segunda-feira, 4 de maio de 2015

Reunião de Filósofos 1 - O Bem Viver


AGATÃO: Sejam bem-vindos caros amigos. Começo o debate perguntando com se dá o bem viver.

ARISTÓTELES: Caros amigos, penso que a vida boa é aquela vivida na virtude e no equilíbrio, sempre em busca da felicidade. A felicidade é o fim que natureza humana visa. Ela se encontra na atividade, pois não está acessível àqueles que passam a vida adormecidos. Ela não é uma disposição. À felicidade nada falta, ela é completamente auto-suficiente. É uma atividade que não visa a mais nada a não ser a si mesma. O homem feliz, basta a si mesmo. Porém, é bom lembrar, não existe felicidade fora da prática da virtude; assim, cada um é feliz na medida em que cumpre a sua missão. A felicidade só resulta do cultivo da virtude.

EPICURO: Concordo que o comedimento seja a forma de bem viver. No entanto, penso a felicidade como algo abstrato, pois não há como quantificar o que é sentido, nem se pode sentí-la o tempo todo. Existe sim momentos felizes, que só se consegue através do prazer. Então, há momentos bons e momentos tormentosos; desta forma é o prazer quem basta a si mesmo e é a melhor forma de ser feliz. E com isso digo que, ao contrário de Aristóteles, não deve ser conquistado o prazer como o amigo diz que deve ser a felicidade, pois o prazer verdadeiro está justamente na tranquilidade da alma, na busca da paz espiritual. Conquistas requerem dissabores e momentos custosos e tormentosos. Não te pareces uma perda  passares tempo demasiado lutando por um ínfimo momento de felicidade, já que para você a felicidade é o fim?  E aquele tempo que passou buscando a felicidade, não seria melhor aproveitado se prazeirosamente vivesse cultivando as amizades, por exemplo? Um descanso, talvez? Lembro-me das dores que os cálculos renais me impingiam. Não há nada pior, nem tão contrária à boa vida, que a dor. Somente livre da dor eu conseguia ser feliz. O extremo oposto à dor é o prazer, então, se a dor é o que há de mais nefasto à boa vida, o prazer deve ser o que há de melhor. Lógico e simples.

ARISTÓTELES: Tem razão o amigo, é um raciocínio bastante simples! O prazer é um meio e não um fim. Ao querer prazer, é a felicidade que se busca. Não te parece, caro Epicuro, que uma mãe escolha passar por todas as agruras da gestação, parto, cuidados, etc, para ter um filho, um indício de que vale a pena momentos de sofrimento para conquistar a felicidade da maternidade? É incompatível com a passividade. Felicidade é ter algo o que fazer, ter algo o que amar e algo que esperar...

 EPICURO: No caso da concepção, caro Aristóteles, é imperativo dizer que tem mais a ver com um processo natural do que propriamente com um modo de viver. Então, o melhor é passar pelo processo da forma mais tranqüila e com o menor sofrimento possível. Tanto menos sofrível, mais prazeroso será no caso de a vocação paterno-maternal aparecer com força e decisão. Devo dizer que só há um caminho para a felicidade: não nos preocuparmos com coisas que ultrapassam o poder da nossa vontade. Assim, se é de nossa vontade ter um filho, que o tenhamos com a maior serenidade possível. Esta vontade, no entanto, não deve ser fruto da necessidade. Lembro-lhes, caros amigos, que a necessidade é um mal, porém, não temos a necessidade de vivermos nela. Para terminar este primeiro momento de explanação, deixo como reflexão a ideia de que não somos senhores do nosso amanhã e por isso não devemos adiar o gozo do prazer possível hoje. Não devemos consumir nossa vida a esperar e morrer empenhados nessa espera do prazer.

AGOSTINHO: Mas não esqueçamos, Epicuro, que a tristeza de ter perdido não pode superar a alegria de ter possuído. Isto pode significar, caro Epicuro, que alguns sacrifícios podem ser tão ou mais prazerosos quanto fugir deles. É preciso buscar sempre o que é bom; e o que é bom vem de Deus. Viver bem é viver em doação, em comunhão com o próximo. Necessitamos uns dos outros para sermos nós mesmos. Para alcançar a felicidade devemos reproduzir aqui na terra os prazeres do paraíso que são - neste caso concordo contigo - aqueles ligados à alma. A verdadeira felicidade só existe na Pátria Celestial, cabendo a nós buscar chegar o mais próximo possível dela, através da prática do bem. Concordo com Aristóteles de que a boa vida é aquela vivida na virtude, devendo-se com isso afastar-se dos vícios, principalmente do orgulho, que é a fontes de todas as fraquezas, porque é a fonte de todos os vícios. Isto significa que devamos ser humildes para evitar o orgulho, mas voar alto para alcançar a sabedoria.

NIETZSCHE: Vocês racionalistas e cristãos deturparam o conceito de bondade e transformaram tudo o que é natural, bom e prazeroso em algo feio, sujo, pecaminoso, etc, quando bem viver está retratado no modelo dionisíaco da celebração da vida e o vigor da potência humana. Racionalizaram e puseram regras em tudo, chamando de virtude o que na verdade oprime o bem viver. Orgulho, Agostinho, é uma virtude, não um mal. Vocês tiraram o sapo do pântano e o puseram no deserto dizendo: viva aí! Nossa natureza não é compatível com piedade, compaixão, pena, humildade e demais vigarices expostas no ideário racionalista e cristão, que só servem para atormentar as consciências e oprimir as vontades. O medo se tornou o pai da moralidade. E usam como juiz um Deus! Deus opressor, que não dança, não se alegra e passa o tempo todo exigindo louvores. Não é a força, mas a constância dos bons resultados que conduz os homens à felicidade. E bons resultados só são conseguidos através do exercício da vontade livre. Agostinho propõe o sacrifício como um meio de bem viver, tal e qual o Jesus que acredita. Quem, em prol da sua boa reputação, não se sacrificou já uma vez a si próprio? Tornou-se mais fácil lidar com uma má consciência do que com uma má reputação. Assim, é pelas próprias virtudes que se é mais bem castigado.

SÓCRATES: Se não estou equivocado, Nietzsche propõe que revivamos o mito, onde a crendice e a passionalidade devam reinar. Alerto que o emocional é um campo fértil para a ignorância orgulhosa. Sábio é aquele que tem consciência da própria ignorância, e isto só é alcançado pela humildade e racionalidade, que estão libertas das vaidades. Existe apenas um bem, o saber; e apenas um mal; a ignorância. Deve-se procurar o saber desde a mais tenra idade. O que deve caracterizar a juventude é a modéstia, o pudor, o amor, a moderação, a dedicação, a diligência, a justiça, a educação. São estas as virtudes que devem formar o seu caráter e levar o individuo ao bem viver.

NIETZSCHE: Não digo...

DIÓGENES: Mas não podemos esquecer, Sócrates, que somos seres da natureza e esta é nossa principal característica. Não podemos correr o risco de que racionalidade imponha ao conjunto da sociedade regras morais, que obrigue a todos cumpri-las conjuntamente. Não somos um conjunto, somos individualidades...

NIETZSCHE: Bravo!...

DIÓGENES: No entanto, Nietzsche; devo dizer contrariamente a ti, que os piores escravos são aqueles que estão constantemente servindo as paixões. Portanto, vivamos sem rédeas racionais demais que nos aprisionam a um modelo de sociedade e, mais ainda, sem rédeas emocionais que nos aprisionam aos desejos de riqueza e ao apego. Digo que para viver basta aquilo que cabe em um prato diariamente; não podemos ser decentes se temos mais do que necessitamos, pois estaremos ferindo nossa natureza em detrimento do conforto, que não nos pertence em estado natural. Devemos exercer o desapego às coisas que nos são materialmente mais caras, não apenas por virtude, não para obter consideração dos outros, mas para sentirmo-nos livres, porque nossa natureza é livre. Há algo que temos mais apreço que a própria vida? Pois digo que só é verdadeiramente livre quem está sempre pronto a morrer.

MARX: Concordo que estar pronto a morrer seja algo inerente à liberdade e, também, no que tange a ganância - que não deve ser confundida com melhor condição de vida – sendo que devo dizer: Quanto menos comes, bebes, compras livros e vais ao teatro, pensas, amas, teorizas, cantas, sofres, praticas esporte, etc., mais economizas e mais cresce o teu capital. És menos, mas tens mais. Este é o ideário capitalista e não é o ideário de vida boa, o ideário de vida boa não é ter mais e sim ser mais, sem que as paixões e atividades sejam tragadas pela cobiça. Também concordo que a vida que temos é esta aqui e esperar pela Pátria Celeste apontada por Agostinho é uma ilusão, pois esta não existe. Foi uma forma encontrada para conformar a classe mais baixa a fim de que ela permaneça apegada a esta ideia de recompensa futura sem questionar sua própria dominação. Então, caro Diógenes, a vida em sociedade é inevitável, o que quer dizer que haverá produção e consumo através do trabalho, fazendo com que a melhor forma de viver seja a busca por uma melhor situação. A luta de classes se torna inevitável, e participar ativamente dela é preciso, para não se tornar escravo...

DIÓGENES: Devo então acender minha lamparina e dizer-te: só se transforma em escravo quem quer, só participa desta sociedade quem quer fazer parte da imoralidade dela e de seu jogo usurpador da decência, tornando-se também indecente...

MARX: É muito fácil acender a lamparina e apontar para os outros, qualquer um pode fazer isso...

DIÓGENES: Só pode carregar minha lamparina, quem carregar também o meu cajado...

ARISTÓTELES: Diógenes, caro Diógenes, o homem é um animal político; só é completo em sociedade. A vida que propões pode tornar o homem livre; é verdade, mas o deixa incompleto, solitário e, talvez, infeliz. Como sua própria corrente filosófica se coloca, de viver como vivem os cães, é apropriada aos cães. Os homens possuem outras razões para viver.


MARX: E digo mais: o que há de errado em beber um pouco melhor, comer melhor, se divertir, sem que isto gere ganância? Diferentemente de Epicuro, acredito que é na ação que é despertado o animal político dito por Aristóteles. E se há política, há luta, e é nela que o sujeito se realiza e se complementa. O espaço deve ser conquistado. A história da humanidade até os dias de hoje é a história da luta de classes. E nós filósofos, buscamos através da história interpretar o mundo, quando deveríamos modificá-lo. Tudo o que era sólido se desmancha no ar, tudo o que era sagrado é profanado, e as pessoas são finalmente forçadas a encarar com serenidade sua posição social e suas relações recíprocas. Ressurgir contra isso e conquistar o espaço político é o bem viver, porque o faz racionalmente na busca de um conforto que o mundo e a inteligência produzem, sem travar seu instinto de competição, que a emoção exige.



segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Da doação

Amar é aquele momento em que deixar de ser você mesmo para ser o outro é a mais feliz e prazerosa forma de ser...
Você mesmo!

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

sexta-feira, 18 de julho de 2014

SOBRE O AMOR

Todo tipo de amor (romântico, filial, fraterno, paterno-maternal) 
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é uma forma de buscar felicidade e encontrar um quinhão de dor.







O amor não é como estar à sombra em um dia quente, 
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é como estar num sol escaldante.


                                                      
O amor não é só a segurança da criança no colo da mãe, 
         Resultado de imagem para imagens de filhos mortos no colo da mãe    mas o medo de um dia não estarem ali, uma ou outra.


É um lugar sem controle!



O amor não possui a serenidade da água parada, 
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mas o perigo da correnteza.



O amor é lugar de incertezas, luta, busca...

Resultado de imagem para imagens de trovoes e relampagos                    É um lugar intranquilo!




Mas é o lugar onde queremos estar!


terça-feira, 17 de junho de 2014

terça-feira, 3 de junho de 2014

NIETZSCHE E O SAPO

"Ô vida boa, sapo caiu na lagoa..."


É o sapo em seu habitat natural, sem controle, vivendo a vida como deve ser vivida.


Por isto a canção diz: "Ô vida boa!"



E nosso habitat? Qual é?
Para Nietzsche, é o lago das emoções. É ali que nos encontramos e somos felizes. Um lago natural, sem regras para banhistas.
Por séculos, acusa Nietzsche, os racionalistas impuseram ao ser humano um modo de viver não-natural, impingindo a todos normas de conduta que vão contra a natureza humana.
Esta visão segue em vigência ainda hoje como regra geral.
É como se obrigassem o sapo a viver numa terra árida.
Querer que os seres humanos sigam as regras da razão é forçar a fazer algo diferente daquilo que somos naturalmente propensos a fazer. É viver uma vida de mentira!
É como se um camelo (racionalista), por ser forte no deserto, obrigasse os sapos a viverem lá com ele, seguindo suas normas e fazendo os sapos acreditarem que, se quisessem sair de lá, iriam cair num abismo de fogo.
Sabemos que Sapos não foram feitos para viver no deserto.
Sapos vivem naturalmente próximos a lagoas.
Assim como os humanos devem naturalmente seguir seus instintos e não sua razão.
É o Mito da Caverna às avessas!
Para Nietzsche, os sapos precisam voltar à lagoa para viver verdadeiramente.
Viver verdadeiramente é viver com emoção, viver racionalmente é viver preso.
E nascemos para viver livres!
Então, a verdade nos libertará? 
Não! É a liberdade que nos leva à verdade.
Não se pode viver a verdade se é a razão quem nos diz como agir, coagindo-nos.
A mentira aprisiona a emoção.
E a razão é, ao mesmo tempo, carrasco e o juiz.
Nademos, então, no lago das emoções, como um sapo feliz!

terça-feira, 13 de maio de 2014

Ideias em Pauta



Uma mesa de debates, intitulada "Ideias em Pauta", aconteceu na aula de Filosofia na EMEB João de Barro, em Sapucaia do Sul. Foram convidados como palestrantes debatedores os professores Felipe (matemática), Priscila e Evelise (Ed.Física), Leo (Português), Jefferson (sociologia) e o Aux. de Disciplina Edson. Os trabalhos foram mediados por mim, Omar, da Filosofia.


Participaram como plateia as turmas de Filosofia I e II, de matemática e Ed. Física, que ditavam os temas a serem debatidos. Os temas propostos foram: Copa do Mundo no Brasil, a campanha "Somos Todos Macacos", Infidelidade e, por último, Facebook e as Redes Sociais.

Eis aqui alguns momentos:

COPA DO MUNDO:

"Sou totalmente contra as manifestações com quebra-quebra, as pessoas que nos visitarão não tem culpa de nossas dificuldades e mazelas. Prefiro acreditar que algo de bom ficará como legado." (Evelise)






"Em outros países também se apresentaram problemas com aceitação do evento. Geralmente, eles (organizadores) mostram somente as coisas positivas para os outros países." (Priscila)





"Na época em que o Brasil se candidatou era outro momento, o país queria se mostrar ao mundo como estratégia de governo" (Leo)






"O grande legado da copa é que ela se tornou uma oportunidade de discussão sobre saúde, educação, segurança, moradia, etc..." (Omar)









"A logomarca da copa é uma piada pronta. Aquelas mãos em volta da taça está dizendo: 'todo mundo vai meter a mão'." (Edson)







"A ideia de reunir os países em torno de um evento é maravilhosa, no entanto, eu não vejo uma grande felicidade nas ruas". (Felipe)









"Como tudo na vida existe o real e o imaginário, é preciso então usar este momento, a magia da copa, para discutir o que é real para nós". (Jefferson)


SOMOS TODOS MACACOS:

"Nas redes sociais se percebe um movimento pró-frase que não se vê na vida social. As pessoas ficam melindradas e se ofendem a qualquer coisa que remeta a alguma diferença. Há um descompasso entre o que se passa no virtual daquilo que se percebe no real." (Priscila)

"Vejo um total preconceito dentro desta frase/campanha. Não podemos ter esta atitude de aceitação passiva, como se o preconceito fosse algo normal." (Felipe)

"Sou a favor deste tipo de campanha, pois, embora tenha este viés passivo, não deixa de ser um forma de reação". (Leo)

"Vejo nesta frase uma dimensão de igualdade, ou pelo menos é sua intenção." (Edson)


FIDELIDADE

"Ouvi uma psiquiatra/psicóloga falar, certa vez, o seguinte: ou você se entrega ao desejo e trai a pessoa que está contigo, ou você reprime o desejo e trai a si mesmo." (Leo)

"A fidelidade é uma questão de acordo que deve ser respeitado, como um contrato". (Felipe)

"O ideal é buscar a felicidade no relacionamento em que se está, cada dia redescobrindo e (re)significando a relação. O desejo do que não se tem causa sofrimento e dor". (Jefferson)

"A monogamia parece ir contra a natureza de desejar e vivenciar vários relacionamentos sem estar preso a nenhum, mas foi o caminho que a humanidade escolheu e aceitou socialmente." (Omar)


FACEBOOK E AS REDES SOCIAIS

"As pessoas estão levando muito a sério e há uma ânsia em mostrar-se através das postagens, necessidade de mostrar sua opinião". (Felipe)

"Em minha juventude não tive contato com todas estas inovações. Penso que temos que saber usar e excluir o que é 'bobagem'. O que me encanta na tecnologia atual é que ela serve como veículo para me aproximar de amigos que estão distantes". (Leo)

"As inovações tecnológicas mudaram a forma de diversão da garotada de 15 anos. Antes, dançava-se numa festa, hoje ficam todos pelos cantos com seus celulares na mão". (Priscila)