segunda-feira, 18 de maio de 2026

AS AVÓS: CHEGADAS E DESPEDIDAS

 

Sei não...                    


A despedida é um momento estranho. Dizer adeus não é fácil. Trata-se de uma mistura de sentimentos que vai da dúvida sobre quando os envolvidos voltam a se encontrar, com a esperança de que isto aconteça, somando-se a incerteza de que isto vá mesmo ocorrer.

Ainda lembro quando ia visitar minhas avós. A mãe de meu pai, vó Rosa, em especial, tinha um jeito peculiar de se despedir. Nas últimas visitas antes de seu falecimento, as despedidas acabavam com ela chorando. Nas visitas de tempos anteriores, eu via em seu olhar uma preocupação comigo, mas representavam rotineira coisa de avó. No fim, o choro demonstrava outro tipo de preocupação, o medo de que aquela fosse a derradeira entre nós. Um dia foi e, curiosamente, não lembro dela ter chorado.

Carregava consigo, mesmo que não soubesse, a frase de Chateaubriand: "todos os dias são um adeus".

Da mãe de minha mãe, Isabel, a "vó Bela", lembro das chegadas. Estava sempre a mexer com algo quando já de longe a avistavámos debaixo do chapelão de palha. Ora fazia rosca na fornalha, ora colhia os grãos de café nos pés que cresciam ao redor da casa ou estava a peneirar a colheita. Isto quando não estava ao pilão socando o amendoim que viraria uma deliciosa paçoca... Aí parava o que estava fazendo para nos servir um café. E conversar. A gente se sentia importante quando a reverência deveria ser nossa.

Lide Viana disse: "Os avós são flores florescidas no Jardim da Vida, ajudando as sementes a se transformar em flores".

Eu tive as mais belas rosas.


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