sábado, 19 de outubro de 2013

O Banquete: Um Diálogo Possível Sobre a Origem da Vida

O BANQUETE
          NARRADOR: Agatão reuniu em sua casa vários pensadores da humanidade, que através dos tempos refletiram sobre diversos pontos da existência humana. Queria saber a opinião deles sobre a origem da vida, a verdade, o conhecimento, a essência das coisas, a transitoriedade...
          De um lado da mesa estavam Parmênides, Sócrates, Platão, Aristóteles, Zenão de Cítio, Santo Agostinho, Descartes e Rousseau. Do lado oposto estavam sentados Heráclito, Protágoras,  David Hume, Nietzsche, Thomas Hobbes, Kant, Jean Paul Sartre e Edmund Husserl, que tomou a última cadeira disponível.
          Agatão saldou os convivas, agradeceu as presenças e foi logo indagando:
          AGATÃO: Vamos começar este simpósio refletindo sobre a primeira das indagações: Como surgiu a vida?
HERÁCLITO: Deve ter havido um elemento primeiro que deu origem a todos os outros. Pitágoras, por exemplo, acreditava ser a água, Demócrito dizia existir partículas indivisíveis denominadas átomos. Outras teses de outros filósofos foram apresentadas e eu acredito ser o FOGO este princípio, porque sua chama é a representação viva da transitoriedade da vida, porque tudo nasce, cresce e morre. Assim é o fogo! Ora está mais aceso, ora mais apagado, até que fenece quando não é mais alimentado. Tudo é transitório, o rio em que você se banhou ontem, já não é mais o mesmo se hoje entrar nele, já não será mais a mesma água.

PARMÊNIDES: Tolice o que dizes! O ser, aquilo que existe, é permanente e imutável. O ser é e o não ser não é. O ser é desde sempre e sempre será, pois mesmo que morra continuará sendo porque foi um dia existente. O dá qualidade de existência à água é a sua essência. A água de hoje será a mesma de amanhã, como a água de um copo é a mesma de outro, pois o que importa são os seus atributos.
          
HERÁCLITO: O mundo existe pela força dos contrários, ora é água quente, ora água fria. É o movimento dentro do que permanece.
 KANT: Sobre o fogo, considero uma teoria interessante, pois suas duas atribuições básicas, luz e calor, são substâncias próprias de uma matéria sutil e elástica uniformemente difusa, que é por onde os corpos agem uns sobre os outros. Deste movimento formou-se a vida.
          

ZENÃO DE CÍTIO: Penso que uma Mente Criadora  fez tudo perfeitamente em seu devido lugar, cabendo a nós seguirmos o fluxo dos acontecimentos. Se tudo está perfeitamente posto não há porque agirmos contrariamente a eles. Vamos simplesmente aproveitar as benfeitorias da natureza.


SANTO AGOSTINHO: Pois eu acredito que Este princípio criador é Deus, onipresente e onisciente, Aquele que tudo criou...
          


ARISTÓTELES: É uma ideia plausível, a de um Deus único... Tudo o que foi gerado no mundo possui uma causa, pois nada pode existir se algo não lhe causar ou não criar tal existência. Todavia, há que existir uma causa primeira que causou todas as outras sem ser causada, a quem dei o nome de Primeiro Motor Imóvel. Ele é o supremo bem e a suprema beleza e funciona como um imã a atrair todos os outros seres, pois todos os seres são atraídos pela ideia do bem e da beleza. Ele é o ser de Demócrito, eterno e imutável; e talvez seja o Deus de Agostinho. Todas as outras coisas são passageiras como diz Heráclito.

PLATÃO: Meu querido discípulo, sempre mediando conflitos! Acredito que existam dois mundos distintos: o mundos das ideias e o mundo sensível. O mundo das ideias é representado pela alma e o mundo sensível pelo corpo. O primeiro é imutável e permanente, o segundo é transitório e passível de enganos. Para cada ser existente no mundo sensível, há um outro, perfeito e belo, no mundo das ideias. Os seres do mundo sensível são, portanto, cópias imperfeitas do mundo das ideias.
          
HUSSERL: Penso que mais importante que saber a origem das coisas é compreender o mundo.
          



PROTÁGORAS: Concordo com Husserl. Não se discute a existência ou não das coisas, nem sua origem, mas a sua relação com o homem e a forma como este as percebem.
          


SÓCRATES: O importante é conhecermos a essência das coisas...
          




JEAN-PAUL SARTRE: A essência não é tão importante quanto existir, pois nascemos do absurdo, do nada, e para o nada voltaremos. De todos que falaram até agora o mais sensato foi Heráclito, pois a transitoriedade é fato consumado, tudo nasce e morre. Não existe uma força criadora, o ser só é enquanto existe e não há essência pré-determinada nos seres. Se assim fosse, não existiria liberdade, esta sim, nossa única condenação.
          
SÓCRATES: Pode o nada criar algo? O que é o nada? Afirmar que somos gerados do nada, não seria uma forma de misticismo passivo? Acredito que devemos procurar a verdade para encontrar esta essência criadora. Você parece tê-la encontrado, a seu modo, quando afirma que a liberdade é nossa condenação, talvez seja a liberdade a nossa essência, embora esta afirmação ainda careça uma averiguação mais profunda.
         
SARTRE: Volto a afirmar, não temos uma força criadora e, portanto, não temos uma essência que exista antes de nós. Nossa essência se formará conforme nossas escolhas, somos frutos delas e livres para fazer o que quisermos, estamos aí como obra do acaso.
          
SÓCRATES: Vou aceitar, para efeitos de raciocínio, que a liberdade seja comum a todos indistintamente e nossa primeira atribuição. Nesse caso, estaria aí a nossa essência?
          
SARTRE: Agora a falácia é sua, parece um sofista! Se há uma essência, estamos presos umbilicalmente a ela. Nesse caso, como pode haver liberdade? Seria uma contradição.
           
ARISTÓTELES: Não há provas de que a liberdade seja universal e que exista plenamente; e mesmo que exista, há outras atribuições comuns a todos os homens que estão em sua essência, como a racionalidade por exemplo.
          
SARTRE: A liberdade só existe se for plena, não se é meio-livre, como não se pode ser meio-morto.
          
SÓCRATES: Então, acabas de aceitar que a liberdade possui como atribuições a universalidade – já que é comum a todos - e a imutabilidade. Estás rejeitando, nesse caso, a transitoriedade de Heráclito, a quem elogiou.
          
SARTRE: Ao contrário, é justamente a liberdade quem nos dá a possibilidade e garantia do transitório, pois através dela escolhemos ser ou deixar de ser.
         
ROUSSEAU: Os homens nasceram livres e por toda a parte estão aguilhoados. A liberdade é parte da essência do ser humano. Foi o próprio homem quem, através de suas ações mesquinhas e egoístas, fez-se preso.
          

SANTO AGOSTINHO: Essa liberdade vem de Deus, que nos deu o livre-arbítrio.
         
NIETZSCHE: Se por todos os lados só existam homens acorrentados, como afirmou Rousseau; e a liberdade vem de Deus, como afirmou Agostinho; onde está a autoridade divina? Como este Deus, que deu a liberdade, deixou que lhe fosse tirada? Um Deus sem autoridade é um Deus fraco e um Deus fraco não sobrevive! Então, devo declarar: Deus está morto!
        
DESCARTES: É óbvio que existe Deus, o único e incontestável Ser Perfeito. A primeira prova é a de que temos uma ideia de perfeição e, como seres imperfeitos,  não poderíamos tê-la sem que algo perfeito a impusesse a nós. Outra prova de Sua existência é que se nós - que temos a ideia do que é perfeito - tivéssemos criados a nós mesmos, teríamos nos feito perfeitos. Além do mais, o imperfeito não pode criar algo perfeito, pois não está ao seu alcance. Então, apenas alguém perfeito pode ter criado a tudo perfeitamente e Este Ser é Deus.
          
NIETZSCHE: Não foi Deus quem nos criou, fomos nós quem o criamos. Desde que a razão passou a comandar nossas ações, impondo-nos regras e violentando nossa vontade, houve a necessidade da presença de um Deus forte e opressor, a fim de nos causar medo e garantir que cumpríssemos com as regras estúpidas da razão.
         
HERÁCLITO: Deus é o dia e a noite, o inverno e o verão, a guerra e a paz, a abundância e a carência; ele se converte em outro tal qual o fogo misturado aos aromas; ele é a força dos contrários, chamado como melhor agradar a cada um.
         
AGATÃO: Este é realmente um tema de complicada resolução, pois possui muitas nuances e questões intransponíveis, como a fé, por exemplo. Convido a todos a passar para um outro debate: o conhecimento. O que é e como se adquire são algumas perguntas das quais refletiremos.






quarta-feira, 16 de outubro de 2013

O Banquete - Alunos Debatem Sobre Conhecimento

A turma de Filosofia II / 2º semestre de 2013 da EMEB João de Barro fez uma representação de "O Banquete" do filósofo grego Platão. Cada aluno representou um filósofo e defendeu as ideias de seu pensador como se fosse o próprio.
Agatão, o mesmo anfitrião de "O Banquete", desta vez estendeu convites perpassando a história do pensamento e o tema posto em questão foi o conhecimento.

Os diálogos foram filmados em DV pelo Professor Jeferson, de Sociologia e as fotos aqui expostas foram tiradas do vídeo.




Participaram, além do próprio Platão, Sócrates, Aristóteles, Protágoras, Epicuro, John Stuart Mills, Thomas Hobbes, David Hume, Renee Descartes, Immanuel Kant, Nietzsche, Sartre e Edmund Husserl. 

Rousseau, Agostinho e Sêneca receberam convites, mas não se fizeram presentes.

Abaixo, alguns argumentos filosóficos acerca do conhecimento:


Descartes 
 por Henrique D'Ávila (foto)
De tudo duvido, até de minha existência, só não posso duvidar de que eu duvido. Se eu duvido, eu penso; se eu penso, eu existo. Somente a razão tem a faculdade de pensar, então somente ela é capaz de conhecer.



David Hume 
 por Estevão Garcia Fonseca (foto)
Todo conhecimento deriva da experiência, pois todas nossas ideias têm origem na impressão dos sentidos. Não há conhecimento fora das impressões dos sentidos, pois não há ideia sem uma impressão prévia. As ideias são memórias enfraquecidas no pensamento, enquanto que os sentidos são vivos e intensos. 



Sócrates 
 por Amanda Lemos Fonseca (foto)
Só sei que nada sei e quanto mais sei, mais sei que nada sei. Eis a minha máxima. Parto do princípio de que é preciso despojar-se da arrogância como atitude importante de iniciação ao conhecimento verdadeiro. É preciso um método em que perguntas atinjam uma verdade que seja universal e inquestionável, despojando-se das crenças e atingindo a luz através da razão.

Protágoras 
 por Guimel Ramos da Veiga (foto)

O homem é a medida de todas as coisas, das que conhece e das que não conhece. Quero dizer que a medida do conhecimento é particular segundo a capacidade de cada indivíduo em conhecer. Assim, não existe conhecimento pleno, pois não há como conhecer tudo; nem verdades absolutas. Tudo é relativo a cada indivíduo.



Platão 
 por Felipe Nunes (foto)
Somos constituídos de corpo e alma. A alma é relativa ao mundo das ideias, onde tudo é perfeito e imutável. O corpo pertence ao mundo sensível e é falível como são os sentidos. A alma, antes de chegar ao corpo, já participara do mundo das ideias e seu contato com o mundo sensível a fez esquecer do que é bom e belo, afastando-a do conhecimento. As experiências apenas fazem a alma relembrar do que já conhecia do mundo das ideias. Os sentidos são passíveis de engano, então é preciso entregar à razão a tarefa de conhecer.

Aristóteles 
 por Tainá da Silva Pires (foto)
Amo Platão, meu mestre, mas amo mais a verdade! Digo que não há conhecimento que não tenha passado pelos sentidos. A razão fica com a tarefa de dominar as paixões e inclinações para que possamos viver equilibradamente. Alma e corpo pertencem a um mesmo mundo natural, fazendo ambos parte da nossa natureza e o estudo dela é que nos traz respostas. Portanto, o conhecimento vem da pesquisa, é na ciência que o encontramos.



Friedrich Nietzsche 
 por Leonardo M. P. Oliveira (foto)
Discordo de que as paixões devam ser dominadas; ao contrário, são elas que impulsionam a vida. Esta busca por tudo conhecer é desnecessário e os racionalistas colocam sem razão a própria razão num pedestral. Essa preocupação limita o intenso viver, pois nem tudo é facultado conhecer, somente aquilo que está possibilitado à razão humana. Portanto, devemos nos preocupar com o que podemos conhecer e deixar de lado aquilo que nos é impossibilitado. O homem não quer conhecer por vontade, mas por temer o desconhecido.

Epicuro 
 por Márcio Filipe Rodrigues (foto) 

Concordo de que busca desnecessária traz inquietude e atrapalha o bem viver. O conhecimento tem origem nos sentidos e valorizo a experiência imediata que forma, junto com os conhecimentos anteriores, o verdadeiro conhecimento. Então, posso concluir que o conhecimento se revela num conjunto de percepções arquivadas em nossa memória.

  


Immanuel Kant 
 por Mariane Gomes Kluge (foto)


Penso que existe o conhecimento a priori, relativo à razão, intrínseco a nós, independente da experiência, que não precisamos vivenciar para conhecer e existe também o conhecimento a posteriori, que só se adquire após vivenciar. Somos este conjunto de saberes: alguns já possuímos em nossa consciência, outros adquirimos através da experiência. 


John Stuart Mills 
 por João Pierre Silva dos Santos (foto) 

Todo conhecimento vem da experiência que pode ser intuitivo ou inferido. Intuitivo é aquele que eu vivencio ou vi, como por exemplo, quando sinto uma dor; não há dúvida de que eu a estou sentindo. Inferido é aquele que aprendi através de um meio exterior, como por exemplo, que o Brasil foi campeão em 1958; eu não presenciei, mas a pesquisa e análise de fatos que disponho me farão inferir que o fato é verdadeiro.


Thomas Hobbes 
 por Fricieli Costa Fernandes (foto)
A mente humana é desprovida de qualquer representação anterior à experiência. As reações humanas apresentam-se como vivências, sentimentos e impulsos. Então, como conhecemos? Em primeiro lugar vem a sensação, ilusória e aparente, não estando nos objetos, mas provindo deles. Depois temos a imaginação, que é a ilusão que se guarda na memória, sendo esta a lembrança da ilusão presente; chega-se, então, à experiência, fonte do conhecimento.

Jean Paul-Sartre 
 por Rafaela Soares de Vargas (foto) 

As ideias ou as essências não são anteriores às coisas, pois não se acham previamente contidas, nem na inteligência de Deus, nem na inteligência dos homens. Assim acontece com o conhecimento. Temos o conhecimento intelectual, relativo à universalidade e à essência, que não passam de meras possibilidades, portanto inexistentes; e o conhecimento sensível, que é aquele em contato com os seres contingentes e particulares, os únicos que realmente existem e, portanto, possíveis de conhecer.

Edmund Husserl 
 por Djuli Angel Barbosa Braga (foto)
Para que haja conhecimento é preciso a interação entre o sujeito e o objeto. A forma como o sujeito percebe o objeto é o fenômeno, aquele que se apresenta. O conhecimento se dá quando o sujeito entra na esfera do objeto, capta as suas características e,  ao voltar para si, percebe que a imagem permanece, mas ele, sujeito, agora está modificado pela imagem do objeto que nele nasceu. Conhecer resume-se ao ato de como o sujeito capta o fenômeno, faz dele uma imagem e dá a essa imagem uma significação.

Outras imagens:


Momento descontraído do debate. Os alunos se divertiram com alguns argumentos utilizados pelos colegas. 

Porém, diversos momentos foram de debate acalorado, como o da imagem abaixo em que Sócrates (Amanda) interpela Nietzsche (Leonardo), observado por Epicuro (Márcio) que, mantendo sua habitual tranquilidade apaziguadora, sempre procurou a paz entre os debatentes.





terça-feira, 15 de outubro de 2013

Faroeste Caboclo - Minha Versão

Se alguém quiser ler, basta acessar o tópico http://omarluciano.blogspot.com.br/2013/11/faroeste-caboclo-clarisse.html  deste blog ou acesse a comunidade "Legião Urbana em Cena", no ORKUT
É só seguir as instruções tópico a tópico.




segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O Homem Venusiano Nos Tempos Atuais





O Homem Venusiano, também conhecido como Vitruviano (por ter sido iniciado pelo arquiteto romano Marco Vitruvio Polião) foi concluído em 1492 por Leonardo Da Vinci.


A figura foi apresentada ao mundo como representação das formas perfeitas, numa época em que o renascentismo fazia o pensamento voltar-se para o humano. No entanto, quero fazer uma reflexão sob ângulos que normalmente este desenho não é observado.

Em primeiro lugar podemos refletir sobre a ideia de perfeição que fascina o ser humano. Por que buscamos tanto a perfeição? Por que buscamos eliminar o imperfeito, a falta ou o que sobra?
Se tirarmos um braço da figura humana exposta, o quadrado e o círculo ficam tortos. Por que? Simples: o ser humano não é um ser geométrico, matemático, objetivo. Ele é subjetivo, sujeito de relações.

Pois como disse Dostoievski: "o homem é esta realidade em dois mais dois não são quatro".

A figura parece atual também geometricamente falando.
Percebe-se que o Homem Venusiano está enquadrado dentro das figuras, aprisionado no círculo e no quadrado.
Então, quais são as nossas prisões?
Parece representação da sociedade atual que entra no círculo para dançar o quadradinho.



Há ainda uma análise sob ponto de vista de gênero, é um homem e não uma mulher quem representa a figura humana. Seria o homem mais perfeito que a mulher e, portanto, mais representativo? Influência histórica da hegemonia masculina a qual sucumbiu Da Vinci?

Não sabemos para onde vamos, pois não há para onde ir sem sairmos da prisão geométrica que a vida impõe, sem romper com os círculos e os quadrados que nos limitam.


De onde viemos, são duas as possibilidades possíveis como conclusão:
Havendo um Criador, somos filhos da solidão, uma vez que esta era a condição primeira Dele, pois antes de tudo criar, havia somente Ele.
Não havendo um Criador, somos filhos do ventre vazio do nada.

Algumas brincadeiras são feitas e aqui estão duas delas que ironizam a forma como pensa ou vive a sociedade.








Dia do Professor: Eu, Um Aluno

Aluno e professor são faces de uma mesma moeda. Afinal, onde termina o aluno e começa o professor? E onde termina o professor e começa o aluno?

Ainda me lembro dos meus tempos de aluno e algumas passagens. Tive professores maravilhosos e algumas passagens engraçadas. Fiz travessuras das quais não me orgulho, mas de certa forma me ajudaram para o futuro.

Quando estava no 3º ano, com nove anos, briguei com um amigo jogando futebol. Ele falou algo que não me lembro e eu disse que a mãe dele era barriguda. Para meu azar estávamos na frente da casa dele e sua mãe ouviu.

O problema é que a mãe dele era professora da 4ª série e a mais temida de todas. No dia seguinte ela mandou me chamar na sua sala de aula e me colocou na frente da turma dela e pediu que eu retirasse o que havia dito.

Não retirei!

Afinal, como uma criança de 9 anos diz para uma pessoa gorda que não é gorda sem mentir? Ou dizer que uma magra não é magra? Então, pediu que eu estendesse as mãos com as palmas abertas.
Ela batia com uma régua de madeira e dizia:
- Retira o que disse!
E eu:
- Não retiro!
Vlapt! Outra palmatória. Até que ela desistiu.

O que aprendi: Ser político pode ser menos dolorido para você e para a outra pessoa, mas, por outro lado, sua honra é seu patrimônio quando a luta for justa.
Continuei amigo do filho dela.

Aristóteles diz que a virtude está no meio, ou seja, numa postura equilibrada.
Isto aprendi mais tarde.

As coisas realmente mudaram:
Certa vez um professor jogou um sapato na cabeça de um colega ao meu lado por ele ter, numa leitura, pronunciado erroneamente os nomes de Rousseau, Richelieu e Montesqueau. Eu, que não fui o atingido, jamais esqueci as pronúncias. Imagina ele...


Este mesmo professor, certa feita, me fez sair de sala de aula e gritar bem alto por 10 vezes uma palavra em latim que eu havia errado. Alguns meses depois me colocou dar aula de latim para uma turma.
Mau professor? Errado, o melhor que já tive.
Educar não tem receita, às vezes um método pode ser ruim para um aluno e bom para outro.





domingo, 13 de outubro de 2013

Aristóteles e a massinha de modelar


Foto: Sou uma artista, eu sei u_u
Caricatura produzida pela aluna Bruna D’Ávila de Filosofia I / 2013-2º, segundo ela em "homenagem" ao amigo Derick, também aluno da EMEB João de Barro – Sapucaia do Sul - RS.

Para Aristóteles:
- Todo SER é uma SUBSTÂNCIA

- Toda SUBSTÂNCIA possui atributos que são sua ESSÊNCIA e ACIDENTE

- ESSÊNCIA é o que faz um ser ser o que é, isto é, o que determina o que é um ser é a sua essência. Assim, todos no grupo de um determinado ser a possui.
Ex.: Todas as massinhas de modelar são maleáveis. A maleabilidade/flexibilidade é essencial para que a massinha de modelar seja o que é.

- ACIDENTE é o que existe de diferente num mesmo grupo de ser.
Ex. As massinhas de modelar possuem tamanhos e cores diferentes.

- Há ainda os conceitos de MATÉRIA e FORMA
- MATÉRIA é aquilo de que a coisa é feita
Ex. a massinha de modelar pode ser feita com farinha, óleo e água
- FORMA está relacionada à ideia que damos a determinado ser.
Ex. Com farinha, água e óleo também podemos, com outros ingredientes, fazer por exemplo, bolinhos de comer, que não são massinha de modelar, mas bolinhos.

- Para Aristóteles, o que existe só existe porque possui CAUSA e são quatro:

- CAUSA MATERIAL: Aquilo de que a coisa é feita.
Ex. A moldagem da foto acima (produzida em sala de aula) foi feita com massinha de modelar
- CAUSA EFICIENTE: Aquilo com que a coisa é feita.
Ex. Mãos da aluna Bruna
- CAUSA FORMAL: Aquilo que a coisa vai ser.
Ex. Segundo Bruna, a caricatura de Derick, um amigo.
- CAUSA FINAL: Aquilo para o qual a coisa foi feita
Ex. Para ser apreciado (e, claro, zoar com o amigo Derick)


sábado, 12 de outubro de 2013

Minha eterna criança



A criança eterniza!
Mergulha no mar profundo da memória
Voa nas asas do tempo.
Herói existe!
Meu presente: passado e futuro
Viram um só

tornamo-nos únicos no amor!
Encontro-me no filho que fui e
No pai que sou!
Kelly Tauane, minha eterna criança
Que me faz criança...
Foto: A criança eterniza!
Mergulha no mar profundo da memória
Voa nas asas do tempo.
Herói existe!
Meu presente: passado e futuro 
Viram um só
 tornamo-nos únicos no amor!
Encontro-me no filho que fui e
No pai que sou!
Kelly Tauane, minha eterna criança
Que me faz criança...
com Kelly Souza

12 de outubro

Doze de outubro é celebrado o Dia da Criança e, para o mundo católico (muito presente em minha infância), o dia de Nossa Senhora de Aparecida.

Pedras Grandes - SC
Uma lembrança alia minha infância ao doze de outubro que homenageia a Santa Padroeira.
Em minha terra natal, Pedras Grandes, pequena cidade de Santa Catarina, costuma-se celebrar Nossa Senhora ao meio-dia atirando fogos de artifício numa bonita homenagem.

A cidade parecia explodir.
Tudo é mágico e maior na infância!
Aos 6 ou 7 anos, lembro-me, nesta mesma data (12/10), da pequena janela do banheiro meu pai acendeu um rojão; o cano para fora da janela e o suporte em que segurava o rojão para dentro.
Eu na porta observava.
Desta vez os tiros não foram para o alto, explodiram ali mesmo! Meu pai sofreu pequena queimadura na mão e seu rosto ficou pura fuligem. 
Do susto ao riso!
Meu pai nunca mais soltou um rojão!
Continuou devoto de Nossa Senhora.
Eu nunca acendi nenhum.





Filosofando: Teriam razão os empiristas, que dizem que aprendemos com as experiências ou os racionalistas, que dizem que as sensações servem apenas para embasamento e, portanto, quem só pode conhecer é a razão?

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Ostentação: Um outro hedonismo

Além do hedonismo de Epicuro (veja o link "O Verdadeiro Hedonismo"), há ainda uma visão atual da busca do prazer, pois se Epicuro o buscava através do controle das paixões para a tranquilidade da alma, o que se quer atingir hoje é a máxima satisfação destas mesmas paixões. Esta ideia está perfeitamente exposta num movimento em que os funkeiros chamaram de Ostentação. Nesta forma de hedonismo, não apenas se satisfaz o corpo, como também se atinge o prazer em ostentar o que se tem, uma visão perigosa que pode criar uma mentalidade voltada para o individualismo exarcebado. Se Soul Parsifal representa o hedonismo de Epicuro, como observado na postagem anterior, observe agora a letra desta música do Mc Guimê e faça sua reflexão:



  PLAQUÊ DE 100
Contando os plaque de 100, dentro de um Citroën,
Ai nois convida, porque sabe que elas vêm.
De transporte nois tá bem, de Hornet ou 1100,
Kawasaky,tem Bandit, RR tem também. (2x)

A noite chegou, e nois partiu pro Baile funk,
E como de costume, toca a nave no rasante
De Sonata, de Azera, as mais gata sempre pira
Com os brilho das jóias no corpo de longe elas mira,
Da até piripaque do Chaves onde nois por perto passa,
Onde tem fervo tem nois, onde tem fogo há fumaça.

É desse "jeitim" que é, seleciona as mais top,
Tem 3 porta, 3 lugares pra 3 minas no Veloster
Se quiser se envolver, chega junto vamo além
Nois é os pica de verdade, hoje não tem pra ninguém.

Nois mantem a humildade,
Mas nois sempre para tudo
E os zé povinho que olha, de longe diz que absurdo.
Os invejoso se pergunta, tão maluco o que que é isso,
Mas se perguntar pra nóis, nóis vai responder churisso,

Só comentam e critica, fala mal da picadilha
Não sabe que somos sonho de consumo da tua filha.
Então não se assuste não, quando a notícia vier a tona,
Ou se trombar ela na sua casa,
Em cima do meu colo, na sua poltrona.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Soul Parsifal - alma tranquila

Soul Parsifal
Ninguém vai me dizer o que sentir
Meu coração está desperto
É sereno nosso amor e santo este lugar
Dos tempos de tristeza tive o tanto que era bom
Eu tive o teu veneno
E o sopro leve do luar
Porque foi calma a tempestade
E tua lembrança, a estrela a me guiar
Da alfazema fiz um bordado
Vem, meu amor, é hora de acordar
Tenho anis
Tenho hortelã
Tenho um cesto de flores
Eu tenho um jardim e uma canção
Vivo feliz, tenho amor
Eu tenho um desejo e um coração
Tenho coragem e sei quem eu sou
Eu tenho um segredo e uma oração
Vê que a minha força é quase santa
Como foi santo o meu penar
Pecado é provocar desejo
E depois renunciar
Estive cansado
Meu orgulho me deixou cansado
Meu egoísmo me deixou cansado
Minha vaidade me deixou cansado
Não falo pelos outros
Só falo por mim
Ninguém vai me dizer o que sentir


Tenho jasmim tenho hortelã
Eu tenho um anjo, eu tenho uma irmã
Com a saudade teci uma prece
E preparei erva-cidreira no café da manhã
Ninguém vai me dizer o que sentir
E eu vou cantar uma canção p'rá mim

Filosofando: Esta música retrata um pensamento HEDONISTA, em que o eu lírico conquista a felicidade através do prazer trazido pelo fato de estar em tranquilidade consigo e com as coisas ao redor. No primeiro parágrafo trás a lembrança daquilo que chamou de tempos de tristeza que, embora lhe tivesse rendido momentos felizes, lhe trazia infortúnios também. Agora está em paz e isto lhe rende prazer em viver.