ver as coisas. Assim, com a chegada das redes sociais, formaram-se as chamadas "bolhas", que são agrupamentos de pessoas que têm interesses comuns, mesma visão de mundo e princípios. Tudo o que está no escopo destas bolhas é o que está acontecendo, porque seus integrantes não estão abertos a receber notícias ou opiniões contrárias vindas de outro universo. Assim, a única verdade existente é a que transita na bolha.

Antes, deveríamos ansiar em ser contrariados, para colocar em xeque nossas opiniões e forma de ver o mundo. Se tudo der errado e estivermos certos em nossa posição, atestaríamos com provas e seguiríamos convictos de que estivemos certos o tempo todo sobre a questão discutida. Caso dê certo o resultado deste confronto de ideias e a opinião contrária venha a prevalecer e nos convencer de que estivemos errados, teríamos o ganho de um novo saber e recálculo de rota. Perder é ganhar.

Acontece que não estamos dispostos a isso. Seguir com a própria opinião é cômodo, pois não precisamos passar pela "impertinência" do contrário e, tampouco, corremos o risco de "perder" uma discussão. Viver na bolha é mais fácil e, humanamente, buscamos sempre o que é mais cômodo, fugimos da chatice dos embates argumentativos.

Certa vez, Sócrates, inconformado por ter sido apontado como o homem mais sábio da Grécia, procurou saber a veracidade da informação. Saiu a conversar com outros homens considerados sábios sobre os mais diversos assuntos. Ao ver que eles falavam sobre todas as coisas, mesmo as que desconheciam, como se fossem os doutores nos assuntos, ele aceitou a alcunha de homem mais sábio. Ele sabia que não conhecia tais assuntos... disso ele sabia. Aqueles homens que tagarelavam sobre diversos assuntos que desconheciam somente para mostrar que sabiam, na verdade não sabiam sequer disso. A conclusão é que ele sabia ao menos uma coisa: que nada sabia, enquanto os outros desconheciam a própria ignorância. Logo, ele era realmente o mais sábio.

Ansie em ser contrariado. Só há ganho.


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