Esta é uma representação de um diálogo possível
sobre Política.
EPICURO: Você, Aristóteles, viveu numa
Atenas que dava respaldo à sua teoria. Com o avanço de Alexandre Magno e sua
política monarquista no lugar da democracia ateniense tudo se transformou. O
homem grego de meu tempo não tinha mais a liberdade e procurava novas formas de
encontrar a felicidade. Assim, entendi que o homem não precisa de razões
exteriores a si para ser feliz, podia ser feliz por si mesmo através da paz de
espírito e tranquilidade. Isto se consegue não através da busca da justiça, mas
através da amizade. O homem deve afastar-se das coisas da política e da
sociedade para ter maiores chances de felicidade.
MAQUIAVEL: Eu vejo que o governante deve
fazer de tudo para manter o seu poder, pois os fins justificam os meios.
Discordo de Aristóteles quando alia governo com a virtude. A moral e seus
valores devem passar ao largo da forma de governar porque elas limitam as ações
de quem governa. A ação do governante deve dirigir-se pela objetividade, pois
nas questões de Estado há virtudes que, para a sociedade representam vícios e o
que importa, para o governante, é manter
a estabilidade social a todo custo.
ROUSSEAU: O homem é livre em sua
essência, mas esta liberdade é relativa no corpo social, pois convive com
outras liberdades. Penso que deva haver um contrato social, onde as
individualidades dão direito a um terceiro, o governo, de legislar. Neste
contrato, a soberania pertence ao povo, à vontade geral. O governo serve como
corpo intermediário da vontade do povo. A lei expressa a vontade geral,
garantindo a justiça e a liberdade. O legislador manda nas leis, não nos
indivíduos. Por fim, a política é exercida em vista do bem comum, acima dos
interesses particulares.
HOBBES: Penso que o contrato social seja
inevitável, pois os homens nascem competitivos e precisam da força do Estado
para controlar seus instintos. Discordo de Aristóteles quando diz que o homem é
naturalmente sociável. Não condiz com a verdade, pois vê o outro como
concorrente, sendo a união movida por interesses. O homem fica entre o seu
instinto natural e a obrigação racional da convivência, fazendo com que o
contrato social seja a única saída. Deste modo, a monarquia é o melhor modelo
de governo, pois o monarca legisla com a obediência de todos. Neste contrato, o
indivíduo renuncia seu direito natural, de razão e liberdade, e o entrega a um
terceiro, a quem chamo leviatã, o soberano.
AGOSTINHO: Assim como há um reino de
justiça pós-vida, deverá existir aqui também este mesmo reino, para que haja
concórdia entre as pessoas, ou seja, a paz celestial deve ser reproduzida
através da paz terrena. Este bem conviver está prescrito por Jesus através do
mandamento “amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo”. O
homem é um peregrino na terra e deverá buscar nesta pátria terrena a maior
proximidade possível com a pátria celestial.