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quarta-feira, 20 de maio de 2026

O PODER DA MENTE... OU DA FÉ

 Sei não...


Há algo que foge do natural...

Nossa mente, quando empenhada em algo, é uma força descomunal. Talvez tão grande que saia do campo da mente e entre no escopo da fé.

Certa feita o cãozinho de uma família foi atropelado. Enquanto se recuperava, em uma dada noite se pôs a lamuriar de dor, embora estivesse já medicado. O casal nada podia fazer para aplacar a dor do bichinho. Como o animalzinho, pelo que se tem conhecimento, não sabe orar, o homem, compadecido, se pôs a interceder mentalmente por ele. Minutos depois fez-se silêncio, o animal havia finalmente adormecido. No dia seguinte, ao falar com a esposa que havia orado pelo cãozinho, soube dela que ela havia feito o mesmo no mesmo momento. Duas mentes unidas por uma mesma causa... Em silêncio.

E agora? O que fez aplacar a dor do bichinho? Um cristão provavelmente diria que foi a força da oração do casal. Um humanista ou exotérico poderia dizer que foi a convergência de pensamento focado em um mesmo objeto com força suficiente a ponto de fazer regredir a dor. Já um cético afirmaria que o remédio enfim fizera efeito e o fato de ambos focarem suas forças mentais ou de fé em um mesmo momento para um ponto convergente fora mera coincidência.

Em uma outra situação, um menino queria ver um programa de TV e sua irmã, outro. Como a irmã era mais velha, prevaleceu sua vontade. Irritado, o menino saiu da sala e foi para o quarto. Enquanto saia vociferou: "tomara que queime!". Neste exato momento a TV se apagou...

Parece que Buda acertou ao dizer: "cuidado com o que desejas".

Kieerkgard, por sua vez, afirma que o estágio mais avançado do ser humano é a fé. Os valores estéticos e éticos ficam na superfície, já os valores da fé sublimam tal patamar e nos colocam além, acima do estágio da mortalidade.

É bom lembrar: Tanto para o bem, como para o mal, nossas intenções e desejos mais intensos podem acontecer, seja por amor ou por raiva, a menos que estejam certos os céticos e tudo seja mera coincidência. Todavia, faça-se justiça ao céticos, a coincidência que eles defendem também pode ser alvo de desconfiança, sendo a dúvida seu sublime ato de fé.

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Os Desejos e arbitrariedade do controle


"Neste mundo há apenas duas tragédias: uma a de não satisfazermos nossos desejos, e a outra a de a satisfazermos."  (Oscar Wilde)


Sei não... Epicuro afirmou que o desejo é a causa de todos os males, pois, como não conhecemos o amanhã, com seus acontecimentos, se os desejos irão ou não se realizar, seria uma perda de tempo deixar de gozar os prazeres possíveis esperando o talvez ou o impossível acontecer.

A lógica é a de que gozar pequenos prazeres no tempo presente é melhor que esperar o grande desfrute acontecer num tempo futuro. Para Epicuro, esperar pelo futuro, despendendo energia nele, necessariamente é abrir mão de viver o presente com a intensidade devida.

Epicteto, o escravo, falou: "Desterra de ti desejos e receios e nada terás que te tiranize", afirmando que somos escravos dos desejos e medos, de quem devemos nos livrar.

Buda, Shopenhauer, Sócrates e outros seguem esta linha de pensamento. Benjamim Franklin chega a dizer que, mesmo realizados, os dsejos trariam mais aflições que prazeres.

Contrariando esta tese dominante, de que os desejos devem ser contidos, Jonathan Swift ressalta: "O método estoico de enfrentar as necessidades suprimindo os desejos, equivale a cortar os pés para não precisar sapatos".

Swift, com isso, afirma que o controle ao desejo é tão prejudicial a nós quanto os ditos males advindos do ato de desejar, pois isto significa contrariar a natureza humana, o que causaria mal em igual teor.

Os filósofos citados anteriormente apresentam a razão como meio de suprimir o que para eles é a fonte da infelicidade, que é o desejo, já Swift é partidário da liberdade emocional, lugar em que os sentimentos se sobrepõem  à razão.

Oscar Wilde coloca-se entre essas duas formas distintas de ver a questão e com isso nos traz mais uma angústia a respeito do tema: "Neste mundo há apenas duas tragédias: uma a de não satisfazermos os nossos desejos, e a outra de os satisfazermos."

É... Não tem saída...

Podemos desejar, mas não a ponto de tornarmos escravos dele, e controlá-los, mas não a ponto de tornarmos escravos do controle.